O que um governo sério faria em uma cidade como a do Rio de Janeiro em épocas em que sabemos de cor e salteado que as chuvas faziam, fazem e farão vítimas? A princípio, se faria o que já vem sendo feito há alguns anos, o mapeamento das principais áreas de risco em potencial e as mais massivamente habitadas e com esse estudo se planejaria a construção de moradias dignas e a remoção dessas populações para áreas secas e seguras.
De modo algum sou contra o dispendioso gasto feito pelo governo na construção da moderna central de monitoramento remoto e na aquisição dos supercomputadores Tupãs pelo INPE. Toda ferramenta nessa hora será útil. Precisamos muito de estar atentos aos menores sinais das catástrofes. Mas, além de poder assisti-las de camarote num espetacular telão, para quê mais servirá tudo isso?
O governo Lula deu passos largos em direção a tornar a vida das populações menos favorecidas dignas e seguras nos sentidos elementares da questão. Foram as obras do PAC uma das mais bem sucedidas atitudes, pois a meu ver deram boas casas para as famílias necessitadas e não as tiraram de seu meio, onde estão seus laços de convivência e seu possíveis empregos.
Um governo que fosse ainda um pouco mais além, faria isto acima exposto mais uma vez e daria o salto quântico, demolindo as favelas encravadas e em seu lugar replantaria as espécies nativas. Além disso, também seria construído ali um observatório simples para monitoramento, o que daria a exata noção do quanto se desmata e do quanto se refloresta naquele local determinado.
Sugiro ao prefeito e ao governador que não deixe pra tomar depois das tragédias essas medidas tão importantes. É impossível que não haja verbas para isso num país que receberá uma Copa do Mundo e numa cidade que recebeu um Pré-Olímpico e receberá uma Olimpíadas. O preço das vidas que se pode salvar é muito importante politicamente, digo politicamente pois é só desse modo que enxergam a população.
Só para efeito de comparação vamos pegar fatos recentes e que ainda estão em nossas memórias de modo que fica nítido o contraste entre maneiras de agir aos desafios da natureza, as enchentes na cidade do Rio de Janeiro foram há um ano atrás e ainda há resquícios da tragédia, enquanto isso na área afetada pelas enxurradas na Região Serrana há cerca de três meses, ainda há o caos total. Ou seja, nada se fez de prático por aqui.
Já do outro lado do planeta, o povo japonês em uma semana já começava a reagir e o seu governo a agir desobstruindo estradas e resgatando humanos vivos ou mortos após um terremoto de pouco mais de nove pontos na escala Richter no Japão, arrasou totalmente as áreas circunvizinhas ao epicentro, com requinte de crueldade da natureza, pois além desse ainda sobreveio sobre aquela região um maremoto que diminuiu ainda mais as chances de sobrevivência da população local.
Não espero que nosso povo se torne cópia do japonês, seria muita pretensão nossa, pois o segundo lida com desafios impensáveis para nós. Mas, bem que nossos governantes poderiam aprender como agir com os deles.
Tudo sobre tudo e algo mais: Indicando a direção dos ventos do mundo! Um pouco de cada assunto de interesse. Cidade e Urbanização, Ecologia e Meio Ambiente, População e Demografia, Geoeconomia e Geopolítica, Etc.
quarta-feira, 30 de março de 2011
terça-feira, 29 de março de 2011
O verão já se foi, mas as chuvas de março e abril estão chegando
E lá vem água!
Chegamos ao mês de abril, e em anos de La Niña as chuvas de março, ainda inexplicavelmente, são empurradas para abril, podendo nem vir a acontecer. Mas empurrar mesmo quem faz são os nossos governantes. Empurram até onde der, e às vezes além do que podem como no caso da prevenção às enchentes que são a tônica dos verões cariocas e que se agravam justamente na despedida dessa estação.
Nem a tragédia do ano passado, aquela que me referi como com data marcada, pois de 22 em 22 anos elas se repetem: 1966, 1988, 2010... Mas, com toda probabilidade de só voltar a ter uma hecatombe dessa monta em 2032, é de bom tom que não se dê panos pra manga e se tome as devidas providências.
Mas, muitos irão dizer que a Prefeitura do Rio de Janeiro acabou de construir uma central de monitoramento de Primeiro Mundo. E respondo: central de monitoramento serve apenas para ver em tempo real a tragédia acontecer (ao vivo e em cores)... Mas, o que foi feito para evitar? Também respondo: pouco, muito pouco.
De que adianta satélites, computadores, linkar várias câmaras da CET-Rio, com outras tantas da Defesa Civil, além de várias tantas espalhadas pela cidade para observar os lugares potencialmente arriscados de desabar na primeira chuvinha, se o principal que era acabar com os lugares desumanos aos quais são empurrados vários seres humanos considerados de ‘segunda classe’ pelos nossos governantes que só se lembram de tais ‘cidadãos’ na hora de pedir votos? Se não fizerem o dever-de-casa, que é retirar os moradores de área de risco de desabamento ou enchente e realocá-los em lugar decente, para que não retornem, todo o aparato tecnológico será comprado 'caro' e em vão.
Já que falamos de empurrões, cadê o monitoramento dos desmatamentos principalmente nos maciços mais próximos da urbe? Isso já ajudaria, sobremaneira, no combate a ocupação irregular e especulação imobiliária. Mas, nossos líderes, em sua sapiência, não fizeram o dever de casa e tomara que Deus ou a Natureza, deus de Espinoza, tenha dó de nós meros mortais e não nos mande muita água, o que pode ocorrer, pois em situação de La Niña as chuvas no Sudeste são um pouco menos frequentes, o que leva ao descuido geral com a segurança.
Como a La Niña costuma ser mais imprevisível do que o El Niño, talvez nem chova em abril, e tenhamos veranicos secos durante a fase menos chuvosa do nosso clima de ‘monções’ que costumamos chamar de inverno que vai de maio até o início de agosto. Porém, se La Niña vier 'molhada' trazendo pancadas de chuvas rápidas, mas intensas e com isso der a lógica nesse embate, sabemos que o lado que sempre perderá será o nosso.
E só pra reafirmar: De novo conviveremos com as tragédias anunciadas.
Chegamos ao mês de abril, e em anos de La Niña as chuvas de março, ainda inexplicavelmente, são empurradas para abril, podendo nem vir a acontecer. Mas empurrar mesmo quem faz são os nossos governantes. Empurram até onde der, e às vezes além do que podem como no caso da prevenção às enchentes que são a tônica dos verões cariocas e que se agravam justamente na despedida dessa estação.
Nem a tragédia do ano passado, aquela que me referi como com data marcada, pois de 22 em 22 anos elas se repetem: 1966, 1988, 2010... Mas, com toda probabilidade de só voltar a ter uma hecatombe dessa monta em 2032, é de bom tom que não se dê panos pra manga e se tome as devidas providências.
Mas, muitos irão dizer que a Prefeitura do Rio de Janeiro acabou de construir uma central de monitoramento de Primeiro Mundo. E respondo: central de monitoramento serve apenas para ver em tempo real a tragédia acontecer (ao vivo e em cores)... Mas, o que foi feito para evitar? Também respondo: pouco, muito pouco.
De que adianta satélites, computadores, linkar várias câmaras da CET-Rio, com outras tantas da Defesa Civil, além de várias tantas espalhadas pela cidade para observar os lugares potencialmente arriscados de desabar na primeira chuvinha, se o principal que era acabar com os lugares desumanos aos quais são empurrados vários seres humanos considerados de ‘segunda classe’ pelos nossos governantes que só se lembram de tais ‘cidadãos’ na hora de pedir votos? Se não fizerem o dever-de-casa, que é retirar os moradores de área de risco de desabamento ou enchente e realocá-los em lugar decente, para que não retornem, todo o aparato tecnológico será comprado 'caro' e em vão.
Já que falamos de empurrões, cadê o monitoramento dos desmatamentos principalmente nos maciços mais próximos da urbe? Isso já ajudaria, sobremaneira, no combate a ocupação irregular e especulação imobiliária. Mas, nossos líderes, em sua sapiência, não fizeram o dever de casa e tomara que Deus ou a Natureza, deus de Espinoza, tenha dó de nós meros mortais e não nos mande muita água, o que pode ocorrer, pois em situação de La Niña as chuvas no Sudeste são um pouco menos frequentes, o que leva ao descuido geral com a segurança.
