sábado, 25 de março de 2017

ABORTO E DROGAS, POR QUE NÃO LIBERAR DE UMA VEZ?


Abomino todas as drogas. Se eu fosse mulher e estivesse grávida, jamais abortaria. Mas, quem sou eu para julgar? Como disse certa vez um certo apóstolo de Jesus: "Tudo me é LÍCITO, mas nem tudo me convém"

Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém. Quer dizer que nada é proibido, porém muitas coisas deveriam ser evitadas, apesar de sermos livres para o uso. O Apostolo Paulo quis dizer justamente isso. Quem quiser fazer aborto ou usar drogas terá a licitude para isso, mas quem é a favor da vida e de não se sujar com substâncias podres, que não aborte e não use drogas. É simples assim. Proibir só traz ruína.

Mas aí, entram em cena os xiitas religiosos pseudo defensores da vida. Ora, veja no dicionário e nos livros de biologia o significado de vida. Esses radicais da vida comem carne e cortam plantas e até árvores para se alimentar.


Acabar com a vida de um boi que não cometeu nenhum pecado para servir de comida para nós pode? Ceifar a vida de uma planta para alimentação pode? Então, a vida é seletiva? Tem a nossa e a deles? Creio que não é assim. Vida é vida.

Se for para pensar em colocar a vida em primeiro lugar só poderemos comer algo que caia do pé, ou carniça e despojos ou sobras da refeição de algum carnívoro irracional.

Nós, como dominamos o mundo colocamos como se uma vida valesse mais do que outra. Mas a vida vale igual. Pensar de modo diferente é relativizar puxando a brasa para a sardinha da humanidade.

Só porque os animais são irracionais e as plantas parecem não registrar dor e sofrimento nos dá o direito de matar? Quem nos deu essa prerrogativa? Vida é vida. Nós somos iguais a eles. Somos todos seres vivos iguais. Mas segundo o deus inventado pelos humanos para justificar tudo o que fazemos, nós somos os superiores. A natureza considera vida desde as plantas e os fungos e bactérias, até os animais. Mas inventamos a tal da ética, não é não? Então a ética serve para matarmos os demais seres vivos, menos os de nossa espécie, sem pesar na consciência.

Para a natureza, tudo isso é vida: plantas e animais. Nas aulas de biologia e química tem a receita. Nós é que relativizamos para não ferir nossa ética. Mas quando a fome aperta, até canibalismo os religiosos já fizeram. E depois vem querer falar de ética e de ser contra aborto. Essa justificativa de ser a favor da vida não se sustenta. Basta dizer que não sou a favor de aborto porque meu líder o condena. Simples.

Sabemos que nós é que somos o câncer do planeta, mas nos achamos superiores e escolhidos por um deus que nós mesmo inventamos para justificar nossas crueldades e pedir perdão para esse ser invisível inventado quando for preciso. Isso é muito cômodo. Beira o cinismo.

Prefiro a verdade nua e crua. De que sou um ‘assassino’ que mato outros seres (plantas e outros animais) para me alimentar. A verdade dói, mas é a verdade. Nosso lado animal duela com o "humano" o tempo todo. Temos que aceitar que é assim. Nada é sem custos. E precisamos nos acostumar a arcar com consequências de atos que tomamos individual ou socialmente.

 Esse é o problema fulcral, que nós temos consciência (nem todos, não é?) de que precisamos matar para comer e os demais animais não. Daí eles matam sem culpa e nós (eu pelo menos) não. Já pensei em viver como aqueles monges, mas meu lado onívoro fala mais alto sempre. Porém, os demais atentados contra a vida eu consigo conter, não abortaria jamais e muito menos usaria drogas, a não ser o álcool, que de maneira moderada é saudável individual e socialmente.

O que mais mata nessas questões é a hipocrisia de muitos cristãos e demais religiosos, que abortam e depois dizem que são contra o aborto, é tipo o maconheiro que fica pedindo paz vestido de branco, mas ajuda a sustentar a guerra pelas drogas.

A hipocrisia desses pseudo religiosos beira ao ridículo. O crescei e multiplicai está aí para comprovar. Se cada casal de cristão não tiver pelo menos 15 filhos, é sinal de que pecaram contra a vida.

Legalizar as drogas e o aborto não quer dizer que vai ser oferecido de casa em casa o produto, quem faz isso são as Testemunhas de Jeová com a ‘salvação’. Apenas dará a quem quiser fazer aborto e usar droga uma saída da clandestinidade, e ao Estado números e instrumentos para coibir abusos e tratar os danos.

Tornando lícitas essa coisas, quem quiser fazer aborto ou usar drogas terá feito ou usado às claras, pagando impostos e gerando um número para controle governamental.

A conta é fácil de fazer, mas quem não tem facilidade com matemática e leis de mercado, não vai entender: quer ganhar um lucro exorbitante, basta colocar na clandestinidade qualquer serviço ou produto. Esse produto não será taxado, o lucro será maior do que 100%, não descontará IRPF, o desejo pelo proibido levará milhares até ele, muitos matarão e morrerão por causa dele e muitos mais (cinicamente) condenarão a prática colocando a religião na frente como um escudo.

Por isso que digo que é preciso liberar o aborto e o SUS passar a ter clínicas especializadas para atender as mulheres pobres. Além de cadastro, terá segurança. Não sou a favor do aborto. De forma alguma. Também não sou a favor do estado ou da religião mandar numa questão que é a mulher quem decidirá. Ao estado e a nós, resta apenas confortar a pessoa que precisou fazer, e punir a que faz reiteradas vezes (ficará no cadastro) por pura maldade consigo, que não faz uso de métodos contraceptivos e com o feto.

Do jeito que está só os ricos se dão bem, que usam as drogas na segurança do lar e abortam em clínicas de primeiro mundo. Os pobres, sempre se ferrarão, usando ‘açougueiros’ para abortar e se endividando com traficantes, que não usarão o SPC e nem o SERASA para cobranças de dívidas.


E sabe o que é o pior? A maioria contra a legalização do aborto e das drogas é composta de pobres religiosos ou não.

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