2 – UM PADRE CHAMADO MIGUEL
Monsenhor Miguel de Santa Maria Mochon
Você talvez more num bairro, e como muitos, não sabe o motivo do nome deste bairro. Por exemplo, em nosso bairro sabemos que existe uma Escola de Samba famosa no Brasil e internacionalmente, mas não temos a menor noção de como foi que essa escola nasceu. Muito menos, da origem do nosso bairro.
Pois bem o bairro se chama Padre Miguel em homenagem ao Monsenhor Miguel de Santa Maria Mochon, que era pároco de uma das igrejas da região da Grande Bangu e de Realengo, ele gostava de fotografia e seu hobby era o cinema, chegou a produzir suas próprias filmagens, vale lembrar que naquela época, décadas de vinte a quarenta, não era muito comum o uso dos recursos cinematográficos para documentários, e o padre Miguel já o fazia, sendo um pioneiro do gênero no Brasil.
Na Igreja, ele passava tanto filmes em branco e preto famosos, como os de Charles Chaplin, ‘Abbot e Costello’ e ‘O Gordo e o Magro’, bem como os seus próprios documentários feitos no seu próprio aparelho, uma câmara de dezesseis milímetros (segundo contam alguns dos seus contemporâneos ainda vivos) e apresentava-os no seu projetor, o único em toda a região, naquela época.
Não temos como comprovar a veracidade destes fatos narrados pelos anciãos do bairro, uma vez que todos os pertencentes do padre se perderam, o que só corrobora a opinião da maioria em relação aos hábitos de preservação dos patrimônios físicos e intelectuais no nosso bairro.
O bairro, como já dissemos, foi se formando por vários fatores, entre eles a expansão das vias ferroviárias, principalmente com a inauguração do ramal de Santa Cruz em 02/12/1878, com a construção das estações de Bangu e de Realengo, e posteriormente a do bairro que recebeu esse nome, logicamente para homenagem algum padre importante do local, entre outros padres que fizeram parte do cotidiano do bairro, como os Padres: Paulo, Mazzini etc.
O Padre que recebeu a homenagem, o Monsenhor Miguel de Santa Maria Mochon, como falamos no início dos textos, que na verdade morou em Realengo, onde foi pároco neste bairro, como na época o bairro de Padre Miguel, logicamente, ainda não existia, a estação entre Realengo e Bangu foi 'batizada' com o nome do padre chamado Miguel. Para melhor ilustrar isso, no site da Mocidade há uma verdadeira verborragia contando-nos quem foi o padre Miguel e seu único biógrafo, o falecido professor da Universidade Castelo Branco Carlos Wenceslaw.
Tudo sobre tudo e algo mais: Indicando a direção dos ventos do mundo! Um pouco de cada assunto de interesse. Cidade e Urbanização, Ecologia e Meio Ambiente, População e Demografia, Geoeconomia e Geopolítica, Etc.
terça-feira, 1 de março de 2011
UM PADRE CHAMADO MIGUEL, UM BAIRRO CHAMADO PADRE MIGUEL (1ª PARTE)
1 - O BAIRRO DE PADRE MIGUEL
1.1. Localização do Bairro
Localizado na Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro, na Microrregião da Grande Bangu, o bairro, tendo como vizinhos os seguintes bairros: Bangu, ao sul, a oeste e ao norte e Realengo ao sul, a leste e ao norte. Entre as suas principais características: É um dos bairros de maior densidade populacional da Zona Oeste e do Rio de Janeiro; é um dos que tem as maiores e as menores temperaturas do município, ao lado de Bangu; sua área foi ocupada em razão da proximidade de duas fábricas polarizadoras, o que é responsável em parte pela sua alta densidade demográfica e é um dos bairros do município onde a quase totalidade de seu território se constitui de áreas construídas.
1.2. Bairros Sem Memória
Pesquisando e, conseqüentemente, conhecendo a história do nosso bairro, percebemos que ao longo do tempo, este espaço sofreu transformações provocadas pela necessidade e pelos interesses das pessoas que atuaram no local, modelando-o e até mesmo debelando-o. Para acessarmos vestígios do nascimento e da evolução do bairro, foi necessário pesquisar em algumas poucas fontes e consultar arquivos pessoais de moradores mais antigos do bairro, muitos dos entrevistados foram, inclusive, os primeiros moradores e, praticamente, fundadores do bairro.