Como a La Niña costuma ser mais imprevisível do que o El Niño, talvez nem chova em abril, e tenhamos veranicos secos durante a fase menos chuvosa do nosso clima de ‘monções’ que costumamos chamar de inverno que vai de maio até o início de agosto. Porém, se La Niña vier 'molhada' trazendo pancadas de chuvas rápidas, mas intensas e com isso der a lógica nesse embate, sabemos que o lado que sempre perderá será o nosso.
E só pra reafirmar: De novo conviveremos com as tragédias anunciadas.
O verão já se foi, mas as chuvas de março e abril estão chegando
É, como sempre ocorre no nosso querido Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, num país abençoado por Deus e bonito por natureza, março e abril são meses em que as chuvas batem forte na nossa porta. E pior de tudo, estaremos dessa vez preparados paracombater seus efeitos nefastos?
Como ocorre com a dengue, sempre soubemos que o verão é a época mais propícia a proliferação de mosquitos, e entre eles o aedes aegypt, o que causa a dengue e outros males. Mesmo assim, aposto minhas fichas, o governo não tomou as devidas precauções... É sempre assim, esperam acontecer pra depois tomarem as providências.
Hoje em dia temos as clínicas de saúde familiar, antes que eu ria, vamos aos fatos... Essas clínicas poderiam antecipar o que todos nós sabemos: “A dengue vem aí...” Em Cuba, pais muito inferior ao nosso, a dengue não faz tanto estrago quanto aqui.
O que até agora fizeram as autoridades na área de saúde principalmente? Desde o início do século passado que noticiamos casos de dengue, no entanto, quando ela vem, invariavelmente nos pega de ‘surpresa’. Como explicar que um país que cresce e enriquece como o nosso é incapaz de combater de verdade e permanentemente uma doença simples de se tratar? É simples: tratam a dengue como caso de saúde, quando na verdade, é, principalmente um caso de educação massiva.
Creio que teremos muitos casos de dengue, e o tipo 4 já está entre nós, o que leva a crer também que o Governo não se preparou para conter uma epidemia estadual. Digo estadual porque não tenho dados nem base para dizer nacional, excetuando-se o Sul do país que pela menos pior educação e clima menos quente pode ser aliviado.
De novo conviveremos com as tragédias anunciadas.
Como ocorre com a dengue, sempre soubemos que o verão é a época mais propícia a proliferação de mosquitos, e entre eles o aedes aegypt, o que causa a dengue e outros males. Mesmo assim, aposto minhas fichas, o governo não tomou as devidas precauções... É sempre assim, esperam acontecer pra depois tomarem as providências.
Hoje em dia temos as clínicas de saúde familiar, antes que eu ria, vamos aos fatos... Essas clínicas poderiam antecipar o que todos nós sabemos: “A dengue vem aí...” Em Cuba, pais muito inferior ao nosso, a dengue não faz tanto estrago quanto aqui.
O que até agora fizeram as autoridades na área de saúde principalmente? Desde o início do século passado que noticiamos casos de dengue, no entanto, quando ela vem, invariavelmente nos pega de ‘surpresa’. Como explicar que um país que cresce e enriquece como o nosso é incapaz de combater de verdade e permanentemente uma doença simples de se tratar? É simples: tratam a dengue como caso de saúde, quando na verdade, é, principalmente um caso de educação massiva.
Creio que teremos muitos casos de dengue, e o tipo 4 já está entre nós, o que leva a crer também que o Governo não se preparou para conter uma epidemia estadual. Digo estadual porque não tenho dados nem base para dizer nacional, excetuando-se o Sul do país que pela menos pior educação e clima menos quente pode ser aliviado.
De novo conviveremos com as tragédias anunciadas.
segunda-feira, 7 de março de 2011
A GEOPOLÍTICA DA REGIÃO DE BANGU - GEOGRAFIA FÍSICA
ASPECTOS DA GEOGRAFIA FÍSICA DE BANGU
Formação geológica e hipsometria
O bairro está situado entre dois majestosos maciços, que dominam de forma exuberante a paisagem local, ao sul o da Pedra Branca, e ao norte o de Gericinó.
Na sua geologia, o solo no qual está calcada a região é composta por gnaisse bandado com quartzo, microclina, plagioclásio e biotita (locais tipo Pico do Archer) nas partes de média / baixa elevação do local e granito cinza, tipo porfirítico (tipo “favela”), com diques de allanita granito e granito rosa (locais tipo Grajaú e Pedra Branca) nas de média / alta, na subida dos morros tanto do Gericinó quanto da Pedra Branca; na parte alta dos morros, há sienito, granito pegmatóide ( tipo Serra da Misericórdia) e tinguaitos (comum em locais como a Serra da Mantiqueira) principalmente no maciço de Gericinó; já nos lugares de maior ocupação antrópicas, temos bastante aluvião, intrusões alcalinas, dunas compactadas artificialmente e lagunas e mangues aterrados; também nos morros encontramos: granodieritos, quartzodioritos e tonalitos.
Quanto a Hipsometria, não se pode considerar nossos maciços como de grandes altitudes, segundo o relevo local, poderíamos subdividi-lo em poucas escalas decrescente: a maior altitude ficaria no topo dos maciços do Gericinó e da Pedra Branca, com aproximadamente entre 900 e 1025 metros do nível do mar; serras como a de Madureira, do Quitungo, do Retiro e do Lameirão, que circundam o bairro estariam entre 300 e 700 metros; e o vale conhecido como Baixada de Bangu, estaria entre 100 e 0 metros (o nível do mar).
Em relação ao ranking orográfico, dos maiores em cotas de altitude, poderíamos dividir os dois blocos de maciços da ficando da seguinte forma.
• Maciço da Pedra Branca, que possui o ponto mais alto do relevo carioca o Pico da Pedra Branca, com a seguinte hipsometria decrescentemente:
- Pico da Pedra Branca – com 1025 metros;
- Morro da Bandeira – com 964;
- Pedra do Ponto – com 938 metros;
- Morro Santa Bárbara – com 857 metros;
- Pedra do Quilombo – com 735 metros;
- Pico do Sacarrão – com 714 metros;
- Morro dos Caboclos – com 696 metros;
- Toca Grande – com 577 metros;
- Morro do Cabuçu – com 572 metros;
- Morro do Lameirão – com altitude máxima de 484 metros.
• Já no Maciço do Gericinó, as altitudes são menos elevadas não passando em nenhum ponto dos mil metros acima do nível do mar, em ordem decrescente:
- Pico do Guandu – com 964 metros;
- Pico das Andorinhas – com 906;
- Morro do Gericinó – com 889 metros;
- Morro do Guandu – com 744 metros;
- Pico do Marapicu – com 632 metros de altitude.
Vale ressaltar, que muitos destes morros excedem a região, se espalhando até mesmo em direção dos municípios ao norte e outras regiões como a de Jacarepaguá ao sul.
Também devemos ter em mente que a pouca altitude dos nossos morros se deve ao fato de ser de relevo já desgastados pelo intemperismo por ser bastante antigo, como a maior parte do relevo brasileiro, que raramente ultrapassa os 3500 metros de altitude.
Hidrografia
Os rios que cortam a área da região de Bangu fazem parte da Bacia de Sepetiba e da Guanabara, isto porque a direção que o curso toma é que define este pertencimento. São na maioria ‘braços’ do Rio Guandu, são: o rio Piraquara, o rio Sarapui, o rio Guandu do Sena, o rio Viegas, o rio dos cachorros, entre outros de pequeno curso, quase desprezíveis como o rio das Tintas. A maioria está agonizando com a poluição, devido a atividade humana no local e a falta de consciência dos moradores que jogam todo tipo de dejeto neles.
Na Serra do Barata, em Realengo, temos uma bela cachoeira, que também sofre com a ignorância do povo que usa suas nascentes e quedas de água para fazer macumba e largam ali os restos na maioria das vezes produtos de difícil decomposição pela natureza, também há os visitantes não tão afro-religiosos que sujam por demais aquele pequeno pedaço de paraíso.
O clima
O clima da região de Bangu, anotado em Estação Meteorológica no bairro, é o mesmo que abrange todo o município do Rio de Janeiro, o tropical úmido. Desnecessário dizer que Bangu é o bairro mais quente do Rio de Janeiro, sempre que vemos na televisão a previsão do tempo, as temperaturas máximas são sempre no nosso bairro.
