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quarta-feira, 30 de julho de 2008
A GEOPOLÍTICA DA CRISE DOS ALIMENTOS: COMO A FOME AFETA O ORGANISMO
Quando uma pessoa para de se alimentar, deixa de fornecer ao corpo o essencial: energia garantida pela glicose. É necessária a ingestão de cerca de 1.700 calorias só para manter o metabolismo do corpo. Se não ingerimos, o corpo começa literalmente a “queimar calorias” para se manter vivo. O cérebro também vai perdendo a capacidade de comandar o corpo, a pessoa sente tontura, enjôo, náuseas e tem dificuldades para raciocinar. O cérebro, que percebendo a situação de falta de energia, manda mensagens para que os órgãos trabalhem menos afim de que os mesmos consumam menos energia. Se o organismo usar seus próprios recursos até o esgotamento e a situação de fome persistir, a máquina pára e a pessoa morre.
FONTE:
• Superinteressante. Edição 187, Abril 2003, p.37
A GEOPOLÍTICA DA CRISE DOS ALIMENTOS: A MISÉRIA É NOSSA
O Brasil é um dos mais ricos países dentre os países emergentes e subdesenvolvidos, e é o que, na média, têm o maior número de pessoas miseráveis no mundo dentre o conjunto dos países industrializados em desenvolvimento que é formado por Argentina, México, China, África do Sul, Paquistão e Índia, esta última que tem o maior quantitativo absoluto.
Temos um PIB (produto interno bruto) per capta de cerca de cinco mil dólares. Isso torna inexplicável a pobreza extrema de 23 milhões de brasileiros, mas também mostra que o problema pode ser atacado com sucesso se desenvolvidas políticas de inclusão social e combate a pobreza.
Porém o Brasil é um caso único. A miséria espanta em qualquer lugar do mundo, mas no caso do Brasil é moralmente inaceitável porque o país é o que tem o maior potencial agrícola do mundo, dando credibilidade ao ditado que diz: “Aqui se plantando tudo dá.”
O Culpado no Nosso Caso: Modelo Concentrado e Concentrador de Renda e Terras
O Brasil gasta cerca 21% do produto interno bruto na área social, mas os pobres ficam com a menor fatia desse dinheiro. Os 10% mais ricos da população recebem quase a metade dos recursos distribuídos entre aposentadorias milionárias, e essa conta também serve para a distribuição de terras agricultáveis no Brasil, onde a minoria detém quase 95% das terras. Cerca de 60% dos gastos com educação financia as universidades do governo, onde estudam os integrantes do topo da pirâmide, porque a competitividade é trapaceada devido às melhores escolas que os filhos da classe média alta e dos ricos estudam. Só cerca 2% das despesas sociais são destinadas a investimento em saneamento básico.
Vivendo Como Animais
Completamente excluídos das engrenagens de desenvolvimento da sociedade, os miseráveis são reduzidos a uma condição subumana. Seu único horizonte passa a ser a luta feroz pela sobrevivência.
FONTES:
• Revista Veja. 22 de Dezembro de 1999, p. 200 e 201.
• Revista Veja. 23 de Janeiro de 2002, p.82-93
• Superinteressante. Edição 174, Março de 2002, p. 47-51
• Superinteressante. Edição 187, Abril 2003, p.37
A GEOPOLÍTICA DA CRISE DOS ALIMENTOS: O MUNDO NO SÉCULO XXI
Nunca houve tanta comida no mundo, mesmo assim 800 milhões de pessoas estão passando fome. A humanidade conseguiu realizar uma proeza no século passado, através da Revolução Verde e das novas técnicas agrícolas, também com a ajuda da biotecnologia e dos alimentos transgênicos, ela conseguiu desmentir a equação formulada por Thomas Malthus no século 18 que previa: “a população cresce em progressão geométrica, enquanto a produção de alimentos, em progressão aritmética, sendo assim chegará uma hora em que haverá um descompasso entre a quantidade de pessoas e o alimento para sustentá-la”.