Já não é de hoje que notamos a dificuldade de se encontrar material para pesquisa sobre os bairros da Zona Oeste, mesmo os mais famigerados, é comum a desistência logo no começo, pois não há quase material sobre esses rincões perdidos do Rio de Janeiro. Quando pesquisamos sobre os bairros de Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, ainda é possível acharmos algum material, mesmo que repetitivos e alguns especulativos apenas, mas quando resolvemos pesquisar os bairros mais periféricos, o problema aparece, parece-nos que há um esforço para que se esqueça do local, como se este fosse uma chaga purulenta, que precisa ser coberta para não deixar transparecer o ‘mau cheiro’.
Os registros oficiais que temos, são, na maioria dos bairros mais vistosos, que nomeiam grandes regiões novamente os bairros de Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, não é difícil saber como esses bairros se formaram e como vive hoje a sua população, mas e os periféricos como Padre Miguel e Senador Camará? Como se formaram? Por que dos nomes? Afinal de contas quem foi Padre Miguel? O que motivou as pessoas a virem morar aqui? Será que vieram por conta própria ou obrigados? São essas perguntas que tentei responder e pesquisei para isto, mesmo sabendo que não teria nem onde procurar e muito menos materiais à disposição.
1.3. Propagandas Contra
É como um desabafo que digo isso porque sempre fiz esforço e questão de lembrar das coisas desta localidade (Região de Bangu), lugar onde vivemos e trabalhamos, e que tentamos a todo custo melhorar, para que nossos filhos venham a se orgulhar de morar num bairro mais aprazível. Mas não temos, hoje em dia muito que nos orgulhar em relação aos bairros da Zona Oeste, por motivos que vão desde a violência latente em alguns sub-bairros como Vila Kennedy e Senador Camará, onde é comum: por qualquer motivo a população favelada, comandada pelo narcotráfico atear fogo em ônibus, matando pessoas inocentes; os embates entre facções rivais do tráfico de drogas por territórios e lucros; a quantidade enorme de viciados que cometem delitos para sustentar seus vícios; entre outras coisas mais deterioradas ainda.
Aqui na região, também temos o famigerado (mal falado, a bem da verdade) conjunto de presídios de Bangu, exaustivamente mostrado nas redes de televisão por causa de rebeliões e pelos ‘ilustres’ moradores deste que é um verdadeiro reesort para maus elementos que ‘deveriam se regenerar’. Mas na verdade, além de parecer um hotel cinco estrelas (um quartel General do crime, com direito a infra-estrutura nos moldes do Pentágono), este barril de pólvora acabou de vez com a fama de bairros tranqüilos da localidade. Qualquer pessoa que ouça falar de Padre Miguel, Bangu, etc. fatalmente ligará esses bairros aos presídios e por puro preconceito já terá uma certa imagem negativa do local.
Outro fator extremamente importante para compreendermos o porque do estado de abandono de nossos bairros é o fato de se encontrar em área limite entre regiões e/ou municípios, ainda mais quando o encontro destas regiões se dá entre localidades pobres como a Região da Grande Bangu e a da Grande Realengo, intensamente favelizadas, e de estarem situadas em áreas limítrofes com áreas tremendamente abandonadas de outros municípios ainda mais carentes, mesmo quando comparados com os nossos bairros, como no caso de Nova Iguaçu e Nilópolis.
1.4. Recuperação da Auto-Estima Coletiva
Como morador e trabalhador do local, acho de extrema importância que tenhamos condições de valorizar o bairro e passar para as futuras gerações algo do qual possam se orgulhar. Para isso é de fundamental relevância que recuperemos a auto-estima coletiva, ou seja, que todos passem a bem dizer o seu lugar, afinal de contas é no lugar em que vivemos onde travamos as relações de afeto, ou até mesmo onde fazemos as catarses do cotidiano, onde fomos acalentados por nossos pais e agora criamos os nossos filhos e onde se dão as relações sociais, políticas e econômicas mais diretamente ligadas ao cidadão (SANTOS, 1996). Sendo assim não é justo que falemos mal desta terra, muito menos que deixemos que exponham nossas falhas sem que tenhamos o direito a legitima defesa.