Isso se explica pelo fato da razoável distância do mar em que nos encontramos, da vizinhança dos maciços e da ocupação humana e atividades urbanas, com lançamentos de dióxido de carbono e outros gases de estufa que não são dissipados de forma tão rápida.
A temperatura média do bairro ultrapassa 25 graus, e no auge do verão é comum os termômetros de rua marcarem 45 graus, o que dá, literalmente para fritar um ovo na tampa de ferro um bueiro. Segundo o Atlas Escolar da Cidade do Rio de Janeiro, de 2000, no período de 1979 e 1980, notamos que a vertente sul do maciço da Pedra Branca registrou temperatura abaixo de 22 graus, e toda a porção ao norte da região de Bangu obteve média de temperatura entre 22 e 23 graus e a parte mais densamente povoada dos bairros de Padre Miguel, Realengo, Senador Camará e Bangu, ficaram entre 23 e 25 graus.
Quanto aos índices pluviométricos, costuma chover entre 1400 e 1600 mililitros anualmente no alto das serras do Gericinó, nas partes mais altas do maciço da Pedra Branca e nas médias altitudes do Gericinó a precipitação fica entre 1200 e 1400 mililitros e na parte antrópica a ocorrência das chuvas é bem mais branda, estando, quase sempre, entre 1000 e 1200 mililitros anuais, conforme fora anotado nos anos 97/98, pelo Atlas Escolar da Cidade do Rio de Janeiro, de 2000.
Vegetação original
Originalmente a região era coberta pela Floresta Tropical de Mata Atlântica, ainda há resquícios de vegetação típica deste ecossistema espalhados pela paisagem. Trata-se de uma floresta bastante úmida não tanto quanto uma Floresta Tropical Equatorial, mas em algumas áreas de extrema pluviosidade principalmente as beirando o mar, como onde o mar encontra o anteparo rochoso da Serra do Mar em alguns municípios do Rio de Janeiro e São Paulo, a quantidade de chuvas torrenciais faz lembrar uma floresta como a do Congo e a da Amazônia, sendo bastante aproveitado economicamente para o plantio de banana que se adapta tão bem a essas condições e traz deveras benefícios aos municípios (como Bananal entre outros) que usam bem essa característica das chuvas orográficas como incremento agrícola.
Vegetação atual
Apesar de manchas de vegetação de Mata Atlântica, hoje bastante espoliada, o que temos na localidade é uma paisagem bastante afetada pela atuação antrópica, são campos artificiais e matas longínquas tomadas por capim colonião, arbustos e ervas.
Somente nos morros se pode observar algum ecossistema florestado, sendo que o de Gericinó, devido a proteção proporcionada pela atuação do Exército – que durante muito tempo evitou a entrada de curiosos e a expansão de favelas no local, nas décadas precedentes ao fim do século passado – o que foi de fundamental importância na manutenção deste parque, mas, ultimamente, já começamos a notar um processo de ocupação bastante desordenado, e uma invasão de ambas as vertentes do maciço.
Ao descer as serras da região passa-se de uma vegetação minimamente preservada para os campos antrópicos e algumas manchas de culturas agrícolas em regiões um pouco afastada do perímetro urbano, já na parte mais urbanizada o que encontramos é uma total devastação de todo o tipo de mata que por ventura houvesse ali. É de se lamentar que mesmo as árvores mais antigas do bairro, e muitas plantadas há menos de cinqüenta anos estão sendo ou dilapidadas ou arrancadas com raiz e tudo pela Fundação Parques e Jardins, como foi feito ao longo da Ciclovia entre os sub-bairros de Padre Miguel e Guilherme da Silveira, o que em tempo de verão infernal, comum na região, faz a sensação térmica exacerbar.
A flora e a fauna extintas ou em extinção
Quando apenas os índios passeavam por estas bandas, deveria ser bastante abundante algumas espécies vegetais e animais, hoje não tão comuns, ou então, praticamente extintas.
Nos nossos maciços, que abrigavam florestas tropicais úmidas, havia diversas árvores que há muitos não mais se vê, como por exemplo: a Canela-sassafrás (ocotea pretiosa), o Jacarandá (Dalbergia nigra), estas no maciço do Gericinó, e a Samambaiaçu (Dicksonia sellowiana) no da Pedra Branca e outras espécies de menor porte e flores como a erva Orquídea (Cattleya forbesii) no maciço da Pedra Branca, e no do Gericinó, tínhamos a erva Bananeira-do-mato (Heliconia sampaioana).
A vida animal, era também muito abundante e exuberante no local, mas hoje já quase que extinta em sua totalidade. Era comum encontrar-se, por exemplo, o felino sussuarana (Felis concolor) e a ave arapongas (Procnias nudicollis) na floresta do Gericinó e anta (Tapirus terrestris), o felídeo gato-maracajá (Leopardus wiedii) e a preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus) na da Pedra Branca. Ainda resistem bravamente espécies de cães e gatos-do-mato, diversas aves e gambás no que restou destes ecossistemas.
Formação geológica e hipsometria
O bairro está situado entre dois majestosos maciços, que dominam de forma exuberante a paisagem local, ao sul o da Pedra Branca, e ao norte o de Gericinó.
Na sua geologia, o solo no qual está calcada a região é composta por gnaisse bandado com quartzo, microclina, plagioclásio e biotita (locais tipo Pico do Archer) nas partes de média / baixa elevação do local e granito cinza, tipo porfirítico (tipo “favela”), com diques de allanita granito e granito rosa (locais tipo Grajaú e Pedra Branca) nas de média / alta, na subida dos morros tanto do Gericinó quanto da Pedra Branca; na parte alta dos morros, há sienito, granito pegmatóide ( tipo Serra da Misericórdia) e tinguaitos (comum em locais como a Serra da Mantiqueira) principalmente no maciço de Gericinó; já nos lugares de maior ocupação antrópicas, temos bastante aluvião, intrusões alcalinas, dunas compactadas artificialmente e lagunas e mangues aterrados; também nos morros encontramos: granodieritos, quartzodioritos e tonalitos.
Quanto a Hipsometria, não se pode considerar nossos maciços como de grandes altitudes, segundo o relevo local, poderíamos subdividi-lo em poucas escalas decrescente: a maior altitude ficaria no topo dos maciços do Gericinó e da Pedra Branca, com aproximadamente entre 900 e 1025 metros do nível do mar; serras como a de Madureira, do Quitungo, do Retiro e do Lameirão, que circundam o bairro estariam entre 300 e 700 metros; e o vale conhecido como Baixada de Bangu, estaria entre 100 e 0 metros (o nível do mar).
Em relação ao ranking orográfico, dos maiores em cotas de altitude, poderíamos dividir os dois blocos de maciços da ficando da seguinte forma.
• Maciço da Pedra Branca, que possui o ponto mais alto do relevo carioca o Pico da Pedra Branca, com a seguinte hipsometria decrescentemente:
- Pico da Pedra Branca – com 1025 metros;
- Morro da Bandeira – com 964;
- Pedra do Ponto – com 938 metros;
- Morro Santa Bárbara – com 857 metros;
- Pedra do Quilombo – com 735 metros;
- Pico do Sacarrão – com 714 metros;
- Morro dos Caboclos – com 696 metros;
- Toca Grande – com 577 metros;
- Morro do Cabuçu – com 572 metros;
- Morro do Lameirão – com altitude máxima de 484 metros.
• Já no Maciço do Gericinó, as altitudes são menos elevadas não passando em nenhum ponto dos mil metros acima do nível do mar, em ordem decrescente:
- Pico do Guandu – com 964 metros;
- Pico das Andorinhas – com 906;
- Morro do Gericinó – com 889 metros;
- Morro do Guandu – com 744 metros;
- Pico do Marapicu – com 632 metros de altitude.
Vale ressaltar, que muitos destes morros excedem a região, se espalhando até mesmo em direção dos municípios ao norte e outras regiões como a de Jacarepaguá ao sul.
Também devemos ter em mente que a pouca altitude dos nossos morros se deve ao fato de ser de relevo já desgastados pelo intemperismo por ser bastante antigo, como a maior parte do relevo brasileiro, que raramente ultrapassa os 3500 metros de altitude.
Hidrografia
Os rios que cortam a área da região de Bangu fazem parte da Bacia de Sepetiba e da Guanabara, isto porque a direção que o curso toma é que define este pertencimento. São na maioria ‘braços’ do Rio Guandu, são: o rio Piraquara, o rio Sarapui, o rio Guandu do Sena, o rio Viegas, o rio dos cachorros, entre outros de pequeno curso, quase desprezíveis como o rio das Tintas. A maioria está agonizando com a poluição, devido a atividade humana no local e a falta de consciência dos moradores que jogam todo tipo de dejeto neles.