A pobreza é implacável, veja os seguintes dados:
• UM BILHÃO DE PESSOAS HABITAM EM FAVELAS;
• UM BILHÃO DE PESSOAS NÃO TEM ACESSO A ÁGUA POTÁVEL;
• UM BILHÃO E OITOCENTOS MILHÕES DE PESSOAS NÃO TÊM ACESSO A TRATAMENTOS SANITÁRIOS E A DESTINAÇÃO ADEQUADA DOS ESGOTOS;
• UM BILHÃO E TREZENTOS MILHÕES DE PESSOAS VIVEM COM MENOS DE UM DÓLAR POR DIA, OU SEJA, EM ABSOLUTA SITUAÇÃO DE POBREZA;
• MORREM CERCA DE OITO MILHÕES DE CRIANÇAS POR ANO DE DOENÇAS RELACIONADAS À FALTA DE SANEAMENTO.
FONTES:
• Revista Veja. 22 de Dezembro de 1999, p. 200 e 201.
• Revista Veja. 23 de Janeiro de 2002, p.82-93
• Superinteressante. Edição 174, Março de 2002, p. 47-51
• Superinteressante. Edição 187, Abril 2003, p.37
segunda-feira, 28 de julho de 2008
A Geopolítica dos alimentos transgênicos 3: São os transgênicos que fazem mal ou é a ignorância que atrasa o progresso?
As pesquisas ainda são ínfimas, o que leva a crer que há má intenção de grupos que querem a todo custo a difusão do uso dos transgênicos, sabemos que o efeito danoso destes organismos no ecossistema e no nosso próprio organismo se dará após várias gerações descendentes destes OGMs. O monopólio na produção das sementes dos fertilizantes, adubos e inseticidas também é deletério, também não podemos deixar as principais empresas agrônomas de fora da produção e do conhecimento das novas técnicas e tecnologias.
Há que se fazer mais experimentos, mais pesquisas em laboratórios de preferência neutros, inicialmente utilizar os OGMs em circuito fechado até a sua total dissecação, para que todos venham a ter certeza de sua utilidade e depois disso a sociedade dar o parecer final a respeito do seu uso em maior escala. Além disso, o Brasil dá provas de que é competente em pesquisas e desenvolvimento de técnicas de seqüenciamento do genoma de várias bactérias que atacam nossas lavouras, e em produção de alimentos, por cruzamento na mesma espécie de plantas mais resistentes.
A Geopolítica dos alimentos transgênicos 2
Definindo OGM
(Organismos Geneticamente Modificados)
Sem dúvida um dos assuntos mais amplamente discutidos na atualidade, os organismos geneticamente modificados, são uma realidade no nosso cotidiano. Já se vê produto modificado nas prateleiras de supermercados, mesmo que sem o devido aviso nos rótulos, que é uma exigência do IDEC Instituto de Defesa do Consumidor, por isso devemos conhecer melhor o que é o OGM ou transgênicos.
Mas, afinal de contas o que um OGM, os Organismos Geneticamente Modificados? Como já dissemos o OGM, Organismo Geneticamente Modificado, é na verdade, um organismo, seja do reino animal ou vegetal, que fora modificado geneticamente para satisfazer as exigências previamente determinadas pelo seu produtor.
Para tal é injetado neste organismo um gene selecionado de outra espécie, recebendo essa adição genética ele ganhará alguma característica preciosa, por isso o nome transgênico, o que forçosamente, modificará o seu comportamento e de toda sua descendência.
Alguns exemplos são: a soja da empresa norte americana Monsanto, que foi enriquecida com o gene de uma bactéria, para se tornar resistente à um agrotóxico, o de sua própria fabricação o Raundup; o milho da suíça Novartis, que mata a lagarta, sua predadora natural, por conter em seu DNA modificado, um gene da bactéria Bacilus Turingiensis (BT).