Para começar este árduo trabalho de recuperação da imagem dos bairros nada melhor do que passarmos a escrever sobre eles, para que possam ser conhecidos pelo que foram no passado, pelo que são hoje e pelas possibilidades que possuem de desenvolvimento no futuro. Sabendo que a Cidade do Rio de Janeiro não tem mais para onde crescer, a não ser que na direção oeste, onde ainda temos terras ociosas, faz-se necessário uma valorização do potencial dos bairros para que possam parecer atraentes para o capital e assim trazer algum investimento do quais carecemos.
Em relação ao bairro de Padre Miguel, suas maiores potencialidades são turísticas/culturais e existem locais que poderiam ser aproveitados como áreas comerciais ou de indústrias de pequeno porte, como os terrenos baldios ao sul e sudoeste do bairro (poderiam ser instaladas concessionárias de automóveis), e ao norte e nordeste nos arredores da Avenida Brasil, já fazendo limite com o bairro de Realengo, onde ainda há espaços, e que estão sendo invadidos e favelizados, alias esta é uma das causas do esvaziamento do local, a favelização que foi até mesmo incentivada pelos poderes públicos em tempos remotos e hoje é o grande gargalo político para ser resolvido pelos governantes.
Convidamos o leitor a refletir junto conosco sobre os problemas mais imediatos do país, do estado e do município, mas sem deixar nunca de lembrar que as ações em âmbito locais são as que mais contribuem para o sucesso das políticas regionais, e que no fim das contas são elas que perfazem as atitudes mais acertadas em termos globais.
1.1. Localização do Bairro
Localizado na Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro, na Microrregião da Grande Bangu, o bairro, tendo como vizinhos os seguintes bairros: Bangu, ao sul, a oeste e ao norte e Realengo ao sul, a leste e ao norte. Entre as suas principais características: É um dos bairros de maior densidade populacional da Zona Oeste e do Rio de Janeiro; é um dos que tem as maiores e as menores temperaturas do município, ao lado de Bangu; sua área foi ocupada em razão da proximidade de duas fábricas polarizadoras, o que é responsável em parte pela sua alta densidade demográfica e é um dos bairros do município onde a quase totalidade de seu território se constitui de áreas construídas.
1.2. Bairros Sem Memória
Pesquisando e, conseqüentemente, conhecendo a história do nosso bairro, percebemos que ao longo do tempo, este espaço sofreu transformações provocadas pela necessidade e pelos interesses das pessoas que atuaram no local, modelando-o e até mesmo debelando-o. Para acessarmos vestígios do nascimento e da evolução do bairro, foi necessário pesquisar em algumas poucas fontes e consultar arquivos pessoais de moradores mais antigos do bairro, muitos dos entrevistados foram, inclusive, os primeiros moradores e, praticamente, fundadores do bairro.
Já não é de hoje que notamos a dificuldade de se encontrar material para pesquisa sobre os bairros da Zona Oeste, mesmo os mais famigerados, é comum a desistência logo no começo, pois não há quase material sobre esses rincões perdidos do Rio de Janeiro. Quando pesquisamos sobre os bairros de Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, ainda é possível acharmos algum material, mesmo que repetitivos e alguns especulativos apenas, mas quando resolvemos pesquisar os bairros mais periféricos, o problema aparece, parece-nos que há um esforço para que se esqueça do local, como se este fosse uma chaga purulenta, que precisa ser coberta para não deixar transparecer o ‘mau cheiro’.
Os registros oficiais que temos, são, na maioria dos bairros mais vistosos, que nomeiam grandes regiões novamente os bairros de Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, não é difícil saber como esses bairros se formaram e como vive hoje a sua população, mas e os periféricos como Padre Miguel e Senador Camará? Como se formaram? Por que dos nomes? Afinal de contas quem foi Padre Miguel? O que motivou as pessoas a virem morar aqui? Será que vieram por conta própria ou obrigados? São essas perguntas que tentei responder e pesquisei para isto, mesmo sabendo que não teria nem onde procurar e muito menos materiais à disposição.
1.3. Propagandas Contra
É como um desabafo que digo isso porque sempre fiz esforço e questão de lembrar das coisas desta localidade (Região de Bangu), lugar onde vivemos e trabalhamos, e que tentamos a todo custo melhorar, para que nossos filhos venham a se orgulhar de morar num bairro mais aprazível. Mas não temos, hoje em dia muito que nos orgulhar em relação aos bairros da Zona Oeste, por motivos que vão desde a violência latente em alguns sub-bairros como Vila Kennedy e Senador Camará, onde é comum: por qualquer motivo a população favelada, comandada pelo narcotráfico atear fogo em ônibus, matando pessoas inocentes; os embates entre facções rivais do tráfico de drogas por territórios e lucros; a quantidade enorme de viciados que cometem delitos para sustentar seus vícios; entre outras coisas mais deterioradas ainda.