Na Serra do Barata, em Realengo, temos uma bela cachoeira, que também sofre com a ignorância do povo que usa suas nascentes e quedas de água para fazer macumba e largam ali os restos na maioria das vezes produtos de difícil decomposição pela natureza, também há os visitantes não tão afro-religiosos que sujam por demais aquele pequeno pedaço de paraíso.
O clima
O clima da região de Bangu, anotado em Estação Meteorológica no bairro, é o mesmo que abrange todo o município do Rio de Janeiro, o tropical úmido. Desnecessário dizer que Bangu é o bairro mais quente do Rio de Janeiro, sempre que vemos na televisão a previsão do tempo, as temperaturas máximas são sempre no nosso bairro.
Isso se explica pelo fato da razoável distância do mar em que nos encontramos, da vizinhança dos maciços e da ocupação humana e atividades urbanas, com lançamentos de dióxido de carbono e outros gases de estufa que não são dissipados de forma tão rápida.
A temperatura média do bairro ultrapassa 25 graus, e no auge do verão é comum os termômetros de rua marcarem 45 graus, o que dá, literalmente para fritar um ovo na tampa de ferro um bueiro. Segundo o Atlas Escolar da Cidade do Rio de Janeiro, de 2000, no período de 1979 e 1980, notamos que a vertente sul do maciço da Pedra Branca registrou temperatura abaixo de 22 graus, e toda a porção ao norte da região de Bangu obteve média de temperatura entre 22 e 23 graus e a parte mais densamente povoada dos bairros de Padre Miguel, Realengo, Senador Camará e Bangu, ficaram entre 23 e 25 graus.
Quanto aos índices pluviométricos, costuma chover entre 1400 e 1600 mililitros anualmente no alto das serras do Gericinó, nas partes mais altas do maciço da Pedra Branca e nas médias altitudes do Gericinó a precipitação fica entre 1200 e 1400 mililitros e na parte antrópica a ocorrência das chuvas é bem mais branda, estando, quase sempre, entre 1000 e 1200 mililitros anuais, conforme fora anotado nos anos 97/98, pelo Atlas Escolar da Cidade do Rio de Janeiro, de 2000.
Vegetação original
Originalmente a região era coberta pela Floresta Tropical de Mata Atlântica, ainda há resquícios de vegetação típica deste ecossistema espalhados pela paisagem. Trata-se de uma floresta bastante úmida não tanto quanto uma Floresta Tropical Equatorial, mas em algumas áreas de extrema pluviosidade principalmente as beirando o mar, como onde o mar encontra o anteparo rochoso da Serra do Mar em alguns municípios do Rio de Janeiro e São Paulo, a quantidade de chuvas torrenciais faz lembrar uma floresta como a do Congo e a da Amazônia, sendo bastante aproveitado economicamente para o plantio de banana que se adapta tão bem a essas condições e traz deveras benefícios aos municípios (como Bananal entre outros) que usam bem essa característica das chuvas orográficas como incremento agrícola.
Vegetação atual
Apesar de manchas de vegetação de Mata Atlântica, hoje bastante espoliada, o que temos na localidade é uma paisagem bastante afetada pela atuação antrópica, são campos artificiais e matas longínquas tomadas por capim colonião, arbustos e ervas.
Somente nos morros se pode observar algum ecossistema florestado, sendo que o de Gericinó, devido a proteção proporcionada pela atuação do Exército – que durante muito tempo evitou a entrada de curiosos e a expansão de favelas no local, nas décadas precedentes ao fim do século passado – o que foi de fundamental importância na manutenção deste parque, mas, ultimamente, já começamos a notar um processo de ocupação bastante desordenado, e uma invasão de ambas as vertentes do maciço.
Ao descer as serras da região passa-se de uma vegetação minimamente preservada para os campos antrópicos e algumas manchas de culturas agrícolas em regiões um pouco afastada do perímetro urbano, já na parte mais urbanizada o que encontramos é uma total devastação de todo o tipo de mata que por ventura houvesse ali. É de se lamentar que mesmo as árvores mais antigas do bairro, e muitas plantadas há menos de cinqüenta anos estão sendo ou dilapidadas ou arrancadas com raiz e tudo pela Fundação Parques e Jardins, como foi feito ao longo da Ciclovia entre os sub-bairros de Padre Miguel e Guilherme da Silveira, o que em tempo de verão infernal, comum na região, faz a sensação térmica exacerbar.
A flora e a fauna extintas ou em extinção
Quando apenas os índios passeavam por estas bandas, deveria ser bastante abundante algumas espécies vegetais e animais, hoje não tão comuns, ou então, praticamente extintas.
Nos nossos maciços, que abrigavam florestas tropicais úmidas, havia diversas árvores que há muitos não mais se vê, como por exemplo: a Canela-sassafrás (ocotea pretiosa), o Jacarandá (Dalbergia nigra), estas no maciço do Gericinó, e a Samambaiaçu (Dicksonia sellowiana) no da Pedra Branca e outras espécies de menor porte e flores como a erva Orquídea (Cattleya forbesii) no maciço da Pedra Branca, e no do Gericinó, tínhamos a erva Bananeira-do-mato (Heliconia sampaioana).
A vida animal, era também muito abundante e exuberante no local, mas hoje já quase que extinta em sua totalidade. Era comum encontrar-se, por exemplo, o felino sussuarana (Felis concolor) e a ave arapongas (Procnias nudicollis) na floresta do Gericinó e anta (Tapirus terrestris), o felídeo gato-maracajá (Leopardus wiedii) e a preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus) na da Pedra Branca. Ainda resistem bravamente espécies de cães e gatos-do-mato, diversas aves e gambás no que restou destes ecossistemas.
A GEOPOLÍTICA DA REGIÃO DE BANGU - TRABALHO
BANGU: TRABALHO, MERCADO INFORMAL, CAMELOTAGEM, EMPREGO, SUBEMPREGO E DESEMPREGO
Todas as comunidades do entorno de Bangu, possuem um nível sócio-cultural-econômico extremamente baixo, devido principalmente ao fato da maioria de seus moradores não terem conseguido completar sequer o Ensino Fundamental e vivem (ou sobrevivem), do subemprego ou do mercado informal, devido, sobretudo, à baixa escolaridade, muitas vezes com menos de um salário mínimo e o desemprego é bastante elevado no local.
Não há incentivo estatal para modificar a realidade ‘canibal’ do momento, conheço muitos moradores destas comunidades que há bem pouco tempo faziam parte dos quadros de diversas empresas estatais recentemente privatizadas pela sanha neo-liberal, que devorou as entranhas da máquina do governo e jogou na sarjeta do mercado de trabalho uma infinidade de pais de família.
Hoje a maioria desses demitidos trabalham em pequenos comércios espalhados pela comunidade, ou como camelôs, ou subempregados, causando uma competição desenfreada por pontos como ocorre no Ponto Chique de Padre Miguel, no calçadão de Bangu, Centro de Realengo e nas demais áreas comerciais dos sub-bairros de Bangu, o que também gera certa forma de violência, a visual, pois são aproveitados quaisquer espaço viável para construção de biroscas, mini bazares, lojas de bijuterias, carroças de Hot Dog, de X-tudos, e as famosa lojinhas de R$ 1,99 que fazem enfeiar ainda mais a paisagem outrora singela de bairro periférico, porém não tão miserável e espoliado.
Quando precisamos passar ou pelo buraco do Faim em Bangu, ou pelo buraco do Viana em Padre Miguel, ou então pela passarela da estação ferroviária de Bangu é que percebemos como o desemprego está alto.
A quantidade de camelôs é enorme e não tem repressão da Guarda Municipal que dê jeito, pois tiram os camelôs daqui e eles esperam a poeira baixar e retornam, isso sem falar dos vanseiros, kombeiros e topiqueiros, que disputam de maneira acirrada e feroz o território no largo em frente ao buraco do Faim, arrecadando passageiros para suas lotadas que quando estão no trânsito, chegam a ser suicidas.
Também seria maldade por demais, como se já não bastasse tirar-lhes o emprego. Não termos o direito de tirar-lhes também o subemprego, a camelotagem e qualquer outra forma menos desonesta de ganhar seu sustento, uma vez que o enxugamento das empresas (uma espécie de eufemismo para demissão) já vem fazendo isso de modo tão competente e cruel.
