domingo, 7 de dezembro de 2008

OS PAÍSES CENTRAIS DO CAPITALISMO (ESTADOS UNIDOS, JAPÃO E A ZONA DO EURO) 2

JAPÃO

O problema do Japão é parecido com o que passam os Estados Unidos o que diz respeito aos créditos, porém o que agravará a saída do Japão dessa ciranda perversa é o fato desse país ser mais poupador do que consumista.

Apesar do povo japonês adorar novidades e consumir bastantes itens de alta tecnologia, é sabido que sempre que sobra algum dinheiro os nipônicos tendem a guardá-lo para o futuro, pensando em gastar em uma viagem ou na aquisição de algo muito que caro que servirá para um tempo distante.

Não há como convencer o japonês que ele tem que consumir, gastando o que lhe sobra já, para tirar o seu país da lama. Essa dificuldade em fazer o japonês gastar é antiga. É um dilema que o governo tem desde a era do pré-Segunda Guerra Mundial.

O Japão também é muito dependente de importação, pois devido o seu território ser insular e escasso em diversos itens de primeira necessidade, principalmente no que tange a fontes de energia. Com as freqüentes altas na cotação do dólar americano, os preços de diversas commodities necessárias aos japoneses dispararam, porém, os preços do petróleo e do minério de ferro despencaram, o que é um alívio importante em sua balança comercial.

Em comum com os EUA, o Japão também é muito forte no setor terciário, o que pode ser o carro chefe da recuperação econômica, tanto interna como externamente os serviços oferecidos por este país são de suma importância na geopolítica local (Ásia) e mundial.

A indústria japonesa terá um baque fortíssimo na produção (devido à dificuldade na importação de matéria prima energética) e nas vendas (com o dólar alto haverá menos compradores), uma vez mais será preciso a intervenção do governo, no fomento ao consumo interno devido ao alto poder aquisitivo dos japoneses e nos incentivos fiscais para baratear o custo da produção industrial para as empresas.

Num primeiro momento, haverá prejuízo para o governo japonês, mas no longo prazo ele recuperará com juros o que investir agora para retirar o país da crise. Com o povo voltando a consumir e guardando menos, as empresas produzirão mais, gerará mais empregos e maior arrecadação de imposto.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A CRISE NOSSA DE CADA DIA: COMO OS PAÍSES REAGIRÃO A CRISE DE CRÉDITOS MUNDIAL? 2

OS PAÍSES CENTRAIS DO CAPITALISMO (ESTADOS UNIDOS, JAPÃO E A ZONA DO EURO)

Os principais países na geoeconomia foram os criadores da crise atual (na verdade de todas as crises), pois foi nesses países que a ciranda do crédito podre começou há alguns anos. Quando havia dinheiro real na praça, a festa rolava solta, porém, quando colocaram dinheiro virtual, aí o sistema quebrou, pois bastou não haver dinheiro para pagar uma dívida creditada que logo todos queriam pegar de volta seus dólares e assim, através de um efeito dominó, todos os dólares reais foram requisitados e os virtuais também, porém estes...

Os países centrais são: Estados Unidos, Japão e Alemanha (principal país da zona do euro). Há alguns coadjuvantes de respeito nessa equação, a Grã-Bretanha e a França, mas sem muito poder de barganha real. Em uma análise mais pormenorizada, notaremos que as cartas são dadas pelos três primeiros. Por isso falaremos mais sobre eles.

ESTADOS UNIDOS

Podemos depositar na conta deles os prejuízos causados por essa crise. Foram eles quem começou a ciranda, também serão eles que terão as maiores perdas em termos quantitativos, uma vez que qualitativamente a sua economia pujante absorverá com relativa facilidade os golpes. Com um produto interno bruto (PIB) de cerca de treze trilhões de dólares, os EUA são responsáveis por quase um terço do PIB mundial. Portanto, se eles perdem, todos perdem com ele, inclusive e principalmente o Brasil.

A maior dificuldade que eles terão para superar a crise será em relação à desconfiança do próprio povo norte-americano, mas se for feita uma boa propaganda para o consumo, e eles fazem isso muito bem, aliando-se a isso uma farta distribuição de crédito bom (não o podre) e dinheiro indireto. Também seria de todo proveitoso azeitar a máquina econômica com redução de impostos e fomento aos pequenos e médios empresários (são eles que mais distribuem renda e empregam) e a implementação de uma política menos restritivas aos produtos agrícolas de países menos favorecidos, o que baratearia alguns produtos e incentivaria o consumo.

