sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O FUTURO DO EMPREGO É QUE ESTÁ EM JOGO

A QUESTÃO DO EMPREGO ESTÁ MUITO ALÉM DO QUE OCORRE NO LIMIAR DO SÉCULO XXI

O mundo vive os últimos momentos de um sistema em que tudo se podia em nome do ganho. A fartura é um ato incondicional proporcionado pelos lucros incontroláveis em qualquer atividade. Ora, tinha gente que fazia trabalho pro-bono e ganhava com isso. Pra você ver o absurdo a que chegamos neste inicio de século.

Mas a farra do boi acabou, e certamente muitos sentirão saudades desse tempo de bonança. Mas você há de convir que essa bonança era falsa, baseada em algo que não existia na realidade, em riqueza virtual, e a palavra virtual significa algo que poderia vir a existir segundo determinadas condições pré-estabelecidas.

Essas condições jamais aconteceram, e jamais aconteceriam, e finalmente, para encerrar o assunto jamais acontecerão. Pois o capitalismo é assim mesmo, alguns ganham e muitos perdem. E em alguns países como os africanos e alguns latino-americanos e asiáticos todos só perdem. São lugares que se especializaram em perder.

Só que me preocupa hoje é a criação de empregos para suprir a demanda populacional e social que teremos até o final deste século. Sei que não viverei para ver o que ocorrerá, mas noto que todos estão muito preocupados com o que está acontecendo agora com essa crise criada pela ambição desmedida. Em breve, essa crise estará controlada, pois só depende de firmeza norte-americana, e o Obama parece que tem essa firmeza. E se os Estados Unidos mandarem, os demais países farão o que se pede.

Apesar de a economia americana estar em crise, os americanos conseguiam o que queriam economicamente sempre, somente eles têm a capacidade e o know how para tirar o mundo de novo de uma crise, e se comparar com a crise de trinta, esta crise atual é bem fraquinha. Porém se for comparar este presidente atual com o outro, este também é bem fraquinho, convenhamos.

Daqui há sessenta anos, o mundo terá o maior déficit nos empregos. Se o que há hoje já assusta, imagine colocando-se mais dois bilhões e meio de pessoas, por baixo, nessa equação. E a tendência é de escassearem mais ainda o número de empregos formais e a inflação dos empregos informais. Muito do que hoje é considerado trabalho humano será substituído por formas humanóides de trabalhador. Quando especialista previram isso para as industrias automobilísticas na década de trinta, formam ridicularizados. Sei que muitos riram desta afirmação que fiz. Mas quem viver verá robôs dirigindo ônibus e dando troco, caso ainda exista quem queira pagar com dinheiro.

Compraremos em hipermercados sem sair de casa, pois a internet será em breve mais confiável do que as ruas das cidades, e um auto-dirigido levará as compras e você poderá ficar com a gorjeta. Imagine: só nisso foram-se o emprego da caixa, pois teremos um robô caixa infalível; do entregador; do gerente, pois um softwere dará conta de tudo; dos seguranças; etc. multiplique isso por quase todas as atividades em que o elemento humano seja dispensável.

Isso é o que me preocupa, essa imensa massa de excluídos que nem de mão-de-obra de reserva servirá. Será o caos. Quem fará essas pessoas fazer alguma coisa? Esse mundo que não verei em vida, mas já vislumbrei em sonhos é que mais me assusta. Nossos filhos e netos estarão aí pra ver e participar disso, mas cabe a nossa geração evitar essa robotização do mundo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

DAS CINZAS DA CRISE ECONÔMICA PODERÁ NASCER UM BRASIL MELHOR

OS BRASILEIROS SOBREVIVERÃO À CRISE ECONÔMICA MUNDIAL

Se existe algo que ninguém duvida, é do poder de superação do povo brasileiro. Porém, não seria muito sensato achar que a crise econômica mundial é só uma marolinha. Também, por outro lado, devemos confiar nas instituições econômicas e financeiras do nosso país, particulares e privadas, bem como nas nossas demais empresas que têm se mostrado bastante sólidas.