Aqui na região, também temos o famigerado (mal falado, a bem da verdade) conjunto de presídios de Bangu, exaustivamente mostrado nas redes de televisão por causa de rebeliões e pelos ‘ilustres’ moradores deste que é um verdadeiro reesort para maus elementos que ‘deveriam se regenerar’. Mas na verdade, além de parecer um hotel cinco estrelas (um quartel General do crime, com direito a infra-estrutura nos moldes do Pentágono), este barril de pólvora acabou de vez com a fama de bairros tranqüilos da localidade. Qualquer pessoa que ouça falar de Padre Miguel, Bangu, etc. fatalmente ligará esses bairros aos presídios e por puro preconceito já terá uma certa imagem negativa do local.
Outro fator extremamente importante para compreendermos o porque do estado de abandono de nossos bairros é o fato de se encontrar em área limite entre regiões e/ou municípios, ainda mais quando o encontro destas regiões se dá entre localidades pobres como a Região da Grande Bangu e a da Grande Realengo, intensamente favelizadas, e de estarem situadas em áreas limítrofes com áreas tremendamente abandonadas de outros municípios ainda mais carentes, mesmo quando comparados com os nossos bairros, como no caso de Nova Iguaçu e Nilópolis.
1.4. Recuperação da Auto-Estima Coletiva
Como morador e trabalhador do local, acho de extrema importância que tenhamos condições de valorizar o bairro e passar para as futuras gerações algo do qual possam se orgulhar. Para isso é de fundamental relevância que recuperemos a auto-estima coletiva, ou seja, que todos passem a bem dizer o seu lugar, afinal de contas é no lugar em que vivemos onde travamos as relações de afeto, ou até mesmo onde fazemos as catarses do cotidiano, onde fomos acalentados por nossos pais e agora criamos os nossos filhos e onde se dão as relações sociais, políticas e econômicas mais diretamente ligadas ao cidadão (SANTOS, 1996). Sendo assim não é justo que falemos mal desta terra, muito menos que deixemos que exponham nossas falhas sem que tenhamos o direito a legitima defesa.
Para começar este árduo trabalho de recuperação da imagem dos bairros nada melhor do que passarmos a escrever sobre eles, para que possam ser conhecidos pelo que foram no passado, pelo que são hoje e pelas possibilidades que possuem de desenvolvimento no futuro. Sabendo que a Cidade do Rio de Janeiro não tem mais para onde crescer, a não ser que na direção oeste, onde ainda temos terras ociosas, faz-se necessário uma valorização do potencial dos bairros para que possam parecer atraentes para o capital e assim trazer algum investimento do quais carecemos.
Em relação ao bairro de Padre Miguel, suas maiores potencialidades são turísticas/culturais e existem locais que poderiam ser aproveitados como áreas comerciais ou de indústrias de pequeno porte, como os terrenos baldios ao sul e sudoeste do bairro (poderiam ser instaladas concessionárias de automóveis), e ao norte e nordeste nos arredores da Avenida Brasil, já fazendo limite com o bairro de Realengo, onde ainda há espaços, e que estão sendo invadidos e favelizados, alias esta é uma das causas do esvaziamento do local, a favelização que foi até mesmo incentivada pelos poderes públicos em tempos remotos e hoje é o grande gargalo político para ser resolvido pelos governantes.
Convidamos o leitor a refletir junto conosco sobre os problemas mais imediatos do país, do estado e do município, mas sem deixar nunca de lembrar que as ações em âmbito locais são as que mais contribuem para o sucesso das políticas regionais, e que no fim das contas são elas que perfazem as atitudes mais acertadas em termos globais.
UM PADRE CHAMADO MIGUEL, UM BAIRRO CHAMADO PADRE MIGUEL (APRESENTAÇÃO)
APRESENTAÇÃO
Este trabalho não tem a pretensão de ser um tratado histórico ou mapeamento do bairro, muito menos de servir como material político ou didático, apenas pretendeu-se mostrar nestas linhas o que já é do conhecimento de quase toda a população da Zona Oeste, que se vive num lugar que sofre o preconceito e a discriminação de outros bairros e até mesmo dos bairros mais centrais da região. Preconceito este, por que muitos acham que aqui só há roça ou aridez, numa espécie de deturpação do conhecimento, por que outrora estas terras foram chamadas de sertões.
