segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O CONE SUL: UM QUINTAL NORTE-AMERICANO

Sempre pareceu muito pouco lógico o MERCOSUL, afinal de contas é sempre mais vantajoso vender para quem tem mais dinheiro, no caso para os Estados Unidos, Japão e Europa e que para entrar nesse ‘clube’ de países ricos o Brasil deveria esquecer de alguns vizinhos complicados, que nos dão mais prejuízo e dores de cabeça do que lucro.

O conceito do que vem a ser um mercado comum no Cone Sul é complicado, são países com economia, política e costumes diferentes. Alguns já foram ricos e hoje são pobres como o Uruguai e argentina, o outro tentou um modelo de desenvolvimento industrial alternativo há cerca de dois séculos atrás e foi impedido pela truculência de vizinhos de MERCOSUL e da potência hegemônica da época (Inglaterra) e depois disso jamais saiu da miséria como é o caso do Paraguai, ou nos surpreende com bastante crescimento econômico e social como o Chile, que tem servido de exemplo ultimamente, mas que já dá sinais claros de esgotamento e no nosso caso, um imenso potencial para crescer, um território ecumênico e quase que totalmente aproveitável, mas que por abrigar todo tipo de mazela social e política, estará sempre na condição de emergente.

Esse mercado envolvendo o Brasil, a argentina, o Paraguai e o Uruguai, com a posterior associação de Chile e Bolívia como convidados especiais para esta ‘festa’ comercial, tão sonhada teve início prático em 1995 e agora agoniza por imposição externa e falta de visão á longo prazo dos governantes de alguns países membros. Por isso resolvi pesquisar a história comum desses países, e principalmente a história mais recente, da metade do século passado até o início deste conturbado século XXI, para tentar entendê-los e repassar as informações para os leitores de maneira resumida, porém sem ser muito ‘simplista’.

Há muito tempo vêm-se tentando uma união com os povos vizinhos da América do Sul, em especial aqueles que estão mais próximos geograficamente, como é o caso da Argentina, do Uruguai e do Paraguai, vizinhos de fronteira e solidários no que toca ao sofrimento mútuo e dominação do gigante do Norte. Seria interessante aos três vizinhos, que houvesse melhor entendimento e que passassem a agir como um único país, respeitando-se a diversidade cultural de cada um.

Ora, pedir que os brasileiros, os argentinos, os paraguaios e os uruguaios se entendam, soa demasiadamente pretensioso, não é mesmo? São três países com histórias diferentes, sendo que essa diferença é ainda mais gritante quando comparamos os hermanos com o Brasil social, política, econômica e culturalmente. Somos os únicos que falam língua diferente, fomos os últimos a pensar em libertação da Metrópole dominadora, o nosso país foi, sem dúvida, o que mais escravizou na América Latina.

Mas, já houve uma grande integração no continente, ela se deu num momento crucial para a história da América Latina, talvez até mais importante do que o próprio colonialismo europeu, que dilapidou nossos países. Estamos falando da Guerra Fria, da caça aos comunistas e subversivos, que numa dada época uniu para fins amorais países tão díspares como o Chile, Paraguai, o Uruguai, o Brasil e a Argentina.
Houve também a colaboração bastante importante da Bolívia e do Peru para o êxito dessa espécie de ‘enxugamento político’ da América do Sul da ameaça comunista e subversiva.

Essa união sob a batuta dos Estados Unidos da América teve um nome simbólico bastante adequado, Operação Condor, ora, o condor é na verdade um carniceiro, como o nosso urubu, mas que sobrevoa as Cordilheiras dos Andes, daí intuímos que os veículos utilizados para por em prática a ‘caça as bruxas’ deveria parecer bastante com o sinistro pássaro em seu desejo de carniça.

E não foi muito diferente, quando a Operação Condor levantou vôo, a carnificina foi considerável, haja vista a quantidade de desaparecidos nas décadas de ditadura e desmandos de generais e políticos responsáveis pela condução do continente de modo conveniente para com o grande irmão da América do Norte. O condor abriu suas asas sobre a América Austral, decolou, voou, comeu bastante ‘carniça’, para só ser abatido pelo processo democrático que remodelou a América do Sul no fim do século passado, começando de verdade no final da década de oitenta e se consolidando aos poucos em quase todos os países.

Agora paira uma ameaça no ar, com a debelação dos componentes do MERCOSUL, bem como de toda a América Latina (que os norte-americanos devem ver como América Latrina), estamos em via de ter empurrado goela abaixo uma espécie de ‘fórmula mágica’ ou ‘tábua de salvação’ neoliberal chamada Área de Livre Comércio das América, a ALCA, que parece ser apenas mais um instrumento de dominação norte americano, numa reedição de políticas recorrentes do tipo da Operação Condor, como uma nova visão piorada da “América para os americanos”.

Da maneira como estão (econômica e politicamente), os países do Cone Sul, e nesse caso também o restante da América Latina não se diferenciam muito, não estarão aptos à uma concorrência comercial nem sequer com o Brasil e o México, quanto mais em se tratando de duas potências econômicas gêmeas siamesas como são o Canadá e os Estados Unidos da América.

De fato todos seremos, inevitavelmente, esmagados em nossas economias e, sobretudo no que diz respeito a soberania, e receio que seja este, deveras, o intuito dos gigantes do Norte, que andam ‘mal das pernas’ e vêem na ALCA, e seus cerca 800 milhões de consumidores, a salvação de suas economias e um ‘elixir’ para revigorá-los para competir em pé de igualdade com a União Européia (essa sim uma verdadeira unificação) e com os países asiáticos mais dinâmicos.

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