Também seria bom que a competitividade da sua indústria fosse fomentada, uma vez que a defasagem em relação aos europeus e asiáticos é visível. Principalmente nas indústrias automotivas, já que seu parque obsoleto vem perdendo a corrida, sem trocadilho, dos carros, em qualidade e preços, bem como na acessibilidade a certos mercados.

As demais indústrias americanas estão levando de goleada das demais, em quase todos os setores da economia, principalmente quando duelam com japoneses, coreanos e alemães. Sua base energética também é das piores em desempenho e no custo-benefício, além de ecologicamente degradante.

Seu maior trunfo se encontra nos serviços, principalmente nos quaternários, onde comandam com eficiência todos os processos da globalização, o principal deles, a internet, é basicamente uma invenção e latifúndio norte-americano. Na prática, reside aí a salvação da lavoura (da economia melhor dizendo) americana. Basta que voltem a fazer o que sempre fizeram de melhor, propaganda do seu sistema perfeito e o convite ao seu lema: consuma hoje, pois amanhã pode não ter mais!

A CRISE NOSSA DE CADA DIA: COMO OS PAÍSES REAGIRÃO A CRISE DE CRÉDITOS MUNDIAL? 1

MUNDO PARTIDO

Pois bem, a crise já desembarcou em todos os países. Alguns serão mais atingidos que outros, mas sem dúvida nenhum país estará livre de seus efeitos deletérios. E o Brasil será bastante afetado, ou melhor, já está sendo muito afetado.

Deve-se ressaltar que seremos um dos que menos irão sofrer com a crise. Ao contrário, os países que estiverem nos pólos opostos da economia serão os que terão acusado mais o golpe. Por exemplo, quanto mais rico for o país, maior será a recessão em que entrarão. E, por outro lado, os países extremamente pobres como alguns periféricos também estarão em péssima situação, porém com um atenuante: eles sempre estiveram em péssima situação e já estão muito próximo do fundo do poço para sentir a queda.

Nos grandes atores do capitalismo a pancada será terrível, pois as transnacionais que são o suporte do capitalismo e da globalização da economia sofrerão para continuar com seus lucros acintosos. E sendo assim, será menor a remessa de lucros de suas subsidiárias para a matriz. Uma vez que as filiais estando em países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos faturarão menos.

A lógica é a mesma para os bancos, os pequenos e médios estarão em maus lençóis. Os graúdos sobreviverão e poderão até lucrar. Porque todos sabemos que banco não joga para perder. E quando entram em campo são sempre 121 x 11 (se o time deles não tiver dez vezes o número de jogadores eles não jogam).

Mas, o que acontecerá como nós, os seres humanos consumidores? Simples, perderemos dinheiro, qualidade de vida, empregos, alguns até a família, outros a dignidade, etc. isso sendo otimista, porque não estamos vendo ainda a luz no fim desse túnel negro.

Há saída para essa crise? Lógico que sim, basta os governos fomentar o consumo consciente e dar o exemplo liberando crédito. O crédito é contagioso, quando um banco acena com empréstimos à longo prazo, outros competidores farão o mesmo. Se o governo reduzir pela metade os impostos, e liberar durante dois anos o recolhimento do imposto de renda, poderá dobrar o consumo atual, pois isso será como salário indireto, e o povo quando tem um a mais fará o que se espera, logicamente, gastar. Multiplique isso por todos os países no mundo e a crise acabará como num passe de mágica. Quando voltar a cobrar os impostos, o governo terá de volta tudo o que perdeu para fugir da crise.

Lembrem-se, poupem e comprem com moderação... só assim sairemos da crise.

A VIDA É UM INFERNO NUMA SOCIEDADE METONÍMICA, METAFÓRICA E EUFÊMICA COMO A NOSSA SOCIEDADE CARIOCA 3

A SOCIEDADE IRÔNICA E EUFÊMICA

Não bastasse conviver com todo tipo de máscaras, ainda temos que aceitar a ironia e o eufemismo de todo lado. Mesmo que de maneira despropositada, há muita gente tentando amenizar qualquer tipo de catástrofe, exemplo disso foi o dirigente máximo da nação dizer que a crise da economia seria um tsunami no primeiro mundo, mas aqui seria somente uma marolinha.