De tudo, o que mais nos afeta é a discriminação, pois sabemos que apesar de ser o último caminho viável para o desenvolvimento industrial do município (uma vez que outras freguesias já esgotaram ou estão quase exaurindo suas capacidades), mesmo assim sofremos com a falta de investimentos da Prefeitura e do Estado Rio de Janeiro para viabilizar tal vocação da nossa região. Discriminação pelo fato de apesar de fazer parte da mesma Zona Geográfica, bairros como Jacarepaguá e Barra da Tijuca se ‘comportam’ como Zona e Sul, tendo suas metas voltadas para os padrões de vida das classes média e alta da cidade, em detrimento do desenvolvimento potencial da verdadeira área em que se situam.
Um dos fatos mais lamentáveis é o preconceito dentro da nossa própria região, é comum quem mora no centro de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz, tratar com certo desdém os que moram mais para a periferia, porém quando são descriminados pelos moradores da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá (que também são bairros da Zona Oeste), se sentem constrangidos (é difícil não se sentir um intruso nas praias da Barra da Tijuca, ainda mais quando o ônibus Bangu/Barra para e solta um monte de gente com 'cara de Zona Oeste pobre'), mas a vida é assim mesmo, basta se ter um pouco mais para achar que se tem demais.
Mas chega de lamentações, a motivação inicial de escrever sobre o bairro de Padre Miguel, é que apesar de simpático e bastante freqüentado, o bairro não dispõe de quase nenhuma literatura que o especifique. Não é muito difícil achar material sobre Santa Cruz, Campo Grande, Bangu e Realengo, uma vez que são os bairros mais famosos, mas quando queremos saber algo sobre os outros bairros da região, é praticamente um trabalho perdido, como achar agulha em palheiro. Por isso esta iniciativa que espero ser seguida por outros incomodados com o anonimato de suas terras, ou então, o que é muito pior, a difamação delas, como é o caso de Senador Camará que só é conhecido pelos incêndios á coletivos e pelas favelas que vivem se digladiando, e esquecido no seu teor histórico como é o caso da Fazenda do Viegas, e o mesmo acontece com o bairro de Padre Miguel, que é muito mais conhecido pela Vila Vintém e pelo narcotráfico do que pelas suas verdadeiras características, as quais tentarei passar para quem vier a ler estas linhas.
Peço desculpas se durante a leitura alguém se achar ofendido, a si ou a seu bairro, mas é necessário que se faça aqui algumas correções e comparações com outras regiões o que fatalmente poderá ser mal entendido, ou mesmo deturpado. Porém, como qualquer esforço valerá a pena para que o nome de nosso bairro seja bendito, esperando sempre que ninguém se subleve por este meu pequeno intento e que também seja relevante algum dia, quem sabe, incentivando outros escritores e poetas regionais a bem dizer os nossos bairros tão carentes de afeto.
Este trabalho não tem a pretensão de ser um tratado histórico ou mapeamento do bairro, muito menos de servir como material político ou didático, apenas pretendeu-se mostrar nestas linhas o que já é do conhecimento de quase toda a população da Zona Oeste, que se vive num lugar que sofre o preconceito e a discriminação de outros bairros e até mesmo dos bairros mais centrais da região. Preconceito este, por que muitos acham que aqui só há roça ou aridez, numa espécie de deturpação do conhecimento, por que outrora estas terras foram chamadas de sertões.
De tudo, o que mais nos afeta é a discriminação, pois sabemos que apesar de ser o último caminho viável para o desenvolvimento industrial do município (uma vez que outras freguesias já esgotaram ou estão quase exaurindo suas capacidades), mesmo assim sofremos com a falta de investimentos da Prefeitura e do Estado Rio de Janeiro para viabilizar tal vocação da nossa região. Discriminação pelo fato de apesar de fazer parte da mesma Zona Geográfica, bairros como Jacarepaguá e Barra da Tijuca se ‘comportam’ como Zona e Sul, tendo suas metas voltadas para os padrões de vida das classes média e alta da cidade, em detrimento do desenvolvimento potencial da verdadeira área em que se situam.
