ALEMANHA E ZONA DO EURO
O principal país que move a zona do euro é a Alemanha, apesar da pujança da Grã-Bretanha e França, que na prática formam uma tríade desenvolvimentista local. As indústrias e o setor de serviços alemão são o motor da Europa, sendo assim quando esse país passa por algum problema todos em seu entorno sofrem as conseqüências. Porém, a dinâmica econômica alemã não é tão maleável a ponto de sucumbir com as crises mundiais.
Outro motivo para ter otimismo em relação a esse país, é a capacidade de engajamento do povo. Mesmo quando foi ludibriado pelo nazismo, o povo alemão deu mostra de que pode reagir a qualquer crise. Um exemplo foi o período pós Primeira Grande Guerra Mundial. Após ter sua economia arrasada, os alemães se refizeram e conseguiram se tornar a principal potência européia da sua época.
Depois da Segunda Grande Guerra Mundial, com a ajuda dos Estados Unidos, a Alemanha foi junto com o Japão, quem mais soube aproveitar os recursos que captou. Tanto que hoje é um pólo de atração de imigração importante e um dos países que mais disponibilizam produtos industriais e serviços de extrema qualidade.
Hoje, o que pode atrasar a alavancagem alemã em relação a crise, é a sua dependência aos combustíveis e energia externos, uma vez que sua base nuclear é pequena (em relação ao que ela precisa) e o carvão e o petróleo são muito deletérios ao ambiente. O seu principal fornecedor de energia é a Rússia, que é uma ‘amiga’ um tanto ingrata e se utiliza do seu potencial energético para ‘chantagear’ os europeus.
O que afetará muito a Alemanha é o fato que as demais associadas da zona do euro são dependentes dela. É que a maioria dos países da Europa vive de vender seus produtos e serviços para a tríade: Alemanha, França e Inglaterra. Fora isso, se não conseguissem colocar seus produtos nesse mercado, dificilmente acessariam aos países de fora da zona do euro, porque seus produtos são, vias de regra, protegidos por práticas deploráveis como reservas de mercados, protecionismo e subsídios agrícolas.
Esse fato leva a Alemanha (e os dois maiores da zona do euro) a carregar um pesado fardo nas costas. Pois sem esses três a economia dos demais países colapsaria. Há alguns coadjuvantes respeitáveis nessa equação que podem ser de grande importância na solução da crise devido à pujança na indústria e nos serviços: Holanda, Itália, Espanha e países nórdicos. Associando-se aos três gigantes da economia e ‘visibilidade’ da zona do euro, esses países teriam plenas condições de alavancar essa parte do planeta de novo ao patamar pré-crise.
O otimismo em relação à Europa vem do fato de serem países extremamente cooperativos, e os inventores do conceito de comunidade. Como a Alemanha é o motor desse local, certamente haverá empenho geral de alemães e de europeus em geral para obterem êxito nessa empreitada, a saber: sair da crise melhor do que entraram.
Tudo sobre tudo e algo mais: Indicando a direção dos ventos do mundo! Um pouco de cada assunto de interesse. Cidade e Urbanização, Ecologia e Meio Ambiente, População e Demografia, Geoeconomia e Geopolítica, Etc.
domingo, 7 de dezembro de 2008
OS PAÍSES CENTRAIS DO CAPITALISMO (ESTADOS UNIDOS, JAPÃO E A ZONA DO EURO) 2
JAPÃO
O problema do Japão é parecido com o que passam os Estados Unidos o que diz respeito aos créditos, porém o que agravará a saída do Japão dessa ciranda perversa é o fato desse país ser mais poupador do que consumista.
Apesar do povo japonês adorar novidades e consumir bastantes itens de alta tecnologia, é sabido que sempre que sobra algum dinheiro os nipônicos tendem a guardá-lo para o futuro, pensando em gastar em uma viagem ou na aquisição de algo muito que caro que servirá para um tempo distante.
Não há como convencer o japonês que ele tem que consumir, gastando o que lhe sobra já, para tirar o seu país da lama. Essa dificuldade em fazer o japonês gastar é antiga. É um dilema que o governo tem desde a era do pré-Segunda Guerra Mundial.
O Japão também é muito dependente de importação, pois devido o seu território ser insular e escasso em diversos itens de primeira necessidade, principalmente no que tange a fontes de energia. Com as freqüentes altas na cotação do dólar americano, os preços de diversas commodities necessárias aos japoneses dispararam, porém, os preços do petróleo e do minério de ferro despencaram, o que é um alívio importante em sua balança comercial.