Essa crise nos pegou em um momento de euforia, mal acabávamos de encontrar um Iraque de petróleo, que achamos na camada pré-sal, começávamos a discutir o destino do dinheiro que proviria desta reservada incrível do óleo que move o mundo e planejávamos um fundo soberano para gerir a dinheirama que adviria da exploração dessa riqueza, veio o sinistro. A farra do boi imobiliária nos Estados Unidos acabou com a festa da prosperidade mundial.

Mas a crise não traz só notícia ruim e desgraça. Quem tiver criatividade e força de vontade e não fugir da labuta terá boas oportunidades de se inserir de maneira positiva no mercado mundial. Os ganhos a partir de agora não serão astronômicos como antes, mas compensará e muito o esforço.

Algumas áreas têm se mostrado bastante promissoras, mesmo com a crise. Como por exemplo, a área de energia limpa, da produção consciente e ecológica de víveres através de uma agricultura ecologicamente correta, a produção de bens duráveis de melhor qualidade e segurança, bem como de bens de consumo adequado em preço e qualidade para o novo padrão de consumo.

Para os micro-empresários a situação vai ficar bastante desgastante, pois o lucro minguará quase ao preço de custo em seus negócios, porém, mais uma vez, aquele que tiver perseverança será agraciado com a queda da concorrência que visa o lucro fácil, o que carreará suas cadernetas de cliente para aquele que não desistiu de seu negócio, mesmo contando com pouca gordura para queimar.

Algumas áreas de serviço serão criadas e outras que já existem terão uma turbinagem no seu campo de trabalho, será preciso ensinar o novo consumidor a viver neste admirável mundo novo que vislumbramos. Será preciso mais gente para dar conta da redução de cargas horárias, que é necessário para não se podar mais empregos. Serão necessários muitos trabalhadores informais para serviços que liberem as pessoas para ocupar novos serviços de 4 ou 6 horas diários, pessoas que cozinhem para alimentar essa massa novos trabalhadores, que limpem, que lavem, que passem, etc.

Imagino que o governo atento à isso tudo incentive esses novos trabalhadores autônomos e aos informais que façam da guia de previdência social uma amiga intima. Bastando para isso veicular alguns reclames na televisão e no rádio, de maneira bem didática, que mostre as situações de dois trabalhadores acidentados e suas famílias, um trabalhador que não paga sua GPS e o outro, previdente, que paga. Enquanto o primeiro veria sua família passar necessidades pelo fato de não ser coberto pelo seguro social o outro estaria tranqüilo, esperando se recuperar plenamente enquanto sua família não estaria em maus lençóis.

Quanto às empresas e às instituições econômicas e financeiras não tenho o menor temor, esses já aprenderam a lidar com crises, se é que vocês não se lembrem, aqui no Brasil somos pós-graduados em crises internas, quem já conviveu com hiperinflação e reserva de mercado de informática e restrição à compra de alimentos e produtos importados, não se assusta com qualquer crise, mesmo esta que ocorre no seio do capitalismo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A CRISE NA ECONOMIA SERÁ DEFINITIVAMENTE UMA VOLTA AO KEYNESIANISMO (2)

O mundo sepultará de vez o neo-liberalismo?

Ao que tudo indica, a partir de agora o liberalismo econômico será só mais uma utopia. Uma vez que a cada dia fica mais nítido o discurso estatizante dos chefes de estado mundo afora. Como já era esperado o keynesianismo está de volta com força total e não há mais espaço para aqueles que queriam um mercado descontrolado e todo poderoso.

Nos últimos tempos neo-liberalismo era sinônimo de globalização e desenvolvimento, erroneamente, é claro. Todos atribuíam ao mercado um poder milagroso que ele não possuía, o de poder levar estabilidade econômica e social para qualquer parte do mundo, desde que o deixassem se auto-regular.