Um dos fatos mais lamentáveis é o preconceito dentro da nossa própria região, é comum quem mora no centro de Bangu, Campo Grande, Realengo e Santa Cruz, tratar com certo desdém os que moram mais para a periferia, porém quando são descriminados pelos moradores da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá (que também são bairros da Zona Oeste), se sentem constrangidos (é difícil não se sentir um intruso nas praias da Barra da Tijuca, ainda mais quando o ônibus Bangu/Barra para e solta um monte de gente com 'cara de Zona Oeste pobre'), mas a vida é assim mesmo, basta se ter um pouco mais para achar que se tem demais.
Mas chega de lamentações, a motivação inicial de escrever sobre o bairro de Padre Miguel, é que apesar de simpático e bastante freqüentado, o bairro não dispõe de quase nenhuma literatura que o especifique. Não é muito difícil achar material sobre Santa Cruz, Campo Grande, Bangu e Realengo, uma vez que são os bairros mais famosos, mas quando queremos saber algo sobre os outros bairros da região, é praticamente um trabalho perdido, como achar agulha em palheiro. Por isso esta iniciativa que espero ser seguida por outros incomodados com o anonimato de suas terras, ou então, o que é muito pior, a difamação delas, como é o caso de Senador Camará que só é conhecido pelos incêndios á coletivos e pelas favelas que vivem se digladiando, e esquecido no seu teor histórico como é o caso da Fazenda do Viegas, e o mesmo acontece com o bairro de Padre Miguel, que é muito mais conhecido pela Vila Vintém e pelo narcotráfico do que pelas suas verdadeiras características, as quais tentarei passar para quem vier a ler estas linhas.
Peço desculpas se durante a leitura alguém se achar ofendido, a si ou a seu bairro, mas é necessário que se faça aqui algumas correções e comparações com outras regiões o que fatalmente poderá ser mal entendido, ou mesmo deturpado. Porém, como qualquer esforço valerá a pena para que o nome de nosso bairro seja bendito, esperando sempre que ninguém se subleve por este meu pequeno intento e que também seja relevante algum dia, quem sabe, incentivando outros escritores e poetas regionais a bem dizer os nossos bairros tão carentes de afeto.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
A BATALHA URBANA PELO TERRITÓRIO APENAS COMEÇOU
Engana-se quem acha que a ‘retomada’ do controle do Complexo do Alemão foi uma vitória definitiva das forças públicas contra o narcotráfico e o que chamo de drugbusiness. Foi apenas uma resposta pontual a um desafio perpetrado por uma facção aos poderes públicos. Sem, necessariamente, ter sido a resposta correta e exemplar. Explico: não houve retomada total de território e nem a aniquilação da facção e do poderio bélico e financeiro da quadrilha.
O que notamos foi a total incompetência do Governo do Estado do Rio de Janeiro em lidar com a criminalidade. Não falo deste governador que está aí, mas de tantos outros que fizeram vistas grossas para a ocupação de territórios pelas facções. Vendo o filme nacional Assalto ao Trem Pagador, que é da década de 1960, noto que já naquela época já existia uma certa ‘organização’ do crime. Hoje, o que chamam de crime organizado, nada mais é do que barbárie.
Digo que o crime é desorganizado porque não vejo uma hierarquia de fato, é um ‘cada um por si’, e para causar danos, convenhamos, não é preciso organização. Destruir é muito mais fácil do que construir, todos sabemos. As imagens da televisão mostram um bando desorganizado correndo atrás de outro bando desorganizado. Concluímos então que não é a organização do crime que dá trabalho e sim a desorganização do aparato policial.
Muitos dirão que foi um sucesso a invasão e a contensão do crime nos morros ocupados. Porém, pergunto: Quantos foram presos em relação à quantidade que vimos escapulindo pela mata? Quantos fugiram e escafederam pelo esgoto? Quem afinal de contas venceu a batalha afinal? Será que só os moradores do lugar ficarão satisfeitos enquanto o resto da cidade terá que pagar? Uma vez que os bandidos migraram para outras favelas, será que o bem venceu mesmo?
Governantes, olhai por nós!!!
sábado, 4 de dezembro de 2010
A DISTÂNCIA ENTRE O HOMEM E A NATUREZA
Vivemos em uma época difícil, apesar de tantas informações espalhadas pela mídia a ignorância prevalece. Há pouco tempo atrás foi a gripe suína que assolou o mundo, agora temos a super-bactéria e os surtos de cólera. E num futuro muito próximo haverá mais doenças antigas voltando à tona.