Em comum com os EUA, o Japão também é muito forte no setor terciário, o que pode ser o carro chefe da recuperação econômica, tanto interna como externamente os serviços oferecidos por este país são de suma importância na geopolítica local (Ásia) e mundial.
A indústria japonesa terá um baque fortíssimo na produção (devido à dificuldade na importação de matéria prima energética) e nas vendas (com o dólar alto haverá menos compradores), uma vez mais será preciso a intervenção do governo, no fomento ao consumo interno devido ao alto poder aquisitivo dos japoneses e nos incentivos fiscais para baratear o custo da produção industrial para as empresas.
Num primeiro momento, haverá prejuízo para o governo japonês, mas no longo prazo ele recuperará com juros o que investir agora para retirar o país da crise. Com o povo voltando a consumir e guardando menos, as empresas produzirão mais, gerará mais empregos e maior arrecadação de imposto.
O problema do Japão é parecido com o que passam os Estados Unidos o que diz respeito aos créditos, porém o que agravará a saída do Japão dessa ciranda perversa é o fato desse país ser mais poupador do que consumista.
Apesar do povo japonês adorar novidades e consumir bastantes itens de alta tecnologia, é sabido que sempre que sobra algum dinheiro os nipônicos tendem a guardá-lo para o futuro, pensando em gastar em uma viagem ou na aquisição de algo muito que caro que servirá para um tempo distante.
Não há como convencer o japonês que ele tem que consumir, gastando o que lhe sobra já, para tirar o seu país da lama. Essa dificuldade em fazer o japonês gastar é antiga. É um dilema que o governo tem desde a era do pré-Segunda Guerra Mundial.
O Japão também é muito dependente de importação, pois devido o seu território ser insular e escasso em diversos itens de primeira necessidade, principalmente no que tange a fontes de energia. Com as freqüentes altas na cotação do dólar americano, os preços de diversas commodities necessárias aos japoneses dispararam, porém, os preços do petróleo e do minério de ferro despencaram, o que é um alívio importante em sua balança comercial.
Em comum com os EUA, o Japão também é muito forte no setor terciário, o que pode ser o carro chefe da recuperação econômica, tanto interna como externamente os serviços oferecidos por este país são de suma importância na geopolítica local (Ásia) e mundial.
A indústria japonesa terá um baque fortíssimo na produção (devido à dificuldade na importação de matéria prima energética) e nas vendas (com o dólar alto haverá menos compradores), uma vez mais será preciso a intervenção do governo, no fomento ao consumo interno devido ao alto poder aquisitivo dos japoneses e nos incentivos fiscais para baratear o custo da produção industrial para as empresas.
Num primeiro momento, haverá prejuízo para o governo japonês, mas no longo prazo ele recuperará com juros o que investir agora para retirar o país da crise. Com o povo voltando a consumir e guardando menos, as empresas produzirão mais, gerará mais empregos e maior arrecadação de imposto.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
A CRISE NOSSA DE CADA DIA: COMO OS PAÍSES REAGIRÃO A CRISE DE CRÉDITOS MUNDIAL? 2
OS PAÍSES CENTRAIS DO CAPITALISMO (ESTADOS UNIDOS, JAPÃO E A ZONA DO EURO)
Os principais países na geoeconomia foram os criadores da crise atual (na verdade de todas as crises), pois foi nesses países que a ciranda do crédito podre começou há alguns anos. Quando havia dinheiro real na praça, a festa rolava solta, porém, quando colocaram dinheiro virtual, aí o sistema quebrou, pois bastou não haver dinheiro para pagar uma dívida creditada que logo todos queriam pegar de volta seus dólares e assim, através de um efeito dominó, todos os dólares reais foram requisitados e os virtuais também, porém estes...
Os países centrais são: Estados Unidos, Japão e Alemanha (principal país da zona do euro). Há alguns coadjuvantes de respeito nessa equação, a Grã-Bretanha e a França, mas sem muito poder de barganha real. Em uma análise mais pormenorizada, notaremos que as cartas são dadas pelos três primeiros. Por isso falaremos mais sobre eles.