Não foi o que aconteceu, nos principais berços neo-liberais eclodiu a pior crise econômica jamais vista e imaginada. Foram os Estados Unidos de Bush, e de outros republicanos como o Bush pai e Ronald Regan, a Inglaterra de Tony Blair, e de outros liberais britânicos como Margareth Tatcher (a dama de ferro) que inventaram a idéia de por em prática em nível local e mais tarde global as experiências do mercado solto o neo-liberalismo, seguindo a cartilha de Adam Smith e posteriormente a de Milton Freedman.

Durante muito tempo o novo liberalismo era visto como uma panacéia para todo o mal monetário e financeiro. Mas na verdade foi apenas um paliativo. Em alguns casos de fato houve certa melhora nas condições de vida de alguns países que de pobres passaram a remediados ou que de remediados passaram a enriquecer após migrarem para uma política de livre mercado.

Mas com o tempo e com a acomodação dos resultados houve decréscimo no rendimento da atividade financeira e quase todos retornaram ao status quo ou ficaram bem piores que antes como no caso dos nossos vizinhos Uruguai e Argentina que já gozaram de um bom nível de vida décadas atrás, caíram para uma situação de pobreza, neoliberalizaram suas economias o que os fez crescer economicamente e depois voltaram a cair e hoje tentam se reerguer.

Agora chegou a hora de sepultar esse defunto que está começando a entrar em processo de decomposição. Já não dá para tentar experiências, pois não é só de números que é feita a economia mundial e local. O mercado tem que receber certa liberdade, porém quando esta é demasiada acaba ocorrendo distorções enormes que comprometem o padrão de vida das populações locais e, como bem comprovam os últimos lances dessa crise atual, de toda a população mundial, pois vivemos numa enorme corrente onde cada elo afeta os elos vizinhos.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A CRISE NA ECONOMIA SERÁ DEFINITIVAMENTE UMA VOLTA AO KEYNESIANISMO

O mundo volta ao modelo econômico do passado recente

O Estado como o motor, monitorador, controlador e o observador da economia. Parece que essa é a próxima lei da economia, pois como tudo indica que os princípios keynesianos serão ressuscitados para, mais uma vez, salvar o capitalismo. Digo mais uma vez porque em 1929, aconteceu a maior crise econômica pela qual o mundo já passou.

Na década seguinte a tão famosa crise de 29, o presidente norte americano Teodhore Roosevelt lançou mão dos princípios propostos por John Maynard Keynes para alavancar o desenvolvimento e a recuperação da economia estadunidense nas bases do estado de bem-estar-social, onde o governo é o grande provedor de financiamentos e fomentador do desenvolvimento.

Outra face desta prática é a total ‘observação’ do governo dos movimentos do mercado, este passa a ser controlado pela iniciativa pública até que possa caminhar com suas próprias pernas sem cair de novo. Sabemos que a curto prazo os resultados aparecem, porém o perigo de deixar o Estado super poderoso é iminente e preocupa no longo prazo, porque o Estado não é muito competente em lidar com questões dos lucros e da alocação dos recursos obtidos pelas empresas, além de ser pouco democrático.

Mas, o que estamos vendo agora é a volta ao estadismo, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama já dá mostra de ter lido a cartilha de Keynes e já está praticando o intervencionismo estatal na economia colocando vultosas quantias nas empresas e bancos. Na Europa, que nunca deixou de ser keynesiana em algum sentido, também estamos acompanhando uma volta aos estados fortes e interventores.

Por aqui, o governo brasileiro está dando demonstrações de que já há muito tempo Keynes era referência para o Brasil em termos de desenvolvimento e fomento econômico. Getulio Vargas e Juscelino Kubtischeck fizeram o país crescer muito usando de princípios keynesianos, foi o Estado e não a iniciativa privada que fomentava a construção e a implementação de infra-estrutura portuária e estradas, ampliação de ferrovias e construção de habitações. Depois foram as empresas criadas pelo governo ou encampadas por este.

