sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A MODERNIZAÇÃO DO CAMPO NO BRASIL

De Moderno só a Nova Concentração Fundiária

A modernização propalada para o campo no Brasil em termos de agricultura e pecuária foi do tipo conservadora, onde o sistema produtivo foi bastante dinamizado com a implantação (sem trocadilho) de novas técnicas agrícolas tanto de plantio como de melhoramento em sementes e ferramentas, como também de insumos químicos e biológicos modernos (pesticidas e fertilizantes), mas a estrutura fundiária continuou como nos séculos passados com péssima distribuição de terras e pouca produção nos latifúndios, e em algumas localidades se acirrou, concentrando-se as terras em mãos de empresários agrícolas ainda mais.

O importante nesse conceito é seguir uma base mais prática e menos teórica, pois sabemos que pequenas e médias propriedades dão melhores resultados do que os latifúndios que acabam sendo, na maioria das vezes, improdutivos.

No começo, aqui no Brasil houve uma verdadeira modernização com uso de produtos agrícolas químicos moderníssimos, provindos dos países do Norte e em geral refugo dos processos agrícolas de lá, ou ultrapassados para os padrões do Primeiro Mundo e alguns de proveniência duvidosa (antes usados na guerra como o gás mostarda camuflado e repaginado e outros gases usados para servir como desfolhador de locais de matas fechadas).

Porém, alguns fatores foram esquecidos, mais uma vez o clima tropical demonstrou a falha nessa conduta de imitar o que dá certo nos países de clima temperado; as nossas pragas que são diferentes das encontradas nos países hegemônicos; a mão-de-obra que aqui é abundante ficará sem trabalho com a introdução de máquinas e inchará ainda mais as cidades já empanturradas; o solo brasileiro que não é tão rico sofrerá os efeitos danosos da utilização em larga escala dos insumos químicos e por fim a adaptação das ervas daninhas e dos insetos que em suas mutações conseguirão resistir aos pesticidas e exigirão mais tecnologias ‘novas’ e milagrosas, o que aumentará a dependência dos países desenvolvidos.

sábado, 23 de agosto de 2008

A AGRICULTURA NO TERCEIRO MUNDO (PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS E EM DESENVOLVIMENTO)

A Revolução Verde e o Fracasso Negro

A Revolução Verde previa, através da mecanização e da tecnologia, a suplementação da agricultura do ‘Terceiro Mundo’. Com a utilização das máquinas agrícolas, com as novas técnicas e tecnologias no aproveitamento de sementes e demais insumos, a ajuda da química moderna e seus fertilizantes e pesticidas, poderia se adequar os diversos tipos de solos e torná-los produtivos e combater as pragas, o que deixaria a agricultura de países pobres em condição de sustentar a demanda da crescente sua população.

No começo houve um ganho na colheita, mas com o passar do tempo, por não levarem em conta a adaptabilidade das pragas aos pesticidas, nem o clima tropical (em sua origem a Revolução Verde foi criada visando o clima temperado), o relevo de alguns países e o esgotamento do solo devido ao uso indiscriminado, os métodos da Revolução Verde passaram a se mostrar muito inadequados à realidade do Terceiro Mundo tropical.

Outros danos causados direta ou indiretamente pela Revolução Verde foram: a saída do camponês para as cidades devida a mecanização da agricultura, gerando problemas urbanos dos mais diversos, como favelização, violência e desemprego.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

CIDADES NADA HABITÁVEIS 6

OUTRO GARGALO NO ORDENAMENTO URBANO: VONTADE POLÍTICA

Quando os governantes pensam em gastar não levam muito em consideração os custos. Mas quando é para investir em infra-estrutura ai começam as desculpas. Não querem gastar um centavo, alegando que essas obras saem muito caro.

O que sai caro é combater a poluição do ar e das águas dos rios, também é bastante custoso enfrentar os engarrafamentos que são gerados pelo falto de não termos um bom sistema de transporte coletivo.

Caso houvesse um prefeito ou governador que realmente enfrentasse o problema sem politicagem, secaria a fonte de factóides e os políticos ‘tradicionais’ estariam com os dias contados, como por exemplo, aqueles que prometeram uma linha de VLT para ligar a Barra da Tijuca à Zona Sul, e os diversos mergulhões que os ‘gênios’ do urbanismo inventam para solucionar os problemas do trânsito nas cidades, mas que até agora serviram para se mergulhar literalmente nos dias de chuva devido ao alagamento. Isso sem falar dos emissários submarinos, que tem servido mais para sujar do que limpar.

Na verdade, cada povo tem o governo que merece. Londres com a limpeza do rio Tamisa, enquanto São Paulo tem o Tietê esperando limpeza; Barcelona e a reforma urbana de verdade, enquanto o Rio de Janeiro convive com a desordem urbana; Detroit e a re-funcionalização do espaço urbano, enquanto no Rio de Janeiro a zona portuária espera a revitalização até hoje; Nova York e o programa tolerância zero (um pouco impraticável por aqui), e as cidades do Brasil tomadas pela violência; sem falar das bem sucedidas administrações de cidades canadenses e européias como Quebec, Toronto, Estocolmo, Lisboa, Oslo, Helsinque, etc. Mas, também temos bons exemplos por aqui, como Bogotá, que conseguiu reduzir os índices de criminalidade com projetos razoavelmente simples.