Mesmo dando o famoso “jeito Brasileiro”, muitos não conseguem adentrar no mercado consumidor pele falta de políticas de emprego, acabam, assim, engrossando as diversas estatísticas do desemprego na cidade, no estado e, consequentemente, no Brasil, que vem incomodando e causando dores de cabeça nos governantes, que tem de prestar contas com a ‘ordem externa’ e nos pais de família que ficam sem saber se no dia seguinte amanhecerão empregados ou nas estatísticas.
O fato é que quando ficamos desempregados, não perdemos só um emprego, a carteira assinada e coisas materiais. Muitas coisas etéreas são perdidas com o desemprego: a experiência de trabalhadores antigos, o círculo de amizades, o alívio de certos problemas caseiros e principalmente, como na música do saudoso Gonzaguinha, a sua honra também se perde, é como se deixássemos de ser homens, homens úteis, não sendo úteis, tornaríamos estorvos, inúteis, como mais uma peça na mão do capitalismo, que após usado à exaustão é descartada e jogada fora para vagar espaço para outro gad get.
Os empregadores do mundo de hoje se acostumaram à lei do mercado, não é para menos, até as nossas crianças também já se acostumaram e como os primeiros, aprenderam que vale mais a pena comprar outro objeto do que tentar investir naquele velho e usado, lucra-se bem mais em trocar uma peça desgastada, mas ainda de boa utilização, por outra bem baratinha e de preferência inventada, ou como na maioria das vezes copiadas de outro modelo, da indústria do consumo. Tem sido assim com bugigangas, com livros, com aparelhos domésticos, com bichos de estimação e, como prelúdio do fim de mundo, com as pessoas.
Ninguém mais investe em relações pessoais. É mais fácil desfazer o casamento, o que está acontecendo a cada dia mais cedo; acabar com a amizade; não prestar atenção nas calçadas cheia de indigentes para não se penalizar por demais e, por último, é bem mais lucrativo para os donos do capital mandar o empregado embora do que tentar cortar custos de produção e melhorar o gerenciamento, afinal de contas o empregado é apenas mais uma pessoa de tantas que existem no mundo super povoado, só mais uma peça na engrenagem, que está aí, mesmo só para dar lucro e se enferrujar deve ser, de fato, trocado por peça nova.
Infelizmente há no Brasil resquícios da época da escravidão, e nossos empresários agem como se vivessem naqueles tempos, também é muito compreensível, os pobres coitados lucravam muito e não pagavam pelo trabalho dos seus lacaios, hoje têm que pagar os malditos salários, deve doer bastante a lembrança da Lei Áurea.
Também dói para o trabalhador ser tratado como semi-escravo, pior ainda para aquele que nem isso é, é na verdade desempregado, como já foi dito, sem honra.
É inadmissível para o mundo atual, tão repleto de tecnologias, que ainda haja trabalho escravo, infantil e pior ainda desemprego.
Mostra que estamos tal qual caranguejos, andando para o lado em vez de sempre para frente, que com toda modernidade não conseguimos resolver alguns dos problemas que fazem da vida da maioria da população um ‘gargalo’, como: o desemprego que passa de dois dígitos nas nossas estatísticas; a fome que bate a casa de cerca de vinte e três milhões de brasileiros; a miséria que assola boa parte da nossa população e conseqüência de todos os outros, a violência.
Todas as comunidades do entorno de Bangu, possuem um nível sócio-cultural-econômico extremamente baixo, devido principalmente ao fato da maioria de seus moradores não terem conseguido completar sequer o Ensino Fundamental e vivem (ou sobrevivem), do subemprego ou do mercado informal, devido, sobretudo, à baixa escolaridade, muitas vezes com menos de um salário mínimo e o desemprego é bastante elevado no local.
Não há incentivo estatal para modificar a realidade ‘canibal’ do momento, conheço muitos moradores destas comunidades que há bem pouco tempo faziam parte dos quadros de diversas empresas estatais recentemente privatizadas pela sanha neo-liberal, que devorou as entranhas da máquina do governo e jogou na sarjeta do mercado de trabalho uma infinidade de pais de família.
Hoje a maioria desses demitidos trabalham em pequenos comércios espalhados pela comunidade, ou como camelôs, ou subempregados, causando uma competição desenfreada por pontos como ocorre no Ponto Chique de Padre Miguel, no calçadão de Bangu, Centro de Realengo e nas demais áreas comerciais dos sub-bairros de Bangu, o que também gera certa forma de violência, a visual, pois são aproveitados quaisquer espaço viável para construção de biroscas, mini bazares, lojas de bijuterias, carroças de Hot Dog, de X-tudos, e as famosa lojinhas de R$ 1,99 que fazem enfeiar ainda mais a paisagem outrora singela de bairro periférico, porém não tão miserável e espoliado.
Quando precisamos passar ou pelo buraco do Faim em Bangu, ou pelo buraco do Viana em Padre Miguel, ou então pela passarela da estação ferroviária de Bangu é que percebemos como o desemprego está alto.
A quantidade de camelôs é enorme e não tem repressão da Guarda Municipal que dê jeito, pois tiram os camelôs daqui e eles esperam a poeira baixar e retornam, isso sem falar dos vanseiros, kombeiros e topiqueiros, que disputam de maneira acirrada e feroz o território no largo em frente ao buraco do Faim, arrecadando passageiros para suas lotadas que quando estão no trânsito, chegam a ser suicidas.
Também seria maldade por demais, como se já não bastasse tirar-lhes o emprego. Não termos o direito de tirar-lhes também o subemprego, a camelotagem e qualquer outra forma menos desonesta de ganhar seu sustento, uma vez que o enxugamento das empresas (uma espécie de eufemismo para demissão) já vem fazendo isso de modo tão competente e cruel.
Mesmo dando o famoso “jeito Brasileiro”, muitos não conseguem adentrar no mercado consumidor pele falta de políticas de emprego, acabam, assim, engrossando as diversas estatísticas do desemprego na cidade, no estado e, consequentemente, no Brasil, que vem incomodando e causando dores de cabeça nos governantes, que tem de prestar contas com a ‘ordem externa’ e nos pais de família que ficam sem saber se no dia seguinte amanhecerão empregados ou nas estatísticas.
O fato é que quando ficamos desempregados, não perdemos só um emprego, a carteira assinada e coisas materiais. Muitas coisas etéreas são perdidas com o desemprego: a experiência de trabalhadores antigos, o círculo de amizades, o alívio de certos problemas caseiros e principalmente, como na música do saudoso Gonzaguinha, a sua honra também se perde, é como se deixássemos de ser homens, homens úteis, não sendo úteis, tornaríamos estorvos, inúteis, como mais uma peça na mão do capitalismo, que após usado à exaustão é descartada e jogada fora para vagar espaço para outro gad get.
Os empregadores do mundo de hoje se acostumaram à lei do mercado, não é para menos, até as nossas crianças também já se acostumaram e como os primeiros, aprenderam que vale mais a pena comprar outro objeto do que tentar investir naquele velho e usado, lucra-se bem mais em trocar uma peça desgastada, mas ainda de boa utilização, por outra bem baratinha e de preferência inventada, ou como na maioria das vezes copiadas de outro modelo, da indústria do consumo. Tem sido assim com bugigangas, com livros, com aparelhos domésticos, com bichos de estimação e, como prelúdio do fim de mundo, com as pessoas.
Ninguém mais investe em relações pessoais. É mais fácil desfazer o casamento, o que está acontecendo a cada dia mais cedo; acabar com a amizade; não prestar atenção nas calçadas cheia de indigentes para não se penalizar por demais e, por último, é bem mais lucrativo para os donos do capital mandar o empregado embora do que tentar cortar custos de produção e melhorar o gerenciamento, afinal de contas o empregado é apenas mais uma pessoa de tantas que existem no mundo super povoado, só mais uma peça na engrenagem, que está aí, mesmo só para dar lucro e se enferrujar deve ser, de fato, trocado por peça nova.
Infelizmente há no Brasil resquícios da época da escravidão, e nossos empresários agem como se vivessem naqueles tempos, também é muito compreensível, os pobres coitados lucravam muito e não pagavam pelo trabalho dos seus lacaios, hoje têm que pagar os malditos salários, deve doer bastante a lembrança da Lei Áurea.