Mas com o passar do tempo notou-se que as práticas keynesianas passaram a atrapalhar o desenvolvimento do mercado interno desses países e conseqüentemente afetar as importações e dificultar as exportações. Muito mais pelo teor autoritário de alguns governantes que se utilizaram da deturpação da Cartilha Keynes para aumentar seu carisma e manter em alta o populismo.

Reparamos hoje em dia que em época de eleições todos os governates são seduzidos pela idéia de se tornar keynesiano e sair fazendo obras e mais obras para dar uma falsa noção aos futuros eleitores de que devem ser mantidos no poder ad-infinitum, pois só assim teríamos completadas todas as obras do governo que se finda. Lula não é diferente, tenta com o PAC (Programa de Aceleração do Desenvolvimento) emplacar sua sucessora, uma vez que ele não pode se re-eleger de novo. E, convenhamos, não existe nada mais keynesiano do que o PAC.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O UFANISMO BRASILEIRO: A RESPOSTA 3

RESPONDENDO AO UFANISMO DE UM BRASILEIRO QUE SE PASSOU POR HOLANDÊS E QUE ESCREVEU TANTA BOBAGEM!

No auge da viagem na maionese, a escritora holandesa enumera nossas qualidades que só agradam aos estrangeiros, e se fizermos um exercício de hermenêutica notaremos as mensagens subliminares embutidas em suas afirmações e para terminar de maneira ridiculamente irônica ela faz uma oraçãozinha à moda Ave Maria, só para nos sacanear ainda mais. Vamos aos tópicos:

“Por que vocês têm esse vício de só falar mal do Brasil?”

Porque o Brasil é realmente uma madrasta e não uma mãe gentil como diz o nosso hino nacional. Pois aqui os direitos humanos são para os bandidos, porque o resto do povo não é humano é sub-raça. Que presidiário come melhor que pais de família. Que o Estado paga mil reais para manter um preso e paga R$ 415,00 para um trabalhador honesto. Que aqui tem mãe que bota filho na sacola de supermercado e descarta em qualquer lugar como se fosse lixo. Que político por aqui só vê o próprio umbigo. Que aqui é cada um por si e dane-se o resto. Acho que já chega, não é?

“1. Por que não se orgulham em dizer que o mercado editorial de livros é maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos a cada ano?”

Pode até ser que o Brasil edita mais livros que muitos países do Primeiro Mundo, mas isso não afeta em nada a falta de cultura do brasileiro, nós somos uns dos povos os que menos lêem no mundo. Muito disso pela influência africana (que tem preguiça de ler) e indígena (que não tinham nem escrita). Devo salientar que no Brasil escrever um livro é para poucos e editá-lo é quase impossível devido a burocracia, ao poder econômico e ao ‘apadrinhamento’.

“2. Que têm o mais moderno sistema bancário do planeta?”

É sim, nossos banqueiros são tops de linha. São os que cobram os juros mais escorchantes do mundo. Sendo que até por tossir dentro dos bancos você é sobretaxado. Tem um ditado de minha autoria que é o seguinte: ‘para matar um banqueiro atire no bolso primeiro e na cabeça depois’. Porque se atirar no coração ele não morre, pois banqueiro brasileiro não possui esse órgão. Sinceramente esse dado citado pela nossa querida ‘escritora holandesa’ é ridículo e devia ser motivo de vergonha e não de orgulho.

“3. Que suas agências de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios mundiais?”

Nesse quesito eu concordo plenamente, sou um fã incondicional do Woshington Olivetto, que só tem um defeito, ser corinthiano. E as nossas agências de publicidade são as melhores do mundo. Mas não se esqueçam de que o Duda Mendonça é um dos marketeiros, e é brasileiro.

“4. Por que não falam que são o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?”