O governador Cabralzinho e seu capataz Beltrame praticamente dizem que seus policiais sobem o morro e largam um monte de cadáveres lá porque não há como se fazer omelete sem quebrar alguns ovos. É a tal política de enfrentamento burocrática e de repartição pública. Eu explico, burocrático porque não se vê o uso de inteligência para debelar o tráfico sem precisar do confronto, e de repartição pública porque após as dezessete horas os policiais batem o cartão e vão embora. Resultado: a população do lugar conflagrado fica exposta durante o dia aos tiros dos traficantes locais contra os PMS e depois fica à mercê da própria sorte, quando os traficantes de facções rivais tentam se aproveitar da fragilidade do grupo dominante e invade a favela para tomar as rédeas e controlar o mercado de drogas local.

Outro eufemismo que costuma dar nos nervos é quando se fala nas crises na saúde e na educação. O futuro prefeito diz que vai acabar com a aprovação automática, quando na verdade ele vai apenas camuflar algumas deficiências do sistema educacional do município, que é o mesmo de todos os outros municípios do Brasil. Enquanto os professores ganharem salários infames e não forem verdadeiramente capacitados para o trabalho nesses novos tempos, de nada adiantará a farta distribuição de laptops que foi feita lavando-se uma boa grana. Tem professor que ainda não sabe ligar o dito cujo, outros que sabem até ligar, mas usá-los são outros quinhentos. Outros mais não conseguem desligar o notebook, alguns vêm com o Windows Vista, que é complicado para iniciantes. Enfim, bastava-nos só um palmtop, com ele se pode fazer tudo o se faz (em termos de educação) com um laptop, porém oitocentos reais a menos no preço e quatro quilos a menos no peso.

Na saúde convivemos com a dengue, e o disk-dengue foi desativado por causa do excesso de ligações. Não sei se isso é piada de humor negro ou se é mais um eufemismo ou ironia daqueles sem-vergonha (os responsáveis por desativar o serviço, lógico). Outra amenização catastrófica é a de que as três esferas de poderes se juntarão para debelar o mosquito da dengue, e que a epidemia será menor. Ora, se haverá epidemia, como pode ser menor, epidemia é epidemia e se bobear vira pandemia e se bobear ainda mais pandemônio. Ora, se algum dia os três governantes executivos se juntarem, as chances de sucesso será imensa, mas sem a população fazer o seu trabalho de nada adiantará o esforço. Mas a população é embalada no soninho eterno, paparicada demais... Esse populismo acaba estragando todo tipo de esforço.

Bem, paro por aqui, porque meu pessimismo shopenhauerano já está atacando a minha azia, e meu médico recomendou-me desestressar para debelar a minha síndrome do stress. Por isso, lembre-se sempre: ponha sua máscara, dê risadas das palaçadas alheias, chore com quem sofre e amenize seu sofrimento. Seja: metonímico, metafórico e irônico-eufêmico. E seja feliz!

A VIDA É UM INFERNO NUMA SOCIEDADE METONÍMICA, METAFÓRICA E EUFÊMICA COMO A NOSSA SOCIEDADE CARIOCA 2

A SOCIEDADE METAFÓRICA

Em uma sociedade onde o exagero faz parte do dia-a-dia, onde o sensacional é normal, quando todos têm que ser extraordinários e fazer coisas de grande vulto, e principalmente, têm que ser famosos as metáforas transbordam.

Na verdade somos zorros, batmans, etc. qualquer um desses mascarados. Vivemos fingindo ser o que na realidade não somos, mesmo em casa para os familiares usamos a metáfora de sermos aquilo que os outros querem que sejamos. Imagine então nos outros ambientes sociais, como no clube, no trabalho, na igreja, etc. somos eternos mascarados, e o pior com uma máscara para cada ocasião.

Não é de espantar que quando as máscaras caem ficamos estarrecidos com o que vemos, como no caso do hebiatra (médico que cuida de pré-adolescentes e adolescentes) de São Paulo que era na verdade um inveterado pedófilo, ou hebiófilo... ou como nos vários banqueiros e políticos ‘insuspeitos’ que acabam atrás das grades devido a delitos inimagináveis. Aí não dizemos: Logo aquele santo homem? Esse mundo está perdido! Aquele Hércules, aquele sábio! Nossa! O que será então de nós reles mortais?

Porém, quando ocorre mais perto do nosso cotidiano, aí sim nos estarrecemos... por mais que a gente não creia, aquele vizinho que era pai exemplar e marido de conduta quase ilibada, se revela gay; o outro, largou mulher e filhos e foi viver com uma mulher que acabou de conhecer; a vizinha que na madrugada sai para trabalhar cuidando de idosos, mas na verdade é só disfarce e ela faz programas para sobreviver; e o jovem que é educado e gentil e foi pego usando drogas? Aí sim, aquelas frases de espanto acima se aplicam.