Outras empresas transnacionais como a Du Pont, a Dow Chemical, a Astra Zeneca, a Agrevo, entre outras, também se utilizam da tecnologia OGM, ou produzindo plantas ou insumos, como agrotóxicos, fertilizantes, etc. os quais só funcionam associados às plantas geneticamente modificadas, o que por si só já se torna uma espécie de monopólio biológico.
Essas empresas chegam até mesmo ao absurdo de tentarem patentear o gene da soja, como tenta fazer a tão famosa Monsanto ou criar uma semente previamente programada para cometer ‘suicídio’, como a exterminador, gene da planta saponaria oficcinalis, que é transferido para culturas (soja, milho, arroz...), tornando-as estéreis para um segundo plantio.
Países que utilizam OGMs
| Países | Área Plantada Em milhões de hectares |
| Estados Unidos da América | 28,7 |
| Argentina | 6,7 |
| Canadá | 4,0 |
| China | 0,3 |
| Austrália | 0,1 |
| África do Sul | 0,1 |
Fonte: Serviço Internacional para Aquisição de Agrotecnologia (ISAAA) – 1999
Boa parte dos países no mundo todo já utiliza largamente os OGMs, sendo que onde é mais amplamente difundido e aceito é nos Estados Unidos, nosso ‘vizinho de muro’ a Argentina faz parte de grupo seleto de plantadores de produtos modificados, sabendo que muito do trigo e da soja dos portenhos são transgênicos, nós, com certeza, consumimos à larga, em biscoitos, em massas e farinhas, muitos deles disfarçados.
A multinacional norte-americana Monsanto, planta 40 % da soja colhida nos EUA, 55 % da soja colhida na Argentina, faturando em 1999 cerca de U$ 1,2 bilhões. A cada U$ 4,00 que ganha com seus produtos, reserva U$ 1,30 para investir em pesquisas, desenvolvendo seus insumos que são, via de regra, atrelados as plantas, monopolizando, desta forma, todas as etapas do plantio até a colheita, com seus adubos, fertilizantes e agrotóxicos.
Área global plantada
| Ano | Área Plantada Em milhões de hectares |
| 1996 | 1,7 |
| 1997 | 11,0 |
| 1998 | 27,8 |
| 1999 | 39,9 |
Fonte: Serviço Internacional para Aquisição de Agrotecnologia (ISAAA) – 1999
Quem lucra com os OGMs?
- As empresas multinacionais são o setor que mais se beneficia, ficando com a maior fatia do bolo financeiro feito com os produtos transgênicos, sabemos que elas não visam a saúde da população o que vale para é o lucro rápido e fácil;
- Países inescrupulosos, que exportam seus produtos transgênicos para outros sem a devida bateria de testes, e/ou usam a terra alheia como cobaia, para não contaminarem as suas, como fazem muitos países europeus.
Quem perde com os OGMs?
- Empresas nacionais sérias perdem muito em pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias agrícolas, pois já compram o produto acabado e não renovável;
- Países que tentam elaborar políticas agrícolas tropicais, adaptáveis ao seu clima e necessidades, pois têm seu solo agredido pela sanha capitalista de plantar para exportar, preferencialmente produtos de plantation;
- O meio ambiente, porque ainda não há estudos sérios que comprovem que os OGMs não tragam malefícios ao solo, a água e aos lençóis freáticos.
A violência da ignorância – Você é a cobaia?
Já são encontrados em diversas redes de supermercados no Brasil produtos a base de OGMs, a saber: Salgadinhos BaCos, cereal Shake Diet, Cup Noodles, creme de milho Knorr, salsicha tipo viena Swift, Supra Soy integral, Nestogeno com soja, Soy Milk, batata frita Pringles Original, Mc Cornick/Bac’on Pices, entre outros.
Isso leva a crer que, além de contribuir para a violência urbana, devido a expulsão de mão-de-obra do campo para as cidades, nós ainda estamos servindo de cobaia ao usarmos produtos transgênicos e importados e como aqueles diversos animaizinhos que morremos de pena ao ver sendo utilizados de maneira tão deletéria nos filmes de ficção científica, e que sabemos serem usados de verdade nos laboratórios da vida real.