No Brasil o empreendedorismo não é vocacional, é devido a falta de empregos formais, o que faz as pessoas terem que se virar e inventar seus próprios meios de vida. Porém, o fato é positivo, pois é a dificuldade que faz o monge. E como somos muito otários, as ONGs que vocês do Primeiro Mundo criam, vem aqui e se aproveitam da nossa boa vontade e trocam o nosso trabalho voluntário por muito lucro (isso sem falar das ONGs que só vêm para cá afim de biopirataria, compra de terras na Amazônia, prostituição, escravidão moderna, rede de pedofilia, etc.). Sei que existe muita ONG do bem por aí, mas boa parte é composta de picareta (estrangeiros e brasileiros).

“5. Por que não dizem que são hoje a terceira maior democracia do mundo?”

Considero o Brasil uma democracia incompleta, pois se você é obrigado a votar deixou de lado um dos direitos básicos que é o de se negar a participar de algo em que haja discordância. Se você não simpatizar com nenhum candidato de um pleito tem que votar assim mesmo, isso não é nada democrático. Também não considero as demais democracias como a dos Estados Unidos, índia, etc. como completas. Pois lá como cá ainda faltam alguns ajustes, sendo que na índia nem todos tem os mesmos direitos nos sufrágios.

“6. Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados?”

Isso deve ser piada, quando os políticos brasileiros punem alguém que não seja do povo, é porque essa pessoa não participa das falcatruas ou faz parte de algum grupo político inimigo. No mais, o que os nossos congressistas gostam de fazer é criar cargos para os amiguinhos, aumentar seus próprios salários, protegerem-se mutuamente, e coisas desse tipo.

“7. Por que não se lembram que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem?”

Isso só mostra o quanto somos idiotas, e os estrangeiros também. O italiano que foi socorrer o pai que fora assaltado e acabou sendo atropelado por um ônibus na Zona Sul deve ter aproveitado muito da nossa hospitalidade. Os portugueses, franceses e alemães também, que foram assaltados, espancados, achacados por policiais, etc. também devem estar fazendo uma bela propaganda do nosso país. Quando tentamos falar suas línguas é por que queremos vender um monte de badulaque para vocês e nossos gestos são para que vocês confirmem aquilo que sempre acharam: que somos macaquinhos de imitação (não hermanos?).

“8. Por que não se orgulham de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando.”

Deve ser muito ruim ser holandês e não ter motivo nenhum para rir, porque lá vocês não têm mazelas, não é? Ah, deve ser por isso que vocês europeus são duros na cintura e não sabem rebolar e sambar como nós brasileiros, porque na Europa não há motivo para ter desgosto.

“É! O Brasil é um país abençoado de fato.”

Também acho, a natureza foi condescendente conosco, porém os colonizadores não. O povo daqui não é como vocês europeus, que fazem as coisas pensando no coletivo e por aí vocês sabem bem o significado da palavra comunidade, que aqui é sinônimo só de favela.

“Bendito este povo, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos.”

Na Holanda vocês nunca devem ter ouvido falar de preconceito velado. Pois aqui ninguém tem coragem de admitir, mas essa tolerância toda que é aventada aos quatros cantos é só da boca para fora.

“Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques.”

Ela diz isso porque não tem que aturar as piadas a respeito das diferenças físicas, dos sotaques e os preconceitos que sofrem os nordestinos, nortistas e sulistas que por ventura vieram para o Sudeste (que é uma espécie de Europinha, com o carioca que se acha francês, o paulista que se diz norte americano e italiano em miniatura e o mineiro que se acha um enclave dos Estados Unidos).

“Bendito este povo, que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente.”

Nós não podemos, infelizmente, escolher o clima. Em particular, eu odeio o calor insuportável do Rio de Janeiro. Para quem está com a vida ganha até que é bom um forno para se tostar e uma areia para se empanar, mas para a maioria dos mortais brasileiros esse sol de rachar mais atrapalha do que ajuda. Se nós temos verões que dão uma cor, temos enxurradas por causa desse clima monção. Nada é perfeito.

“Bendita seja, querida pátria chamada Brasil!”