ESTADOS UNIDOS
Podemos depositar na conta deles os prejuízos causados por essa crise. Foram eles quem começou a ciranda, também serão eles que terão as maiores perdas em termos quantitativos, uma vez que qualitativamente a sua economia pujante absorverá com relativa facilidade os golpes. Com um produto interno bruto (PIB) de cerca de treze trilhões de dólares, os EUA são responsáveis por quase um terço do PIB mundial. Portanto, se eles perdem, todos perdem com ele, inclusive e principalmente o Brasil.
A maior dificuldade que eles terão para superar a crise será em relação à desconfiança do próprio povo norte-americano, mas se for feita uma boa propaganda para o consumo, e eles fazem isso muito bem, aliando-se a isso uma farta distribuição de crédito bom (não o podre) e dinheiro indireto. Também seria de todo proveitoso azeitar a máquina econômica com redução de impostos e fomento aos pequenos e médios empresários (são eles que mais distribuem renda e empregam) e a implementação de uma política menos restritivas aos produtos agrícolas de países menos favorecidos, o que baratearia alguns produtos e incentivaria o consumo.
Também seria bom que a competitividade da sua indústria fosse fomentada, uma vez que a defasagem em relação aos europeus e asiáticos é visível. Principalmente nas indústrias automotivas, já que seu parque obsoleto vem perdendo a corrida, sem trocadilho, dos carros, em qualidade e preços, bem como na acessibilidade a certos mercados.
As demais indústrias americanas estão levando de goleada das demais, em quase todos os setores da economia, principalmente quando duelam com japoneses, coreanos e alemães. Sua base energética também é das piores em desempenho e no custo-benefício, além de ecologicamente degradante.
Seu maior trunfo se encontra nos serviços, principalmente nos quaternários, onde comandam com eficiência todos os processos da globalização, o principal deles, a internet, é basicamente uma invenção e latifúndio norte-americano. Na prática, reside aí a salvação da lavoura (da economia melhor dizendo) americana. Basta que voltem a fazer o que sempre fizeram de melhor, propaganda do seu sistema perfeito e o convite ao seu lema: consuma hoje, pois amanhã pode não ter mais!
Os principais países na geoeconomia foram os criadores da crise atual (na verdade de todas as crises), pois foi nesses países que a ciranda do crédito podre começou há alguns anos. Quando havia dinheiro real na praça, a festa rolava solta, porém, quando colocaram dinheiro virtual, aí o sistema quebrou, pois bastou não haver dinheiro para pagar uma dívida creditada que logo todos queriam pegar de volta seus dólares e assim, através de um efeito dominó, todos os dólares reais foram requisitados e os virtuais também, porém estes...
Os países centrais são: Estados Unidos, Japão e Alemanha (principal país da zona do euro). Há alguns coadjuvantes de respeito nessa equação, a Grã-Bretanha e a França, mas sem muito poder de barganha real. Em uma análise mais pormenorizada, notaremos que as cartas são dadas pelos três primeiros. Por isso falaremos mais sobre eles.
ESTADOS UNIDOS
Podemos depositar na conta deles os prejuízos causados por essa crise. Foram eles quem começou a ciranda, também serão eles que terão as maiores perdas em termos quantitativos, uma vez que qualitativamente a sua economia pujante absorverá com relativa facilidade os golpes. Com um produto interno bruto (PIB) de cerca de treze trilhões de dólares, os EUA são responsáveis por quase um terço do PIB mundial. Portanto, se eles perdem, todos perdem com ele, inclusive e principalmente o Brasil.
A maior dificuldade que eles terão para superar a crise será em relação à desconfiança do próprio povo norte-americano, mas se for feita uma boa propaganda para o consumo, e eles fazem isso muito bem, aliando-se a isso uma farta distribuição de crédito bom (não o podre) e dinheiro indireto. Também seria de todo proveitoso azeitar a máquina econômica com redução de impostos e fomento aos pequenos e médios empresários (são eles que mais distribuem renda e empregam) e a implementação de uma política menos restritivas aos produtos agrícolas de países menos favorecidos, o que baratearia alguns produtos e incentivaria o consumo.
Também seria bom que a competitividade da sua indústria fosse fomentada, uma vez que a defasagem em relação aos europeus e asiáticos é visível. Principalmente nas indústrias automotivas, já que seu parque obsoleto vem perdendo a corrida, sem trocadilho, dos carros, em qualidade e preços, bem como na acessibilidade a certos mercados.