A verdade é que apesar dos avanços na medicina e na indústria farmacêutica o que vemos é a natureza vencer todos os esforços da humanidade. Mas isso se dá porque cismamos que temos que viver a parte da natureza, quando o certo seria estarmos caminhando juntos e cooperando para que nenhum dos dois se extinguisse.
Em relação à KPC, bactéria resistente a quase todos os antibióticos existentes, parte da culpa é da classe médica que receita antibióticos para quase qualquer coisa. Outro grande culpado é o setor farmacêutico que vende facilmente antibióticos para qualquer um sem critério, quando o certo seria exigir receita e mesmo com elas, analisar se são necessários.
Quando não conseguimos remediar por conta própria as nossas doenças, procuramos um médico. Aí, esbarramos em dois problemas distintos: primeiro a falta de médicos nas redes públicas e particulares e segundo na competência do médico que irá nos atender, haja vista a quantidade de falsos médicos nos hospitais particulares.
Chegamos à conclusão de que tudo é feito para desviar o foco da verdadeira questão. Por exemplo: quando criaram as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), a idéia era desviar o foco, tirar a luz de cima dos hospitais públicos sucateados e funcionando a meia-boca e jogar luz em um projeto que viria a ser a salvação da lavoura. Só que essa salvação não veio e ficamos com mais lugares sem médicos e com péssimos atendimentos.
Agora veio a super-bactéria, imune aos antibióticos e se alastrando a torto e à direita. E apesar dos esforços das autoridades em dizer que não há casos em que houve óbitos, sabemos que ela já vem matando bastante. Só que no atestado de óbito vem os genéricos: infecção hospitalar, mal-súbito ou pneumonia. O que serve para camuflar o que acontece na verdade.
É verdade que esta bactéria não é transmissível pelo ar, nem por simples contato físico. É preciso que haja uma incisão para que ela penetre no corpo de algum ser humano e que este esteja bastante debilitado devido a uma doença ao estado pós-operatório. Mas é assustador saber que existe algum inimigo que está além das capacidades mortais de nossas armas químicas.
Sonho com o dia e que nosso sistema de saúde e de educação entrem em sintonia e a prevenção venha na frente do tratamento. Também creio na informação/informatização como solução para as mazelas do país. Mas, parece que nossos governantes ainda estão no século XIX e acabaram de descobrir a vacina... Aquela: vacinia vacum... A cura do pus da vaca. É muito triste para ser levado na sacanagem.
Governantes, olhai por nós!
A verdade é que apesar dos avanços na medicina e na indústria farmacêutica o que vemos é a natureza vencer todos os esforços da humanidade. Mas isso se dá porque cismamos que temos que viver a parte da natureza, quando o certo seria estarmos caminhando juntos e cooperando para que nenhum dos dois se extinguisse.
Em relação à KPC, bactéria resistente a quase todos os antibióticos existentes, parte da culpa é da classe médica que receita antibióticos para quase qualquer coisa. Outro grande culpado é o setor farmacêutico que vende facilmente antibióticos para qualquer um sem critério, quando o certo seria exigir receita e mesmo com elas, analisar se são necessários.
Quando não conseguimos remediar por conta própria as nossas doenças, procuramos um médico. Aí, esbarramos em dois problemas distintos: primeiro a falta de médicos nas redes públicas e particulares e segundo na competência do médico que irá nos atender, haja vista a quantidade de falsos médicos nos hospitais particulares.
Chegamos à conclusão de que tudo é feito para desviar o foco da verdadeira questão. Por exemplo: quando criaram as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), a idéia era desviar o foco, tirar a luz de cima dos hospitais públicos sucateados e funcionando a meia-boca e jogar luz em um projeto que viria a ser a salvação da lavoura. Só que essa salvação não veio e ficamos com mais lugares sem médicos e com péssimos atendimentos.
Agora veio a super-bactéria, imune aos antibióticos e se alastrando a torto e à direita. E apesar dos esforços das autoridades em dizer que não há casos em que houve óbitos, sabemos que ela já vem matando bastante. Só que no atestado de óbito vem os genéricos: infecção hospitalar, mal-súbito ou pneumonia. O que serve para camuflar o que acontece na verdade.