Também dói para o trabalhador ser tratado como semi-escravo, pior ainda para aquele que nem isso é, é na verdade desempregado, como já foi dito, sem honra.
É inadmissível para o mundo atual, tão repleto de tecnologias, que ainda haja trabalho escravo, infantil e pior ainda desemprego.
Mostra que estamos tal qual caranguejos, andando para o lado em vez de sempre para frente, que com toda modernidade não conseguimos resolver alguns dos problemas que fazem da vida da maioria da população um ‘gargalo’, como: o desemprego que passa de dois dígitos nas nossas estatísticas; a fome que bate a casa de cerca de vinte e três milhões de brasileiros; a miséria que assola boa parte da nossa população e conseqüência de todos os outros, a violência.
A GEOPOLÍTICA DA REGIÃO DE BANGU - SEGURANÇA PÚBLICA
BANGU SÉCULO XXI: UM BAIRRO SITIADO PELA VIOLÊNCIA
Bangu e as Cercanias Perigosas
Mesmo aquele que não more nas cercanias do bairro de Bangu, nota que o bairro é (como a nossa própria cidade e como o mundo econômico do Norte-Sul) bastante dividido, de um lado temos algumas boas mansões de outro casebres e barracos, os ricos estão mais na parte sul do bairro, onde o povoamento é mais antigo e de gente um pouco mais abastadas, que veio para cá com o objetivo de morar num bairro tranqüilo.
Temos no bairro, um bom centro comercial e bancário, sendo que tudo isso cercado por várias comunidades: algumas abastadas; outras nem tão ricas como as de ocupação mais antiga, mas estabilizadas; outras ‘remediadas’ mas pobres, mas com razoável condição de sobrevivência; e muitas paupérrimas, pois é aí, nesta periferia do bairro que encontramos as comunidades mais sofridas, são, na maioria, extremamente pobres, algumas fazem lembrar cenas do Nordeste brasileiro, nos anos de secas eternas ou da África sub-saariana, com seus seres humanos esquálidos.
O entorno do bairro / comunidades carentes
No bairro de Bangu hoje em dia, vivem pessoas em várias comunidades carentes, muitas até bastante violentas, sendo as que têm número o maior incidência de miséria e criminalidade latentes, são as seguintes:
• Comunidade da Vila Moretti;
• Comunidade do Morro São Bento;
• Comunidade da vila Aliança;
• Comunidade da vila Kenedy;
• Comunidade da Carobinha;
• Comunidade do Catiri;
• Comunidade do Jardim Bangu;
• Comunidade da Vila Vintém (Padre Miguel);
• Comunidade do loteamento 77 (Padre Miguel);
• Comunidade do Conjunto Habitacional Dom Jaime Câmara.
A absoluta maioria dos cidadãos, que mora nessas comunidades, convive diretamente com a violência que assola nossa cidade, de forma direta, o que influencia na postura de vida (hábitos e atitudes) que adotam para poderem sobreviver e principalmente no desempenho escolar de suas crianças, que se vêem obrigadas até mesmo a abandonar a escola, principalmente quando estas comunidades entram em conflito uma com as outras devido aos desmandos do tráfico de drogas, que não permite que o cidadão saia de uma região para a outra, ferindo o direito constitucional de ir e vir e pela quase total ausência e conivência do Estado, que não toma atitudes verdadeiramente concretas contra estes desmandos.
Não por saudosismo, mas relembrando a ‘época áurea’ do bairro (dos anos 30 e 40, se prolongando não menos fulgurante até os anos 60 e decaindo um pouco pelos anos 70 e 80 – sempre sob a batuta das Dinastias ‘Silveira’ e ‘Andrade’, e pelo que colhemos nas pesquisas com pessoas idosas do bairro, moradores antigos, alguns, inclusive, cooperando com farta contribuição material (fotos e livros) e intelectual (relatos precisos de épocas ímpares da região) para este trabalho. Trabalho este, que faremos o possível para que seja repassado para os mais jovens no intuito de continuarmos mantendo sempre viva na memória a história deste bairro e de seu entorno, que tanto prezamos, para futuras gerações.
Esses sábios anciãos de Bangu contam que seus antepassados foram privilegiados em viver no bairro na época dos laranjais, que serviram de inspiração para o escritor José Mauro de Vasconcelos escrever um clássico da nossa literatura, o livro ‘Meu Pé de Laranja Lima’, quando os problemas atuais ainda não existiam, e a população era menos ‘selvagem’ e bairro decolava no rastro da Fábrica Bangu, em sua “Belle Époque” trazendo desenvolvimento e notoriedade ao local durante a era da família Silveira, que, de fato, melhorou bastante as aspirações sociais do bairro, bem como a qualidade de vida dos moradores.
Violência latente
De todos os bairros cariocas, não se tem dúvida, ser o de Bangu, o que mais sofre com a violência e o descaso, digo isso, porque todos os bairros da Zona Sul, alguns da Zona Norte, a Barra da Tijuca e o Centro da cidade, além de contarem com um razoável contingente policial, tem a seu favor a própria mídia, que está sempre com seus repórteres e câmaras em ação para documentar qualquer cena de bang bang que por acaso venha a ocorrer. Já Bangu e a Zona Oeste, esta, por sinal, é bem pouco apreciada pela mídia, ou por não render no ‘IBOPE’ ou por não ser um bairro tão nobre.
Devemos ressaltar que a própria história do bairro é marcada, no seu início, por um crime cometido por disputas de terras, algo comum hoje apenas nas regiões rurais e periféricas. O caso foi relatado como o assassínio do fazendeiro João Manuel de Melo, que era proprietário da fazenda e do engenho de açúcar que detinha o nome idêntico ao do bairro, Bangu, fazenda esta que fora comprada junto ao antigo dono e fundador Manuel Barcelos Domingues. Um crime que pode parecer estranho em se tratando de atualidade, mas no fundo a causa é sempre a mesma a luta por conquista ou manutenção de território.
Por sofrer a invasão populacional, que traz consigo ainda mais violência para o lugar que já a possui em número bastante elevado e em conseqüência aumentá-la ainda mais, tornando latente o estado de guerra urbana, é que podemos afirmar ser a localidade de Bangu um bairro sitiado, com direitos a toque de recolher decretados pelos “reis do pó” sempre que há guerras entre traficantes de quadrilhas rivais pela posse de territórios viáveis ao lucro, ou quando das inúmeras fugas dos diversos presídios e casas de detenção da circunvizinhança.
Observando o mapa da cidade do Rio de Janeiro, também notamos que o centro do bairro está limitados por outros bairros e municípios tão assolados por crimes quanto ele e alguns ainda bem piores, com maiores índices de criminalidade, perfazendo assim, um cinturão de violência e de tráfico de drogas que passamos a chamar, em alusão ao american way of life, de Drug Belt.
À oeste, Bangu se limita com o bairro de Senador Câmara (Sapo e Rebu), muito famoso pelos coletivos incendiados em dias de guerras costumeiramente; ao sul, próximo ao maciço da Pedra Branca, temos menos problemas devido a dificuldade geográfica proporcionada pelo ‘paredão’, que impede a migração criminosa dos bairros mais meridionais, inclusive esse conjunto de morro empresta seu nome ao bairro, como já dissemos, do tupi ‘Bangu, que significa anteparo negro’ em alusão à sombra que ele impõe sobre o vale onde o bairro se formou; indo para o leste, ainda sob nossa área de influência AP – 5 (Área de Planejamento da Prefeitura do Rio de Janeiro), 34ª, 33ª e 31ª DPs e das XVII e XXIII RAs, temos os, também bastante conhecidos por casos de violências de toda natureza, bairros de Padre Miguel e Realengo (Vila Vintém e Sete-sete), Magalhães de Bastos (Fumacê, Batan e Curral das Éguas), Ricardo de Albuquerque, Anchieta e Parque Anchieta, todos eles debaixo das asas do 14º Batalhão de Polícia Militar e da 8ª Área Integrada Segurança Pública; ao norte e a nordeste encontramos os locais mais complicados, Vila Moretti, Vila Kenedy (Metral), Catiri e Jardim Bangu, todos com índices bastante elevados de delitos grandes e pequenos; ainda ao norte, mas separado pelo maciço do Gericinó, temos Nilópolis e Nova Iguaçu, dois municípios da carente Baixada Fluminense, estes bastantes evidenciados pelos diversos tipos de crimes ocorridos: latrocínios, chacinas, lutas pela posse de terras, crimes políticos e queimas de arquivos.