As demais indústrias americanas estão levando de goleada das demais, em quase todos os setores da economia, principalmente quando duelam com japoneses, coreanos e alemães. Sua base energética também é das piores em desempenho e no custo-benefício, além de ecologicamente degradante.
Seu maior trunfo se encontra nos serviços, principalmente nos quaternários, onde comandam com eficiência todos os processos da globalização, o principal deles, a internet, é basicamente uma invenção e latifúndio norte-americano. Na prática, reside aí a salvação da lavoura (da economia melhor dizendo) americana. Basta que voltem a fazer o que sempre fizeram de melhor, propaganda do seu sistema perfeito e o convite ao seu lema: consuma hoje, pois amanhã pode não ter mais!
A CRISE NOSSA DE CADA DIA: COMO OS PAÍSES REAGIRÃO A CRISE DE CRÉDITOS MUNDIAL? 1
MUNDO PARTIDO
Pois bem, a crise já desembarcou em todos os países. Alguns serão mais atingidos que outros, mas sem dúvida nenhum país estará livre de seus efeitos deletérios. E o Brasil será bastante afetado, ou melhor, já está sendo muito afetado.
Deve-se ressaltar que seremos um dos que menos irão sofrer com a crise. Ao contrário, os países que estiverem nos pólos opostos da economia serão os que terão acusado mais o golpe. Por exemplo, quanto mais rico for o país, maior será a recessão em que entrarão. E, por outro lado, os países extremamente pobres como alguns periféricos também estarão em péssima situação, porém com um atenuante: eles sempre estiveram em péssima situação e já estão muito próximo do fundo do poço para sentir a queda.
Nos grandes atores do capitalismo a pancada será terrível, pois as transnacionais que são o suporte do capitalismo e da globalização da economia sofrerão para continuar com seus lucros acintosos. E sendo assim, será menor a remessa de lucros de suas subsidiárias para a matriz. Uma vez que as filiais estando em países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos faturarão menos.
A lógica é a mesma para os bancos, os pequenos e médios estarão em maus lençóis. Os graúdos sobreviverão e poderão até lucrar. Porque todos sabemos que banco não joga para perder. E quando entram em campo são sempre 121 x 11 (se o time deles não tiver dez vezes o número de jogadores eles não jogam).
Mas, o que acontecerá como nós, os seres humanos consumidores? Simples, perderemos dinheiro, qualidade de vida, empregos, alguns até a família, outros a dignidade, etc. isso sendo otimista, porque não estamos vendo ainda a luz no fim desse túnel negro.
Há saída para essa crise? Lógico que sim, basta os governos fomentar o consumo consciente e dar o exemplo liberando crédito. O crédito é contagioso, quando um banco acena com empréstimos à longo prazo, outros competidores farão o mesmo. Se o governo reduzir pela metade os impostos, e liberar durante dois anos o recolhimento do imposto de renda, poderá dobrar o consumo atual, pois isso será como salário indireto, e o povo quando tem um a mais fará o que se espera, logicamente, gastar. Multiplique isso por todos os países no mundo e a crise acabará como num passe de mágica. Quando voltar a cobrar os impostos, o governo terá de volta tudo o que perdeu para fugir da crise.
Lembrem-se, poupem e comprem com moderação... só assim sairemos da crise.
Pois bem, a crise já desembarcou em todos os países. Alguns serão mais atingidos que outros, mas sem dúvida nenhum país estará livre de seus efeitos deletérios. E o Brasil será bastante afetado, ou melhor, já está sendo muito afetado.
Deve-se ressaltar que seremos um dos que menos irão sofrer com a crise. Ao contrário, os países que estiverem nos pólos opostos da economia serão os que terão acusado mais o golpe. Por exemplo, quanto mais rico for o país, maior será a recessão em que entrarão. E, por outro lado, os países extremamente pobres como alguns periféricos também estarão em péssima situação, porém com um atenuante: eles sempre estiveram em péssima situação e já estão muito próximo do fundo do poço para sentir a queda.
Nos grandes atores do capitalismo a pancada será terrível, pois as transnacionais que são o suporte do capitalismo e da globalização da economia sofrerão para continuar com seus lucros acintosos. E sendo assim, será menor a remessa de lucros de suas subsidiárias para a matriz. Uma vez que as filiais estando em países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos faturarão menos.
A lógica é a mesma para os bancos, os pequenos e médios estarão em maus lençóis. Os graúdos sobreviverão e poderão até lucrar. Porque todos sabemos que banco não joga para perder. E quando entram em campo são sempre 121 x 11 (se o time deles não tiver dez vezes o número de jogadores eles não jogam).