É verdade que esta bactéria não é transmissível pelo ar, nem por simples contato físico. É preciso que haja uma incisão para que ela penetre no corpo de algum ser humano e que este esteja bastante debilitado devido a uma doença ao estado pós-operatório. Mas é assustador saber que existe algum inimigo que está além das capacidades mortais de nossas armas químicas.
Sonho com o dia e que nosso sistema de saúde e de educação entrem em sintonia e a prevenção venha na frente do tratamento. Também creio na informação/informatização como solução para as mazelas do país. Mas, parece que nossos governantes ainda estão no século XIX e acabaram de descobrir a vacina... Aquela: vacinia vacum... A cura do pus da vaca. É muito triste para ser levado na sacanagem.
Governantes, olhai por nós!
sábado, 16 de outubro de 2010
AS IDEIAS QUE PODEM MUDAR O MUNDO, PELO MENOS O MEU...
COMO MELHORAR A EDUCAÇÃO NO BRASIL GASTANDO POUCO
Grande impasse na hora do nosso país deslanchar mundialmente é educação carente, principalmente dos anos finais do antigo primário (Ensino Básico) até o Ensino Médio.
Sabemos que o povo brasileiro é bastante desprovido financeiramente, sendo assim um dos modos mais eficientes de melhorar as coisas por estas bandas é oferecer dinheiro em troca de desempenho dos alunos. A criação de mais uma bolsa, neste país canguru, seria bem-vinda. Seria uma bolsa desempenho educacional, onde o responsável pelo aluno ganharia uma determinada quantia em troca do bom conceito do aluno em provas avaliativas externas.
Um valor razoável seria entre noventa e cento e cinqüenta reais. Menos que isso os pais ou responsáveis pelas crianças não se interessariam, pois ficaria mais fácil vender latinhas, garrafas PETs e canos ou fios de cobre nos ferro-velhos da vida. Esse valor também seria escalonado. Quanto melhor fosse o aluno nas avaliações mais ganharia seu responsável, podendo chegar a cento e cinqüenta reais.
Para os alunos do antigo secundário o dinheiro seria dado direto para ele segundo seu desempenho. Da mesma forma, dependendo de seu desempenho. Isso faria o aluno se esforçar muito mais. Infelizmente é assim que funcionam as coisas neste país, tanto para punir como para premiar, o alvo tem de ser sempre o mesmo: o bolso.
Desta forma, os nossos governantes fariam um bem enorme pelos alunos e seus responsáveis, pois haveria a cobrança por resultados e o desempenho de todos melhoraria. Essa ideia melhoraria o mundo, principalmente o meu, que não precisarei mais 'plantar bananeira' para chamar a atenção dos alunos para aquilo que no fundo é sua obrigação.
Vamos pensar nisso?
Grande impasse na hora do nosso país deslanchar mundialmente é educação carente, principalmente dos anos finais do antigo primário (Ensino Básico) até o Ensino Médio.
Sabemos que o povo brasileiro é bastante desprovido financeiramente, sendo assim um dos modos mais eficientes de melhorar as coisas por estas bandas é oferecer dinheiro em troca de desempenho dos alunos. A criação de mais uma bolsa, neste país canguru, seria bem-vinda. Seria uma bolsa desempenho educacional, onde o responsável pelo aluno ganharia uma determinada quantia em troca do bom conceito do aluno em provas avaliativas externas.
Um valor razoável seria entre noventa e cento e cinqüenta reais. Menos que isso os pais ou responsáveis pelas crianças não se interessariam, pois ficaria mais fácil vender latinhas, garrafas PETs e canos ou fios de cobre nos ferro-velhos da vida. Esse valor também seria escalonado. Quanto melhor fosse o aluno nas avaliações mais ganharia seu responsável, podendo chegar a cento e cinqüenta reais.
Para os alunos do antigo secundário o dinheiro seria dado direto para ele segundo seu desempenho. Da mesma forma, dependendo de seu desempenho. Isso faria o aluno se esforçar muito mais. Infelizmente é assim que funcionam as coisas neste país, tanto para punir como para premiar, o alvo tem de ser sempre o mesmo: o bolso.
Desta forma, os nossos governantes fariam um bem enorme pelos alunos e seus responsáveis, pois haveria a cobrança por resultados e o desempenho de todos melhoraria. Essa ideia melhoraria o mundo, principalmente o meu, que não precisarei mais 'plantar bananeira' para chamar a atenção dos alunos para aquilo que no fundo é sua obrigação.
Vamos pensar nisso?
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