Definitivamente esse texto foi escrito por um brasileiro que gostaria de transformar o Brasil em um ‘Estados Unidos da América do Sul’. E isso é coisa de paulista (já se acham a Califórnia brasileira). Esse ufanismo que beira o ridículo não é comum ao europeu, excetuando o francês. Como plagiou a oração ‘Ave Maria’, deve ser católico praticante. Nada contra paulista e católico, mas por que se esconder debaixo de um disfarce para elogiar o nosso país.

O Brasil é uma porcaria, mas sejamos sinceros: nós adoramos isso aqui!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O UFANISMO BRASILEIRO: A RESPOSTA 2

RESPONDENDO AO UFANISMO DE UM BRASILEIRO QUE SE PASSOU POR HOLANDÊS E QUE ESCREVEU TANTA BOBAGEM!

Continuando a análise do texto vamos aos dados do Instituto Antropos Consulting, citado pela autora do artigo. Lembrando sempre que com quase toda a certeza essa autora é holandesa de araque e não da Holanda e nem do Iraque (sem trocadilho).

Do mesmo modo como os portugueses fizeram com Tiradentes, vamos por partes, pedaço por pedaço.

“1. O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial”.

Ela é uma das poucas que crêem nesse tipo de informação. Recentemente a revista Superinteressante mostrou números que mostram o avanço da AIDS por aqui, principalmente entre os jovens até 20 anos (pelo destemor característico dessa idade) e os idosos (devido ao avanço nos remédios para disfunção erétil do tipo Viagra, levitra e cialis). Na verdade um dos países que estão despontando no combate às doenças relacionadas ao sexo é justamente a Holanda, lá as prostitutas ficam expostas em vitrines numa rua específica para a prostituição, porém, elas não aceitam de maneira alguma relações sexuais com exposição ao risco. Além disso, o serviço médico por lá é invejável, sendo que o aspecto principal da saúde pública é baseado na informação e na prevenção.

“2. O Brasil é o único país do hemisfério sul que está participando do Projeto Genoma”.

Ora, há duas formas de perceber a informação acima. A primeira é no caso dela se referir ao hemisfério sul geográfico. Aí além do Brasil temos África do Sul, Austrália e Nova Zelândia como países de economia bastante diversificada, industrialização de ponta e investimentos sociais notáveis.

Porém se ela se refere ao hemisfério sul geopolítico, exclui-se da equação os dois últimos países (Austrália e Nova Zelândia, porque apesar de se encontrarem no hemisfério sul geográfico tem mais semelhança com os países desenvolvidos que são maioria no hemisfério norte). Neste caso a coisa piora bastante, pois ficamos somente com a África do Sul como companheira de desenvolvimento.

Sendo a áfrica do Sul, ainda um país em reconstrução após décadas de apartaid e que convive com graves diferenças raciais e sociais. Então não é lá grande coisa participar do Projeto Genoma Humano, ainda mais porque por aqui a igreja católica tem conseguido bloquear diversos avanços na área. Ou seja, é um dado interessante, mas ainda é muito pouco para o potencial que temos.

“3. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária”.

Nesta hora pensei que a autora que se diz holandesa fosse na verdade carioca, mas vejo que esse fato é um dos que mais procedem. Por incrível que pareça, o carioca é o mais solidário entre os citadinos que vivem em metrópoles, mas isso se dilui quando o Rio de Janeiro é comparado com outros municípios com menos de quinhentos mil habitantes.

“4. Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava informatizado em todas as regiões do Brasil, com resultados em menos de 24 horas depois do início das apurações. O modelo chamou a atenção de uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a credibilidade do processo”.

Já comentei sobre estes dados eleitorais, e reafirmo, os nossos políticos fraudam até votação eletrônica. Realmente os Estados Unidos conseguem piorar ainda mais o que já é complicado. Suas eleições parecem uma mistura de drama com comédia, só perde pras nossas no quesito ação, pois lá não tem quase o voto no cacete, muito comum por aqui.

“5.. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina”.