Mas, o que acontecerá como nós, os seres humanos consumidores? Simples, perderemos dinheiro, qualidade de vida, empregos, alguns até a família, outros a dignidade, etc. isso sendo otimista, porque não estamos vendo ainda a luz no fim desse túnel negro.
Há saída para essa crise? Lógico que sim, basta os governos fomentar o consumo consciente e dar o exemplo liberando crédito. O crédito é contagioso, quando um banco acena com empréstimos à longo prazo, outros competidores farão o mesmo. Se o governo reduzir pela metade os impostos, e liberar durante dois anos o recolhimento do imposto de renda, poderá dobrar o consumo atual, pois isso será como salário indireto, e o povo quando tem um a mais fará o que se espera, logicamente, gastar. Multiplique isso por todos os países no mundo e a crise acabará como num passe de mágica. Quando voltar a cobrar os impostos, o governo terá de volta tudo o que perdeu para fugir da crise.
Lembrem-se, poupem e comprem com moderação... só assim sairemos da crise.
A VIDA É UM INFERNO NUMA SOCIEDADE METONÍMICA, METAFÓRICA E EUFÊMICA COMO A NOSSA SOCIEDADE CARIOCA 3
A SOCIEDADE IRÔNICA E EUFÊMICA
Não bastasse conviver com todo tipo de máscaras, ainda temos que aceitar a ironia e o eufemismo de todo lado. Mesmo que de maneira despropositada, há muita gente tentando amenizar qualquer tipo de catástrofe, exemplo disso foi o dirigente máximo da nação dizer que a crise da economia seria um tsunami no primeiro mundo, mas aqui seria somente uma marolinha.
O governador Cabralzinho e seu capataz Beltrame praticamente dizem que seus policiais sobem o morro e largam um monte de cadáveres lá porque não há como se fazer omelete sem quebrar alguns ovos. É a tal política de enfrentamento burocrática e de repartição pública. Eu explico, burocrático porque não se vê o uso de inteligência para debelar o tráfico sem precisar do confronto, e de repartição pública porque após as dezessete horas os policiais batem o cartão e vão embora. Resultado: a população do lugar conflagrado fica exposta durante o dia aos tiros dos traficantes locais contra os PMS e depois fica à mercê da própria sorte, quando os traficantes de facções rivais tentam se aproveitar da fragilidade do grupo dominante e invade a favela para tomar as rédeas e controlar o mercado de drogas local.
Outro eufemismo que costuma dar nos nervos é quando se fala nas crises na saúde e na educação. O futuro prefeito diz que vai acabar com a aprovação automática, quando na verdade ele vai apenas camuflar algumas deficiências do sistema educacional do município, que é o mesmo de todos os outros municípios do Brasil. Enquanto os professores ganharem salários infames e não forem verdadeiramente capacitados para o trabalho nesses novos tempos, de nada adiantará a farta distribuição de laptops que foi feita lavando-se uma boa grana. Tem professor que ainda não sabe ligar o dito cujo, outros que sabem até ligar, mas usá-los são outros quinhentos. Outros mais não conseguem desligar o notebook, alguns vêm com o Windows Vista, que é complicado para iniciantes. Enfim, bastava-nos só um palmtop, com ele se pode fazer tudo o se faz (em termos de educação) com um laptop, porém oitocentos reais a menos no preço e quatro quilos a menos no peso.
Na saúde convivemos com a dengue, e o disk-dengue foi desativado por causa do excesso de ligações. Não sei se isso é piada de humor negro ou se é mais um eufemismo ou ironia daqueles sem-vergonha (os responsáveis por desativar o serviço, lógico). Outra amenização catastrófica é a de que as três esferas de poderes se juntarão para debelar o mosquito da dengue, e que a epidemia será menor. Ora, se haverá epidemia, como pode ser menor, epidemia é epidemia e se bobear vira pandemia e se bobear ainda mais pandemônio. Ora, se algum dia os três governantes executivos se juntarem, as chances de sucesso será imensa, mas sem a população fazer o seu trabalho de nada adiantará o esforço. Mas a população é embalada no soninho eterno, paparicada demais... Esse populismo acaba estragando todo tipo de esforço.