Devido ao alto índice de crimes autóctones, como se já não nos bastassem os próprios da violência do bairro, como os causados pelo narcotráfico; temos acrescentada à nossa, a violência importada, pois o bairro de Bangu exerce efeito polarizador, fazendo com que pessoas dos bairros vizinhos migrem para cá, atraídas pela facilidade de transporte, vindo principalmente para comprar no comércio local e outras que vem mesmo no intuito de moradia, devido as condições de vida ainda não tão deterioradas do bairro em comparação aos demais da região, sendo que muitas delas não encontrando habitação a preço razoável, migram para a periferia sem infra-estrutura e dominada pelo narcotráfico.
Para piorar o quadro, segundo a Secretaria Municipal do Trabalho e a Escola Nacional de Estatística do IBGE, 55% dos jovens entre 15 e 24 anos que moram em favelas do Rio de Janeiro não estudam, não trabalham e já desistiram de procurar emprego. Estes jovens sem qualificação e à beira da mendicância, devido aos já precários laços familiares e econômicos, com certeza engrossarão as estatísticas da criminalidade futura, pois se tornam presas fáceis dos narcotraficantes da área, formando um enorme exército de reserva de mão-de-obra para o tráfico de drogas, some-se a estes dados a quantidade de reservistas das forças armadas que encontrarão um mundo globalizado e neoliberal aqui fora, serão, na maioria o Know How que faltava ao tráfico até bem pouco tempo atrás, suas táticas de guerrilha urbana e treinamento de selva serão bem vindos aos “barões do pó”.
Tão perto da criminalidade, tão longe da cidadania
No início de 2001, a Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Instituto de Pesquisa Econômicas Aplicadas (IPEA) realizaram um mapeamento da condição de vida dos moradores cariocas, segundo fatores sociais e econômicos. Através do IDH, Índice de Desenvolvimento Humano e do ICV, Índice de Condições de Vida, fizeram um mapeamento da riqueza e da pobreza carioca, um retrato adequado da nossa realidade, os índices vão de zero a um, sendo o bairro que mais estiver próximo do um, goza de melhores condições de educação, saúde, lazer, saneamento básico, etc. Como a distância de um dígito é muita curta, um décimo a menor tem valor significativo na interpretação dos dados dessa análise Geográfica Quantitativa.
Os números do IDH mostraram que no Rio de Janeiro existe uma dramática diferença social, por exemplo no topo da listagem, entre os bairros nobres da cidade estão: Lagoa, em 1º lugar, com IDH de 0,902; a Gávea em 2º com 0,896; Jardim Botânico em 3º, com 0,894; o Leblon em 4º, com 0,894 e a Barra da Tijuca em 5º, com 0,886. No lado inverso da tabela ficaram os primos miseráveis, a saber: Santa Cruz (rural), o pior de todos, com IDH de apenas 0,558; Acari, em penúltimo com 0,573; Complexo do Alemão, em antepenúltimo, com 0,587; Rocinha, com 0,591 e Complexo da Maré, com seus míseros 0,597.
Isso sim é um exemplo pragmático de desigualdade social, que ocorre bem debaixo dos nossos olhos e na maioria das vezes esquecemos de prestar atenção, talvez por conveniência, por hipocrisia ou por vergonha, como bem disse, Zuenir Ventura, uma cidade partida. Não façamos destas páginas ‘muro de Lamentações’, com choramingas e apelos para sensibilizar o governo, nem precisamos de outras formas de muros para sobreviver ao caos urbano da nossa cidade outrora maravilhosa, ou seja: de ‘muros Berlim’ ou ‘Muralhas da China’ como os condomínios já fazem veladamente.
Notamos que Bangu é a região onde há a maior quantidade de homicídios, mas também sabemos que a violência é um câncer generalizado e em metástase, pois vem se espalhando por todos os bairros cariocas, municípios limítrofes, outros estados, até mesmo nas cidades do interior, antes tidas como reduto do aconchego e da segurança.
Portanto não foi ao acaso que escolhemos falar de Bangu, ora, outros bairros cariocas já tem seus defensores ferrenhos, sejamos bairristas por um momento e lutamos por nossa região. Principalmente, pelos seus moradores que sofrem com a violência, pelos profissionais do ensino que precisam lecionar para alunos destas comunidades marcados pela cisão de valores morais, pelo pessoal da área médica que lida com o resultado final dessa violência, por muito mais...por isso, é bastante confortável escrever sobre o assunto e sobre a localidade, uma vez que observa-se diariamente a conseqüência e ouve-se por diversas vias que há uma contenda não declarada ceifando vidas jovens que poderiam estar produzindo para o progresso do país.
Bangu e as Cercanias Perigosas
Mesmo aquele que não more nas cercanias do bairro de Bangu, nota que o bairro é (como a nossa própria cidade e como o mundo econômico do Norte-Sul) bastante dividido, de um lado temos algumas boas mansões de outro casebres e barracos, os ricos estão mais na parte sul do bairro, onde o povoamento é mais antigo e de gente um pouco mais abastadas, que veio para cá com o objetivo de morar num bairro tranqüilo.
Temos no bairro, um bom centro comercial e bancário, sendo que tudo isso cercado por várias comunidades: algumas abastadas; outras nem tão ricas como as de ocupação mais antiga, mas estabilizadas; outras ‘remediadas’ mas pobres, mas com razoável condição de sobrevivência; e muitas paupérrimas, pois é aí, nesta periferia do bairro que encontramos as comunidades mais sofridas, são, na maioria, extremamente pobres, algumas fazem lembrar cenas do Nordeste brasileiro, nos anos de secas eternas ou da África sub-saariana, com seus seres humanos esquálidos.
O entorno do bairro / comunidades carentes
No bairro de Bangu hoje em dia, vivem pessoas em várias comunidades carentes, muitas até bastante violentas, sendo as que têm número o maior incidência de miséria e criminalidade latentes, são as seguintes:
• Comunidade da Vila Moretti;
• Comunidade do Morro São Bento;
• Comunidade da vila Aliança;
• Comunidade da vila Kenedy;
• Comunidade da Carobinha;
• Comunidade do Catiri;
• Comunidade do Jardim Bangu;
• Comunidade da Vila Vintém (Padre Miguel);
• Comunidade do loteamento 77 (Padre Miguel);
• Comunidade do Conjunto Habitacional Dom Jaime Câmara.
A absoluta maioria dos cidadãos, que mora nessas comunidades, convive diretamente com a violência que assola nossa cidade, de forma direta, o que influencia na postura de vida (hábitos e atitudes) que adotam para poderem sobreviver e principalmente no desempenho escolar de suas crianças, que se vêem obrigadas até mesmo a abandonar a escola, principalmente quando estas comunidades entram em conflito uma com as outras devido aos desmandos do tráfico de drogas, que não permite que o cidadão saia de uma região para a outra, ferindo o direito constitucional de ir e vir e pela quase total ausência e conivência do Estado, que não toma atitudes verdadeiramente concretas contra estes desmandos.
Não por saudosismo, mas relembrando a ‘época áurea’ do bairro (dos anos 30 e 40, se prolongando não menos fulgurante até os anos 60 e decaindo um pouco pelos anos 70 e 80 – sempre sob a batuta das Dinastias ‘Silveira’ e ‘Andrade’, e pelo que colhemos nas pesquisas com pessoas idosas do bairro, moradores antigos, alguns, inclusive, cooperando com farta contribuição material (fotos e livros) e intelectual (relatos precisos de épocas ímpares da região) para este trabalho. Trabalho este, que faremos o possível para que seja repassado para os mais jovens no intuito de continuarmos mantendo sempre viva na memória a história deste bairro e de seu entorno, que tanto prezamos, para futuras gerações.
Esses sábios anciãos de Bangu contam que seus antepassados foram privilegiados em viver no bairro na época dos laranjais, que serviram de inspiração para o escritor José Mauro de Vasconcelos escrever um clássico da nossa literatura, o livro ‘Meu Pé de Laranja Lima’, quando os problemas atuais ainda não existiam, e a população era menos ‘selvagem’ e bairro decolava no rastro da Fábrica Bangu, em sua “Belle Époque” trazendo desenvolvimento e notoriedade ao local durante a era da família Silveira, que, de fato, melhorou bastante as aspirações sociais do bairro, bem como a qualidade de vida dos moradores.