Não que o mundo esteja perdido, é que a nossa sociedade é tão hipócrita que só usando máscaras e vivendo vidas metafóricas conseguimos sobreviver a ela. Seria bom se todos pudessem se expressar sem medo de ofender, ou serem ofendidos por isso. Mas não é bem assim. A sociedade brasileira é preconceituosa, discrimina (social, sexual e racialmente) todos os grupos menores. A segregação tem sido a regra e não a exceção nesse jogo de metáforas que somos obrigados a atuar diariamente.

A título de curiosidade, atire a primeira pedra aquele que nunca discriminou ou pré-julgou ninguém! Por isso, na próxima postagem falaremos das mil e uma formas de amenizar o que na verdade queremos falar e fazer.

No próximo post, a sociedade eufêmica.

domingo, 30 de novembro de 2008

A VIDA É UM INFERNO NUMA SOCIEDADE METONÍMICA, METAFÓRICA E EUFÊMICA COMO A NOSSA SOCIEDADE CARIOCA 1

A SOCIEDADE METONÍMICA

Vivemos um dilema no mundo atual, porque a vida perdeu o seu sentido mais sagrado e passou a ser apenas um simples hiato entre nascer e morrer. Por que digo isso? Ora, basta ver nos noticiários a quantidade de vidas perdidas ou desperdiçadas para se ter uma idéia de que vive hoje é algo automático, sem sentido.

Sinceramente, quem é que se preocupa com o outro ser vivo (humano ou animal) que passa fome, frio ou medo? Quem pára para socorrer alguém sem medo de ser uma armadilha? Quem em sã consciência acolhe alguém em sua casa sem temer algo pior? Quem tem empatia e sofre junto com quem sofre?

Isso ocorre porque vivemos em uma sociedade metonímica, metafórica e eufêmica. Explico: quando algo anda ruim em algum setor da sociedade, temos a noção, errada, de que é um fato comum. Por exemplo, a polícia, a saúde e a educação são corruptas, violentas e ineficientes? Na verdade é isso ou há poucos bons policiais, médicos e professores e por isso achamos que todos estão perdidos e usamos o todo pela parte, quando na verdade deveríamos investir nesses poucos e usá-los a partir de já como escola e padrão?

Nessa sociedade metonímica, o que é bom se perde diluído no mar de má vontade e de má gestão. Exemplos? Certa vez, quando trabalhava na ferrovia, a falta de trens em determinado ramal da Supervia ocasionou uma revolta generalizada. E onde me encontrava os passageiros começaram um quebra-quebra, quando se aproximavam para linchar a mim, que era o cabineiro de plantão, os bilheteiros e o agente da estação, fomos salvos por um policial militar de nome Valdenir que se postou em frente da cabina e deu apenas um tiro para o alto, o que fez a população recuar, e com isso controlou, sozinho, a situação até a chegada do reforço policial. Mas quando falamos de policia dizemos que é corrupta e ineficaz. Sem falar dos bombeiros, que salvam milhares de vidas por aí, mas hoje são lembrados mais por que formam milícias do que pelos bons serviços prestados.

Na educação acontece algo similar. Uma professorinha lá em Sobral, Ceará, alfabetiza de maneira exemplar crianças com carência alimentar contradizendo o que diz a ciência que criança desnutrida não aprende. Outras mais no país andam fazendo milagre com um salário de fome. Na verdade desnutridos estão os professores, devido a má formação acadêmica. Porém, quando falamos de educação achamos que a culpa do que está aí é do professor. Sou professor de Geografia e convivo com a triste realidade de os alunos chegarem ao segundo grau (Ensino Médio), praticamente analfabetos na minha disciplina. Não me espanto porque tem muito professor por aí com as mesmas carências. Mas o que vejo na maioria das escolas que passei são pessoas abdicadas e que procuram improvisações para debelar os problemas cotidianos.

Na saúde, não é muito diferente. Nas diversas de unidades hospitalares que existem no território nacional, há exemplos, pontuais, de profissionais de saúde que fazem o possível e o impossível para conseguir desempenhar seu dever da melhor maneira. Quando há condições mínimas de trabalho eles conseguem dar conta, porém, geralmente falta o mínimo necessário, e em saúde, ao contrário de educação, não acontecem milagres, se alguém precisa de um determinado remédio e esse não aparece, a pessoa morre. Mas quando falamos de saúde, dizemos que é um caos porque ninguém quer nada (não é mesmo governador Cabralzinho?), pegamos o todo pela parte ou vice-versa quase sempre.

No próximo post, a sociedade metafórica.

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