Bem, paro por aqui, porque meu pessimismo shopenhauerano já está atacando a minha azia, e meu médico recomendou-me desestressar para debelar a minha síndrome do stress. Por isso, lembre-se sempre: ponha sua máscara, dê risadas das palaçadas alheias, chore com quem sofre e amenize seu sofrimento. Seja: metonímico, metafórico e irônico-eufêmico. E seja feliz!
Não bastasse conviver com todo tipo de máscaras, ainda temos que aceitar a ironia e o eufemismo de todo lado. Mesmo que de maneira despropositada, há muita gente tentando amenizar qualquer tipo de catástrofe, exemplo disso foi o dirigente máximo da nação dizer que a crise da economia seria um tsunami no primeiro mundo, mas aqui seria somente uma marolinha.
O governador Cabralzinho e seu capataz Beltrame praticamente dizem que seus policiais sobem o morro e largam um monte de cadáveres lá porque não há como se fazer omelete sem quebrar alguns ovos. É a tal política de enfrentamento burocrática e de repartição pública. Eu explico, burocrático porque não se vê o uso de inteligência para debelar o tráfico sem precisar do confronto, e de repartição pública porque após as dezessete horas os policiais batem o cartão e vão embora. Resultado: a população do lugar conflagrado fica exposta durante o dia aos tiros dos traficantes locais contra os PMS e depois fica à mercê da própria sorte, quando os traficantes de facções rivais tentam se aproveitar da fragilidade do grupo dominante e invade a favela para tomar as rédeas e controlar o mercado de drogas local.
Outro eufemismo que costuma dar nos nervos é quando se fala nas crises na saúde e na educação. O futuro prefeito diz que vai acabar com a aprovação automática, quando na verdade ele vai apenas camuflar algumas deficiências do sistema educacional do município, que é o mesmo de todos os outros municípios do Brasil. Enquanto os professores ganharem salários infames e não forem verdadeiramente capacitados para o trabalho nesses novos tempos, de nada adiantará a farta distribuição de laptops que foi feita lavando-se uma boa grana. Tem professor que ainda não sabe ligar o dito cujo, outros que sabem até ligar, mas usá-los são outros quinhentos. Outros mais não conseguem desligar o notebook, alguns vêm com o Windows Vista, que é complicado para iniciantes. Enfim, bastava-nos só um palmtop, com ele se pode fazer tudo o se faz (em termos de educação) com um laptop, porém oitocentos reais a menos no preço e quatro quilos a menos no peso.
Na saúde convivemos com a dengue, e o disk-dengue foi desativado por causa do excesso de ligações. Não sei se isso é piada de humor negro ou se é mais um eufemismo ou ironia daqueles sem-vergonha (os responsáveis por desativar o serviço, lógico). Outra amenização catastrófica é a de que as três esferas de poderes se juntarão para debelar o mosquito da dengue, e que a epidemia será menor. Ora, se haverá epidemia, como pode ser menor, epidemia é epidemia e se bobear vira pandemia e se bobear ainda mais pandemônio. Ora, se algum dia os três governantes executivos se juntarem, as chances de sucesso será imensa, mas sem a população fazer o seu trabalho de nada adiantará o esforço. Mas a população é embalada no soninho eterno, paparicada demais... Esse populismo acaba estragando todo tipo de esforço.
Bem, paro por aqui, porque meu pessimismo shopenhauerano já está atacando a minha azia, e meu médico recomendou-me desestressar para debelar a minha síndrome do stress. Por isso, lembre-se sempre: ponha sua máscara, dê risadas das palaçadas alheias, chore com quem sofre e amenize seu sofrimento. Seja: metonímico, metafórico e irônico-eufêmico. E seja feliz!
A VIDA É UM INFERNO NUMA SOCIEDADE METONÍMICA, METAFÓRICA E EUFÊMICA COMO A NOSSA SOCIEDADE CARIOCA 2
A SOCIEDADE METAFÓRICA
Em uma sociedade onde o exagero faz parte do dia-a-dia, onde o sensacional é normal, quando todos têm que ser extraordinários e fazer coisas de grande vulto, e principalmente, têm que ser famosos as metáforas transbordam.
Na verdade somos zorros, batmans, etc. qualquer um desses mascarados. Vivemos fingindo ser o que na realidade não somos, mesmo em casa para os familiares usamos a metáfora de sermos aquilo que os outros querem que sejamos. Imagine então nos outros ambientes sociais, como no clube, no trabalho, na igreja, etc. somos eternos mascarados, e o pior com uma máscara para cada ocasião.