Nossa! Isso é realmente algo muito motivador, se somos 40% dos internautas na América Latina devemos ser uns 0,5% no mercado mundial? Por que o grosso dos acessos à internet é repartido entre: Europa Ocidental (zona do euro), América do Norte e Ásia (principalmente o Japão). Lembre-se que os países mais fortes da América Latina (ou latrina) são: México (que se diz América do Norte, por causa do NAFTA), Argentina, Venezuela (do Chaves) e Brasil. Então, não fique todo se achando por conta dessa informação.

“6. No Brasil, há 14 fábricas de veículos instaladas e outras 4 se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma”.

Outra informação da qual não devemos nos orgulhar, apesar de gerarem empregos diretos e indiretos, nenhuma das montadoras de veículos pertencem ao povo brasileiro, o que significa que em tempos de crises haverá debandada dos investimentos ou fechamento das fábricas, ou no menor dos prejuízos demissões em massa. Os países vizinhos aos quais se refere a autora são os mesmos da citação acima, o que não nos orgulha muito sermos melhores do que eles, porque na maioria são países muito pobres ou até miseráveis.

“7. Das crianças e adolescentes entre 7 a 14 anos, 97,3% estão estudando”.

Se as escolas daqui fossem iguais às da Holanda esses números seriam algo impressionantes e conotariam uma excelência. Porém, nossas escolas são sucatas e nossos professores são mal formados e ganham salários miseráveis, beirando quase ao atestado de pobreza. Deve-se ressaltar que a maioria das crianças que vão para a escola no Brasil é para encher a barriga, porque em casa a maioria não tem o que comer. Esses dados me lembram a estimativa recente que fiz da quantidade de pessoas locais que (do bairro de Padre Miguel) pararam para comemorar o feriado da Consciência Negra, a adesão da população miguelense era de aproximadamente 95%, mas todos estavam no fundo interessados na feijoada do Zumbi, sendo que a maioria nem sequer sabia de que feriado se tratava.

“8 e 9. O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês. Na telefonia fixa, o país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas”.

Ora, também somos campeões em reclamação no PROCON, devido ao péssimo serviço prestado e nesse caso aqui o ditado que vale para gente é o oposto do que vale para os hispânicos que dizem “menos és más!”, o nosso seria mais é menos, pois temos muitas empresas de telefonia celular e modelos de telefones quase de ponta (o I-Phone ainda é utopia por aqui) e isso não necessariamente significou um serviço no mínimo aceitável. No que tange aos serviços de telefonia fixa, aqui o que temos é piada de mau gosto, ainda é cobrada assinatura, coisa extinta em quase todos os países, principalmente nos de Primeiro Mundo, onde serviço de telefonia, luz, água e esgoto, são considerados serviços essenciais.

“10. Das empresas brasileiras, 6.890 possuem certificado de qualidade ISO-9000, maior número entre os países em desenvolvimento. No México, são apenas 300 empresas e 265 na Argentina”.

Outra vez o engana trouxa, comparar o Brasil aos cambetas México (escabelo dos Estados Unidos) e Argentina (vocês lembram que o país praticamente faliu e deu cano no FMI?) é brincadeira de criança. Quero saber à quantas andam nestes quesitos os países em desenvolvimento como a Coréia do Sul, China, Índia, Rússia, etc. Quando estivermos melhor que estes eu ficarei satisfeito, pois não será mais do que nossa obrigação ultrapassá-los.

“11. O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos”.

De fato temos uma indústria de aviação moderníssima e competitiva (quem não se lembra do embate com a canadense Bombardier, que quase nos bombardeou de raiva de perder o mercado), porém esses jatos e helicópteros servem às populações que são sempre as privilegiadas no Brasil, não é por acaso que detém 80% da renda nacional e são a minoria da população. Mais uma vez, não fique feliz com esses dados.

No próximo post comentaremos com bastante humor as explanações ufanistas da escritora holandesa, nos conclamando ao patriotismo infundado.

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