Todas essas cidades passaram por sérios problemas com a violência, a falta de moradia, a educação cidadã e a escolar, a saúde, etc. e souberam sair dessa situação com criatividade e vontade política, sendo essa segunda a principal responsável pelo sucesso de suas empreitadas. Mas mesmo aqui no Brasil temos algumas cidades médias e pequenas que se re-planejaram bem, e uma grande cidade (Curitiba) que soube se adaptar razoavelmente bem as exigências modernas, esses são exemplos a se seguir.

sábado, 16 de agosto de 2008

CIDADES NADA HABITÁVEIS 5

Os Meios de Transportes ‘Eletrizantes’

Outro ponto interessante seria o fomento do uso de eletricidade para os transportes de massa, como o Brasil é rico em potencial hidráulico sairia barato incrementar várias linhas ferroviárias.

Por que não começar por investir na melhoria da infra-estrutura das ferrovias já existentes dos trens de subúrbios e das linhas de bondes que ainda funcionam e das que foram desativadas? Por que não estender as malhas ferroviárias pelos novíssimos bairros e posteriormente interligá-las com as demais do país até que cheguem aos confins do Brasil? Além disso, por que não pensaram ainda num corredor de trens leves (VLT) no canteiro central da Avenida Brasil, com estações suspensas em bairros estratégicos.

Todos concordam que a manutenção do transporte ferroviário é demasiadamente cara, mas vivemos em um país que é um dos maiores produtores e exportadores de minério de ferro, praticamente matéria prima da ferrovia. Porém o custo/benefício é melhor do que o do transporte rodoviário, um exemplo disso é a ferrovia Transiberiana, que liga Moscou até Vladsvolstok na Rússia, que tem uma malha ferroviária tão extensa que é preciso de sete dias para atravessar gelo e neve da origem ao destino. Também não devemos nos esquecer do TGV francês e do trem bala japonês e do trem suíço que sobe os Alpes com suas rodas dentadas.

Aqui não falta dinheiro, falta vontade política de encarar alguns desafios, como, por exemplo, o de mudar o modal de transportes de cargas e urbano.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

CIDADES NADA HABITÁVEIS 4

O Superpovoamento Não Significa só Muita Gente

Nem sempre quando falamos de uma cidade super-povoada significa dizer que haja excesso de pessoas nela. Muitas vezes isso se deve apenas ao descompasso entre o número de habitantes de um lugar e os recursos desse local.

Um exemplo claro disso é o esgotamento sanitário provido pelo governo (saneamento público), mesmo se uma cidade tiver pouco habitante, mas não houver serviço de água e esgoto satisfatório dizemos que se trata de um local super-povoado.

O serviço de água e esgoto nas cidades brasileiras e na maioria das cidades do terceiro mundo é muito antiquado, em muitas delas, o esgoto é disposto à céu aberto, sem o menor tratamento, o que acaba poluindo os rios e ‘ressuscitando’ doenças que há muito haviam sido esquecidas, muitas delas extintas na maioria dos países desenvolvidos.

A solução simples, mas não muito barata, seria canais separados para a água que sai de cada tipo de utilização e para a água que sai suja dos esgotos (deveria ser assim desde o começo). Dessa forma poderiam ser usados os gases do esgoto para a produção de combustível e de energia (metano) a custo baixo para os fornos industriais, abastecimento de gás para as casas, etc. Isso já vem acontecendo numa cidadezinha da Inglaterra chamada Leicester.

O tratamento dos resíduos industriais e de metais pesados ficaria bem mais fácil se o encanamento de água que sai das residências e das indústrias saísse separado desde a origem.

Sabemos que essas medidas acabariam saindo muito caras para os governos, mas à longo prazo, compensariam muito. Mas não interessa muito aos governantes esse gasto em infra-estrutura, pois a maioria das obras ficaria enterrada e o eleitor não veria o resultado.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

CIDADES NADA HABITÁVEIS 3

O Superpovoamento das Cidades

Sem dúvida um dos maiores problemas para as grandes cidades e também para o planeta em si é a superpopulação. Isso porque a maioria das grandes cidades e muitas das que estão se metropolizando já estão no limite de agüentar o impacto que a sua população crescente causa. Esse aumento desenfreado da população fez com que as prefeituras tirassem da cartola um jeitinho bem brasileiro de evitar o colapso, o rodízio.

No caso de São Paulo, o rodízio virou o assunto do momento, e esse não é o rodízio das churrascarias e pizzarias. É rodízio de carro, rodízio de água, rodízio de rebeliões nos presídios, e por ai vai. No caso do rodízio de carros, automóvel com determinadas placas não podem circular em certos dias; no caso do rodízio de água, algumas ruas têm seu abastecimento cortado em determinados dias e às vezes bairros sim bairro não tem água. O rodízio de penitenciárias tem os mesmos motivos dos outros, a saber: excesso de população.

Devido ao excesso de pessoa, São Paulo poluiu seu ‘principal’ meio de fornecimento de água, o rio Tietê, e por isso tem que retirar água de adutores próximos, de rios de municípios vizinhos e isso acaba encarecendo ainda mais o processo. Na verdade, a população já está sendo taxada indiretamente por esse processo, é até justo que haja uma cobrança direta, pois a população é uma das maiores poluidoras dos rios, devido a falta de educação e de consciência ecológica e mobilização social para cobrar dos governos atitudes, como foi feito em Londres com o rio Tamisa.

Recife também raciona sua água, também encarece os serviços para compensar o desperdício e a falta de consciência de sua população. O caos é ainda maior porque no Nordeste o clientelismo é muito forte, o que dificulta uma tomada de posição dos governantes locais.

Sem dúvida o impacto da superpopulação é algo a se considerar em relação ao futuro das cidades, pois a cada dia fica mais difícil a situação dos cidadãos. Uma saída seria a inversão de uma tendência mundial, a de tornar o êxodo rural em êxodo urbano, ou seja, o caminho contrário, distribuirmos a população das cidades grandes pelas cidades médias, cidades pequenas e pelo interior, numa espécie de retorno ao mundo rural.

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