Não é de espantar que quando as máscaras caem ficamos estarrecidos com o que vemos, como no caso do hebiatra (médico que cuida de pré-adolescentes e adolescentes) de São Paulo que era na verdade um inveterado pedófilo, ou hebiófilo... ou como nos vários banqueiros e políticos ‘insuspeitos’ que acabam atrás das grades devido a delitos inimagináveis. Aí não dizemos: Logo aquele santo homem? Esse mundo está perdido! Aquele Hércules, aquele sábio! Nossa! O que será então de nós reles mortais?
Porém, quando ocorre mais perto do nosso cotidiano, aí sim nos estarrecemos... por mais que a gente não creia, aquele vizinho que era pai exemplar e marido de conduta quase ilibada, se revela gay; o outro, largou mulher e filhos e foi viver com uma mulher que acabou de conhecer; a vizinha que na madrugada sai para trabalhar cuidando de idosos, mas na verdade é só disfarce e ela faz programas para sobreviver; e o jovem que é educado e gentil e foi pego usando drogas? Aí sim, aquelas frases de espanto acima se aplicam.
Não que o mundo esteja perdido, é que a nossa sociedade é tão hipócrita que só usando máscaras e vivendo vidas metafóricas conseguimos sobreviver a ela. Seria bom se todos pudessem se expressar sem medo de ofender, ou serem ofendidos por isso. Mas não é bem assim. A sociedade brasileira é preconceituosa, discrimina (social, sexual e racialmente) todos os grupos menores. A segregação tem sido a regra e não a exceção nesse jogo de metáforas que somos obrigados a atuar diariamente.
A título de curiosidade, atire a primeira pedra aquele que nunca discriminou ou pré-julgou ninguém! Por isso, na próxima postagem falaremos das mil e uma formas de amenizar o que na verdade queremos falar e fazer.
No próximo post, a sociedade eufêmica.
Em uma sociedade onde o exagero faz parte do dia-a-dia, onde o sensacional é normal, quando todos têm que ser extraordinários e fazer coisas de grande vulto, e principalmente, têm que ser famosos as metáforas transbordam.
Na verdade somos zorros, batmans, etc. qualquer um desses mascarados. Vivemos fingindo ser o que na realidade não somos, mesmo em casa para os familiares usamos a metáfora de sermos aquilo que os outros querem que sejamos. Imagine então nos outros ambientes sociais, como no clube, no trabalho, na igreja, etc. somos eternos mascarados, e o pior com uma máscara para cada ocasião.
Não é de espantar que quando as máscaras caem ficamos estarrecidos com o que vemos, como no caso do hebiatra (médico que cuida de pré-adolescentes e adolescentes) de São Paulo que era na verdade um inveterado pedófilo, ou hebiófilo... ou como nos vários banqueiros e políticos ‘insuspeitos’ que acabam atrás das grades devido a delitos inimagináveis. Aí não dizemos: Logo aquele santo homem? Esse mundo está perdido! Aquele Hércules, aquele sábio! Nossa! O que será então de nós reles mortais?
Porém, quando ocorre mais perto do nosso cotidiano, aí sim nos estarrecemos... por mais que a gente não creia, aquele vizinho que era pai exemplar e marido de conduta quase ilibada, se revela gay; o outro, largou mulher e filhos e foi viver com uma mulher que acabou de conhecer; a vizinha que na madrugada sai para trabalhar cuidando de idosos, mas na verdade é só disfarce e ela faz programas para sobreviver; e o jovem que é educado e gentil e foi pego usando drogas? Aí sim, aquelas frases de espanto acima se aplicam.
Não que o mundo esteja perdido, é que a nossa sociedade é tão hipócrita que só usando máscaras e vivendo vidas metafóricas conseguimos sobreviver a ela. Seria bom se todos pudessem se expressar sem medo de ofender, ou serem ofendidos por isso. Mas não é bem assim. A sociedade brasileira é preconceituosa, discrimina (social, sexual e racialmente) todos os grupos menores. A segregação tem sido a regra e não a exceção nesse jogo de metáforas que somos obrigados a atuar diariamente.
A título de curiosidade, atire a primeira pedra aquele que nunca discriminou ou pré-julgou ninguém! Por isso, na próxima postagem falaremos das mil e uma formas de amenizar o que na verdade queremos falar e fazer.
No próximo post, a sociedade eufêmica.
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