Violência latente
De todos os bairros cariocas, não se tem dúvida, ser o de Bangu, o que mais sofre com a violência e o descaso, digo isso, porque todos os bairros da Zona Sul, alguns da Zona Norte, a Barra da Tijuca e o Centro da cidade, além de contarem com um razoável contingente policial, tem a seu favor a própria mídia, que está sempre com seus repórteres e câmaras em ação para documentar qualquer cena de bang bang que por acaso venha a ocorrer. Já Bangu e a Zona Oeste, esta, por sinal, é bem pouco apreciada pela mídia, ou por não render no ‘IBOPE’ ou por não ser um bairro tão nobre.
Devemos ressaltar que a própria história do bairro é marcada, no seu início, por um crime cometido por disputas de terras, algo comum hoje apenas nas regiões rurais e periféricas. O caso foi relatado como o assassínio do fazendeiro João Manuel de Melo, que era proprietário da fazenda e do engenho de açúcar que detinha o nome idêntico ao do bairro, Bangu, fazenda esta que fora comprada junto ao antigo dono e fundador Manuel Barcelos Domingues. Um crime que pode parecer estranho em se tratando de atualidade, mas no fundo a causa é sempre a mesma a luta por conquista ou manutenção de território.
Por sofrer a invasão populacional, que traz consigo ainda mais violência para o lugar que já a possui em número bastante elevado e em conseqüência aumentá-la ainda mais, tornando latente o estado de guerra urbana, é que podemos afirmar ser a localidade de Bangu um bairro sitiado, com direitos a toque de recolher decretados pelos “reis do pó” sempre que há guerras entre traficantes de quadrilhas rivais pela posse de territórios viáveis ao lucro, ou quando das inúmeras fugas dos diversos presídios e casas de detenção da circunvizinhança.
Observando o mapa da cidade do Rio de Janeiro, também notamos que o centro do bairro está limitados por outros bairros e municípios tão assolados por crimes quanto ele e alguns ainda bem piores, com maiores índices de criminalidade, perfazendo assim, um cinturão de violência e de tráfico de drogas que passamos a chamar, em alusão ao american way of life, de Drug Belt.
À oeste, Bangu se limita com o bairro de Senador Câmara (Sapo e Rebu), muito famoso pelos coletivos incendiados em dias de guerras costumeiramente; ao sul, próximo ao maciço da Pedra Branca, temos menos problemas devido a dificuldade geográfica proporcionada pelo ‘paredão’, que impede a migração criminosa dos bairros mais meridionais, inclusive esse conjunto de morro empresta seu nome ao bairro, como já dissemos, do tupi ‘Bangu, que significa anteparo negro’ em alusão à sombra que ele impõe sobre o vale onde o bairro se formou; indo para o leste, ainda sob nossa área de influência AP – 5 (Área de Planejamento da Prefeitura do Rio de Janeiro), 34ª, 33ª e 31ª DPs e das XVII e XXIII RAs, temos os, também bastante conhecidos por casos de violências de toda natureza, bairros de Padre Miguel e Realengo (Vila Vintém e Sete-sete), Magalhães de Bastos (Fumacê, Batan e Curral das Éguas), Ricardo de Albuquerque, Anchieta e Parque Anchieta, todos eles debaixo das asas do 14º Batalhão de Polícia Militar e da 8ª Área Integrada Segurança Pública; ao norte e a nordeste encontramos os locais mais complicados, Vila Moretti, Vila Kenedy (Metral), Catiri e Jardim Bangu, todos com índices bastante elevados de delitos grandes e pequenos; ainda ao norte, mas separado pelo maciço do Gericinó, temos Nilópolis e Nova Iguaçu, dois municípios da carente Baixada Fluminense, estes bastantes evidenciados pelos diversos tipos de crimes ocorridos: latrocínios, chacinas, lutas pela posse de terras, crimes políticos e queimas de arquivos.
Devido ao alto índice de crimes autóctones, como se já não nos bastassem os próprios da violência do bairro, como os causados pelo narcotráfico; temos acrescentada à nossa, a violência importada, pois o bairro de Bangu exerce efeito polarizador, fazendo com que pessoas dos bairros vizinhos migrem para cá, atraídas pela facilidade de transporte, vindo principalmente para comprar no comércio local e outras que vem mesmo no intuito de moradia, devido as condições de vida ainda não tão deterioradas do bairro em comparação aos demais da região, sendo que muitas delas não encontrando habitação a preço razoável, migram para a periferia sem infra-estrutura e dominada pelo narcotráfico.
Para piorar o quadro, segundo a Secretaria Municipal do Trabalho e a Escola Nacional de Estatística do IBGE, 55% dos jovens entre 15 e 24 anos que moram em favelas do Rio de Janeiro não estudam, não trabalham e já desistiram de procurar emprego. Estes jovens sem qualificação e à beira da mendicância, devido aos já precários laços familiares e econômicos, com certeza engrossarão as estatísticas da criminalidade futura, pois se tornam presas fáceis dos narcotraficantes da área, formando um enorme exército de reserva de mão-de-obra para o tráfico de drogas, some-se a estes dados a quantidade de reservistas das forças armadas que encontrarão um mundo globalizado e neoliberal aqui fora, serão, na maioria o Know How que faltava ao tráfico até bem pouco tempo atrás, suas táticas de guerrilha urbana e treinamento de selva serão bem vindos aos “barões do pó”.
Tão perto da criminalidade, tão longe da cidadania
No início de 2001, a Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Instituto de Pesquisa Econômicas Aplicadas (IPEA) realizaram um mapeamento da condição de vida dos moradores cariocas, segundo fatores sociais e econômicos. Através do IDH, Índice de Desenvolvimento Humano e do ICV, Índice de Condições de Vida, fizeram um mapeamento da riqueza e da pobreza carioca, um retrato adequado da nossa realidade, os índices vão de zero a um, sendo o bairro que mais estiver próximo do um, goza de melhores condições de educação, saúde, lazer, saneamento básico, etc. Como a distância de um dígito é muita curta, um décimo a menor tem valor significativo na interpretação dos dados dessa análise Geográfica Quantitativa.
Os números do IDH mostraram que no Rio de Janeiro existe uma dramática diferença social, por exemplo no topo da listagem, entre os bairros nobres da cidade estão: Lagoa, em 1º lugar, com IDH de 0,902; a Gávea em 2º com 0,896; Jardim Botânico em 3º, com 0,894; o Leblon em 4º, com 0,894 e a Barra da Tijuca em 5º, com 0,886. No lado inverso da tabela ficaram os primos miseráveis, a saber: Santa Cruz (rural), o pior de todos, com IDH de apenas 0,558; Acari, em penúltimo com 0,573; Complexo do Alemão, em antepenúltimo, com 0,587; Rocinha, com 0,591 e Complexo da Maré, com seus míseros 0,597.
Isso sim é um exemplo pragmático de desigualdade social, que ocorre bem debaixo dos nossos olhos e na maioria das vezes esquecemos de prestar atenção, talvez por conveniência, por hipocrisia ou por vergonha, como bem disse, Zuenir Ventura, uma cidade partida. Não façamos destas páginas ‘muro de Lamentações’, com choramingas e apelos para sensibilizar o governo, nem precisamos de outras formas de muros para sobreviver ao caos urbano da nossa cidade outrora maravilhosa, ou seja: de ‘muros Berlim’ ou ‘Muralhas da China’ como os condomínios já fazem veladamente.
Notamos que Bangu é a região onde há a maior quantidade de homicídios, mas também sabemos que a violência é um câncer generalizado e em metástase, pois vem se espalhando por todos os bairros cariocas, municípios limítrofes, outros estados, até mesmo nas cidades do interior, antes tidas como reduto do aconchego e da segurança.
Portanto não foi ao acaso que escolhemos falar de Bangu, ora, outros bairros cariocas já tem seus defensores ferrenhos, sejamos bairristas por um momento e lutamos por nossa região. Principalmente, pelos seus moradores que sofrem com a violência, pelos profissionais do ensino que precisam lecionar para alunos destas comunidades marcados pela cisão de valores morais, pelo pessoal da área médica que lida com o resultado final dessa violência, por muito mais...por isso, é bastante confortável escrever sobre o assunto e sobre a localidade, uma vez que observa-se diariamente a conseqüência e ouve-se por diversas vias que há uma contenda não declarada ceifando vidas jovens que poderiam estar produzindo para o progresso do país.
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