Pois bem, não há muita diferença entre eles e nós, apesar dos esforços do IDEC, muitos dos produtos que consumimos são feitos com OGMs, em sua maioria ou levam derivados deles na composição. Estamos servindo de cobaia para a sanha capitalista de empresas inescrupulosas, empresários ambiciosos, se valem da nossa falta de lei específica e lucram com produtos modificados, sem que o consumidor saiba na verdade o que está consumindo. Não que sejamos contra o desenvolvimento da ciência, somos a favor da pesquisa em novas tecnologias para melhorar a nossa agricultura.
Para Ilustrar – Algumas Citações
Algumas das melhores opiniões sobre a utilização de OGMs, vem do próprio meio agrícola, pessoas ligadas ao campo, ou a pesquisa agro-industrial, mesmo entre as pessoas que estão a favor do seu uso, também não há consenso, muitos agrônomos os acham desnecessários, outros vêem meios menos danosos de melhorar as colheitas. Confira nessas citações:
“Ainda não dominamos a técnica a ponto de garantir que não haja risco.” (Miguel Guerra – Secretário da SBPC – Santa Catarina)
“Não temos certeza sobre a segurança da soja manipulada.”
(José Hermetto Hoffman – Secretário de Agricultura do RS)
Colocar esses produtos no mercado com os raros testes já feitos é um crime.” (Karen Suassuna – Agrônoma do GreenPeace)
A Geopolítica dos alimentos transgênicos
A mesma ciência apregoada pelos anti-eco/neo/malthusianistas como a salvação, literalmente, da lavoura (sem trocadilhos) que viria para aumentar as provisões através de pesquisas, parece mais interessadas em produzir falácias que repercutirão causando discussões acaloradas que aumentarão as vendas de produtos duvidosos, do que em pesquisar modos mais úteis de diminuir a defasagem causada pela superpopulação nos, já bastante escassos, víveres.
Nos últimos anos do século que se findou, e nestes primeiros do novo século e milênio que adentramos, aconteceram progressos e retrocessos na humanidade, a ciência deu mostras de muita utilidade na área da genômica e da biotecnologia, jamais notamos antes tamanho progresso nas ciências e tecnologia. Nem sempre todo este avanço trouxe benesses para a humanidade, muitos deles pelo seu uso duvidoso são praticamente desnecessários e outros são, deveras, bastante perniciosos.
Note nas palavras do Príncipe Charles da Grã Bretanha, que resume o que muitos de nós pensamos a respeito de todo esse pseudo-progresso que tentam, literalmente, nos empurrar ‘goela abaixo’: “As alterações genéticas colocam o homem em domínios que pertencem a Deus.”
Só alguém muito ingênuo, ou pior, mal intencionado, não se dá conta da manipulação das informações à respeito dos alimentos transgênicos, não que esses alimentos sejam bons ou ruins, na verdade ainda nem tivemos tempo de testá-los e conferir se realmente fazem algum mal pra saúde e se sua produtividade e o custo-benefício compensa.
Problema maior é que já comemos esses produtos através de alguns alimentos importados derivados de milho, trigo e soja e alguns nacionais também, pois já temos em nosso país, dezenas de fazendas experimentais, que plantam OGMs em nosso solo e os clandestinos que conseguem sementes transgênicas na Argentina, Uruguai e Paraguai.
Contextualizando
Sem se dar conta você já deve ter ingerido dezenas, senão centanas de derivados dos alimentos transgênicos. Eles estão por toda parte, diretamente da prateleira dos supermercados, até indiretamnte através das rações animais (depois você irá consumir carne, leite e ovos com transgênicos). Por isso é que vale observar melhor a geopolítica (jogo de forças entre os países, as empresas e os produtores agrícolas)da produção e da distribuição dos transgênicos.
